Fernando Stephan Marroni (Pelotas, 31 de julho de 1956) é um engenheiro eletricista, político e sindicalista brasileiro. Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), é o atual prefeito de Pelotas, cargo que ocupou entre 2001 e 2005 e novamente a partir de 2025. Além disso, foi deputado federal em três períodos distintos (1999–2000, 2009–2014, 2015), deputado estadual em uma legislatura (2019–2023) e diretor-presidente da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb) entre 2023 e 2024.
Servidor público administrativo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Marroni iniciou sua carreira política no movimento sindical como presidente da Associação dos Servidores da UFPel (Asufpel) e da Federação dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra). Filiado ao PT, concorreu a vereador em 1992, obtendo a primeira suplência. Na eleição seguinte, disputou o cargo de prefeito, chegando ao segundo turno contra José Anselmo Rodrigues, que venceu aquele pleito. Em 1998, elegeu-se como o quinto deputado federal mais votado do partido no Rio Grande do Sul.
Fernando Stephan Marroni nasceu em Pelotas, Rio Grande do Sul, no dia 31 de julho de 1956, filho de uma professora. Estudou engenharia elétrica na Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Tornou-se servidor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em 1978. É casado com a psicóloga e política Miriam Marroni, com quem teve duas filhas.
1987–2000: Início de trajetória política e primeiras eleições
Marroni iniciou sua trajetória política no Centro Acadêmico da UCPel, migrando posteriormente para o movimento sindical por meio da Associação dos Servidores da UFPel (Asufpel), a qual presidiu entre 1987 e 1991. Em 1989, assumiu a direção nacional da Federação dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra); no mesmo ano, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Concorreu a um cargo público pela primeira vez em 1992, quando elegeu-se suplente de vereador. Atraiu um grande número de filiados para o partido, sendo escolhido para disputar a prefeitura em 1996 — o que suscitou debate interno entre correligionários que não lhe achavam um nome forte. Apesar disso, chegou ao segundo turno — realizado pela primeira vez na cidade — contra o ex-prefeito José Anselmo Rodrigues, que venceu com uma vantagem de 3,6% dos votos.
Com o desempenho considerado surpreendente no pleito municipal, Marroni tornou-se figura de destaque dentro do partido, disputando cargos internos. Nas eleições estaduais de 1998, elegeu-se deputado federal com mais de 47 mil votos – o quinto mais votado do PT no estado. Durante seu mandato, enfatizou questões relativas a Pelotas em seus discursos, já visando uma próxima candidatura a prefeito. Desta vez, havia a possibilidade concreta de o partido alcançar a vitória; foram realizadas pesquisas de opinião em que Marroni figurava como o provável vencedor, o que o impulsionou a ganhar as prévias eleitorais. Assim, foi eleito prefeito de Pelotas na eleição de 2000, após disputar o segundo turno contra Leila Fetter (PPB), com 52,94% (94 953) dos votos. Em seu lugar na Câmara Federal entrou Ana Corso.
2001–2005: Prefeito de Pelotas
Marroni chegou ao paço municipal em um momento de instabilidade na política local. O prefeito eleito em 1996, Anselmo, ficou 18 meses afastado do cargo por conta de denúncias de improbidade administrativa provenientes de uma comissão parlamentar de inquérito; após longa disputa judicial, foi reempossado em julho de 2000, às vésperas da eleição, o que se refletiu em sua tentativa de reeleição: quarto lugar. Isso posto, a principal bandeira defendida pela nova gestão foi a da participação popular, por meio do orçamento participativo (OP), inspirada naquela implementada por Olívio Dutra em Porto Alegre. A partir do OP, foi criado o projeto "Pelotas Metrópole", no qual a prefeitura buscou recursos do Banco Mundial para obras de infraestrutura – mas esses incentivos só foram autorizados durante o governo de Fetter Júnior (PP), em 2007. Apesar disso, a forma como o OP foi realizado no município foi considerada desorganizada. Além disso, seu governo implantou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência na cidade; construiu dois postos de saúde, o pronto-socorro e o Hemocentro Regional de Pelotas; e organizou um programa de combate à fome em bairros com vulnerabilidade social.
