Neste Dia

Fernando Morais

Jornalista brasileiro

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Fernando Gomes de Morais (Mariana, 22 de julho de 1946) é um jornalista, biógrafo, político e escritor brasileiro. Sua obra é constituída por biografias, jornalismo literário e livros-reportagens.

É conhecido por uma produção de não-ficção com ritmo narrativo de romance, marcada pela investigação jornalística rigorosa de caráter inédito ou até então pouco conhecido, pela sensibilidade dos detalhes e pela capacidade de transformar grandes personagens e episódios políticos e históricos, sobretudo da esquerda, em relatos de repercussão nacional e internacional. Autor de livros considerados e best-sellers que renderam adaptações para o cinema e teatro, como A Ilha, Olga, Chatô, o Rei do Brasil, Corações Sujos, Os Últimos Soldados da Guerra Fria, entre outros, combinando documentação extensa, entrevistas e pesquisa profunda para reconstruir fatos reais. Também é biógrafo de Paulo Coelho e Luís Inácio Lula da Silva.

Nascido em Minas Gerais, começou jovem no jornalismo, tendo passado por diversos veículos como Jornal da Tarde, Veja, Folha de S.Paulo, IstoÉ, TV Cultura, entre outros. Fez resistência contra a ditadura militar dentro e fora do país, inclusive participando de movimentos contra a censura, e durante e após a redemocratização exerceu cargos políticos enquanto deputado estadual (1979-1987) e secretário de Cultura (1988-1991) e de Educação (1991-1993) do Estado de São Paulo. Ao longo da carreira, recebeu homenagens e prêmios nacionais e internacionais.

Iniciou sua carreira no jornalismo aos 15 anos. Em 1961, era então um office boy numa revista editada por um banco em Belo Horizonte, quando teve que cobrir a ausência do único jornalista da publicação numa entrevista coletiva. Aos 18 mudou-se para São Paulo, onde passou a morar desde então, e trabalhou nas redações de Veja, Jornal da Tarde, Revista Visão, Folha de S.Paulo, TV Cultura e portal IG. Com o tempo, recebeu três vezes o Prêmio Esso e quatro vezes o Prêmio Abril de Jornalismo, além de outros prêmios e homenagens.

O primeiro Prêmio Esso veio em 1970, quando ele tinha então 23 anos, por conta da matéria "Primeira aventura da Transamazônica" no Jornal da Tarde, com o repórter Ricardo Gontijo e o fotógrafo Alfredo Rizutti. Percorreram o traçado da futura polêmica obra do governo Médici e, 4 anos depois, voltaram para verificar que as promessas de desenvolvimento tinham ficado no papel. A reportagem sobre a Transamazônica lhe deu visibilidade e apontou, segundo entrevista, "o meu rumo definitivo, o negócio do livro": Caio Gracco, da Editora Brasiliense, sugeriu publicar a matéria em livro.

Seu primeiro sucesso editorial foi A Ilha (1976), relato de um jornalista brasileiro durante a ditadura podendo ir em uma viagem a Cuba. A partir daí, abandonou a rotina das redações para se dedicar à literatura. Pesquisador dedicado e exímio no tratamento de textos, publicou biografias e reportagens que venderam mais de cinco milhões de exemplares no Brasil e em outros países.

Ainda em 1976, Morais participou de mesa-redonda na sede do Coojornal, em Porto Alegre, para tratar da situação de escritores e editores no período, foto histórica com Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Nélida Piñon, Sérgio Capparelli, Jorge Escosteguy e João Antonio.

Em 2003, tentou uma vaga na Academia Brasileira de Letras, mas foi derrotado por Marco Maciel, ex-senador e ex-vice-presidente da República. Em 2006 assumiu assento na Academia Marianense de Letras, em sua cidade natal.

Foi deputado estadual pelo PMDB em duas ocasiões, nas legislaturas de 1978 e 1982. Também assumiu secretária estadual de Cultura (1988-1991) e de Educação (1991-1993) de São Paulo, nos governos Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury Filho. Em 1998 foi candidato a vice-governador da candidatura de Orestes Quércia ao governo do Estado de São Paulo nas eleições de 1998.

Logo após o lançamento da edição americana da biografia Olga, os direitos de sua adaptação para filme foram adquiridos por um estúdio de Hollywood. Produtores americanos chegaram a anunciar que Al Pacino interpretaria Prestes.

No entanto, o filme Olga veio em 2004 a ser produzido pela Globo Filmes dirigido por Jayme Monjardim, com Camila Morgado no papel de Olga e Caco Ciocler no de Prestes.

O livro Chatô, o Rei do Brasil acabou por protagonizar um dos capítulos mais controversos da história do cinema brasileiro. Os direitos para o cinema foram adquiridos por Guilherme Fontes, ator sem maior experiência na produção de longas-metragens. As filmagens foram iniciadas em 1995 mas foram logo interrompidas por falta de recursos financeiros. Novas captações, autorizadas pelo Ministério da Cultura, foram feitas, mas após Fontes haver consumido R$8,6 milhões as filmagens foram definitivamente canceladas com a recusa do Tribunal de Contas da União em aceitar a prestação de contas do produtor.

O filme Chatô, o Rei do Brasil veio a ser lançado apenas em 2015.

Corações Sujos foi vendido para o cineasta Cacá Diegues, mas o projeto de finalizar o filme em 2005 não se concretizou.

Em 2011, foi lançado o filme Corações Sujos, do diretor Vicente Amorim, que conta com o ator Tsuyoshi Ihara no elenco.

"Os Últimos Soldados da Guerra Fria"

Os Últimos Soldados da Guerra Fria foi adaptado para o cinema por Olivier Assayas em 2019 sob o título Wasp Network, Cuban Network, Red Avispas... dependendo do país e da língua. A produção franco-espanhola é estrelada por Penélope Cruz, Édgar Ramírez, Gael García Bernal, Ana de Armas e Wagner Moura nos papéis principais. O filme foi bem recebido pela crítica, mas com reações violentas dos círculos anticastristas em Miami.

Em 2025, o livro deu origem a um espetáculo de teatro musical com o título Chatô e os Diários Associados - 100 Anos de Paixão escrito pelo próprio Fernando Morais e por Eduardo Bakr. A peça estreou no dia 27 de março no Teatro João Caetano (Rio de Janeiro), com Direção de Tadeu Aguiar e elenco formado por importantes nomes da cena teatral brasileira como Stepan Nercessian, Cláudio Lins, Sylvia Massari, Patrícia França, dentre outros, e contando também com Coregrafias de Carlinhos de Jesus, Direção Musical de Thalyson Rodrigues e Supervisão Musical de Guto Graça Mello. A peça trata da vida de Assis Chateaubriand sob o viés da sua importância para comunicação, fazendo um recorte de 100 anos da história do Brasil, revivendo personagens, músicas e resgatando memórias que aquecem o coração do espectador e que se misturam com a história da cultura, da imprensa e da democracia do nosso país através de um espetáculo original e brasileiro.

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