A composição do governo foi complicada, pois várias tendências do partido não concordavam com a escolha do secretariado. Isso levou a uma grande reforma nas secretarias já em seu segundo ano no cargo – vista por alguns partidários como uma forma de remover membros mais críticos da administração, o que foi negado por outros mais próximos ao prefeito. O relacionamento do governo com a Câmara Municipal também foi misto. Algumas posturas do governo também geraram atrito na base apoiadora e na sociedade. Entre os principais conflitos, destacaram-se a mudança nos contratos de servidores municipais, que perderam algumas vantagens; uma nova licitação das linhas de transporte coletivo e adoção do sistema de catracas eletrônicas – após pressão popular, a Câmara aprovou um projeto que proibia a instalação das catracas, vetado por Marroni, mas cujo veto fora derrubado; a implantação da medida de trabalho aos sábados à tarde, reinvindicação antiga dos lojistas mas indesejada pelo Sindicato dos Comerciários. Anos após o fim de seu mandato, Marroni foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal de uma ação penal por dispensa de licitação ao firmar acordo com uma empresa para administrar a pedreira municipal.
Paralelamente, o vice-prefeito Mário Filho rompeu com o próprio governo após descobrir que o PT não pretendia reeditar a chapa vencedora em 2000 para a próxima eleição, fazendo-o ser afastado das secretarias municipais que ocupava. Em um episódio de repercussão midiática, montou um gabinete na Praça Coronel Pedro Osório — em frente à sede da Prefeitura — alegando que Marroni havia lhe tirado o espaço físico de trabalho. Revoltado, anunciou que seria candidato a prefeito naquele ano, rompendo definitivamente com a administração vigente. Nesse contexto, Marroni candidatou-se à reeleição em 2004 com apoio da Frente Popular (PT/PL/PCdoB) e o vereador Adelar Bayer como vice. Venceu o primeiro turno com 35,97% (68 669) dos votos, mas foi superado no segundo por Bernardo de Souza (PPS), ex-prefeito que recebeu apoio da maior parte dos outros partidos e somou 52,38% (100 088) dos votos.
2006–2018: Retorno à Câmara Federal e tentativas de reeleição
Depois de não obter a reeleição à prefeitura, concorreu novamente à Câmara dos Deputados em 2006 e, com 70 mil votos, ficou na primeira suplência, sendo efetivado em 6 de janeiro de 2009. Nesse período, defendeu que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva pudesse se candidatar novamente ao cargo em 2010 para um eventual terceiro mandato seguido e destinou uma emenda parlamentar para ampliação do Hospital Universitário São Francisco de Paula. Nesta legislatura, integrou as comissões permanentes de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Desenvolvimento Urbano e Interior; de Educação, Cultura e Desporto; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Minas e Energia; de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Viação e Transportes.
Em 2008, candidatou-se novamente à prefeitura com apoio da coligação Frente Popular (PT/PSB/PCdoB) e com o radialista Otávio Soares como vice. O atual prefeito era Fetter Júnior (PP), eleito vice na chapa de Bernardo em 2004, mas que assumiu logo depois por conta de problemas de saúde do titular e estava buscando uma reeleição. Assim como na eleição anterior, Marroni venceu o primeiro turno com 33,71% (65 109) dos votos. Fetter e Marroni tiveram uma campanha acirrada um contra o outro, intensificada com a ida dos dois ao segundo turno. Em seu horário político, o petista contou com depoimentos a seu favor de, entre outros, Anselmo Rodrigues, ex-prefeito e que também tinha sido candidato, e de Cesar Victora, cientista. Também recebeu visitas dos então ministros Tarso Genro e Dilma Rousseff. O principal tema de embate envolveu a autoria do projeto "Pelotas Metrópole" (naquele momento, renomeado "Pelotas Polo do Sul"), proposto no governo de Marroni e implementado no de Fetter; ambos os candidatos o reinvindicavam para si. No entanto, Marroni foi novamente ultrapassado no segundo turno, terminando o pleito com 43,28% (83 193) dos votos.