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Fernando Lopes-Graça

Maestro e compositor português (1906-1994)

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Fernando Lopes-Graça GOSE • GCIH (Tomar, Tomar, 17 de dezembro de 1906 – Parede, Cascais, 27 de novembro de 1994) foi um compositor, musicólogo, pianista, maestro, professor, investigador, teórico, crítico de arte e militante do Partido Comunista Português. É considerado um dos maiores compositores e musicólogos portugueses do século XX.

Nasceu a 17 de dezembro de 1908, na Rua Dr. Joaquim Jacinto, freguesia e concelho de Tomar, cidade sobre a qual escreveria que é onde «o monumento completa a paisagem; a paisagem é o quadro digno do monumento; e a luz é o elemento transfigurador e glorificador da união quase consubstancial da Natureza com a Arte». Foi batizado na freguesia de Santa Maria dos Olivais a 6 de janeiro de 1909. Era filho do cozinheiro Silvério Lopes da Graça, natural de Tomar (freguesia de São João Baptista), e de Emília da Conceição, natural de Ferreira do Zêzere (freguesia de Águas Belas). Foi legitimado pelo casamento dos pais, ocorrido a 27 de junho de 1910.

Apenas com 14 anos, começou a trabalhar como pianista no Cine-Teatro de Tomar, procedendo ele próprio aos "arranjos" dos excertos que interpretava, tocando peças de Debussy e de compositores russos contemporâneos. Na época, competiam em Tomar as duas bandas rivais: Gualdim Pais e a Nabantina.

Em 1923, frequenta o Curso Superior do Conservatório de Lisboa, tendo como professores: Adriano Meira (Curso Superior de Piano), Tomás Borba (Composição) e Luís de Freitas Branco (Ciências Musicais); em 1927, frequenta a Classe de Virtuosidade, onde tem como professor: Mestre Vianna da Motta (antigo aluno de Liszt).

Em 1928, frequentaria também o curso de Ciências Históricas e Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa, que viria a abandonar em 1931, em protesto contra a repressão a uma greve académica.

Entretanto, funda em Tomar o semanário republicano "A Acção".

Em 1931, no dia em que conclui, com a mais alta classificação, as provas de concurso para Professor de Solfejo e Piano do Conservatório Nacional, é preso pela polícia política, encerrado no Aljube e, a seguir, desterrado para Alpiarça.

Em 1934 concorre a uma bolsa de estudo, na área da música, para Paris. Ganha o concurso, mas a decisão do Júri é anulada por ordem da polícia política.

Em 30 de Agosto de 1936 é de novo preso pela PIDE e enviado para o Forte de Caxias.

Em 15 de Abril 1937 é libertado e parte para França por conta própria, aproveitando para ampliar os seus conhecimentos musicais, estudando Composição e Orquestração com Koechlin.

Em 1939 recusa a nacionalidade francesa, sendo forçado a regressar a Portugal.

Em 1940 é-lhe proposto dirigir os Serviços de Música da Emissora Nacional. Não chega a tomar posse do cargo porque recusa assinar a declaração de "repúdio ativo do comunismo e de todas as ideias subversivas" que, então, era exigida a todos os funcionários públicos.

Em 1945 integra o Movimento de Unidade Democrática (MUD), do qual virá a ser dirigente. No âmbito das atividades do MUD, Fernando Lopes-Graça cria o Coro do Grupo Dramático Lisbonense, mais tarde Coro da Academia dos Amadores de Música, após a sua morte o coro foi renomeado Coro Lopes-Graça da Academia de Amadores de Música como forma de homenagem. As Canções Regionais Portuguesas e as Canções Heroicas são cantadas pelo Coro por todo o país. Adere ao Partido Comunista Português em 1948.

A repressão por parte do regime cresce e acentua-se: na década de cinquenta as orquestras nacionais são proibidas de interpretar obras de Fernando Lopes-Graça; os direitos de autor são-lhe roubados; é-lhe anulado o diploma de professor do ensino particular; é obrigado a abandonar a Academia dos Amadores de Música, à qual só regressa em 1972. A sua ficha criminal por motivos políticos na Polícia Internacional e de Defesa do Estado revelada após a Revolução dos Cravos é composta por largas dezenas de páginas de espionagem diária do seu dia a dia.

É autor de uma vasta obra literária incidente em reflexões sobre a música portuguesa e a música do seu tempo, mas maior ainda é a sua obra musical, da qual são assinaláveis os concertos para piano e orquestra, as inúmeras obras corais de inspiração folclórica nacional, o Requiem pelas Vítimas do Fascismo (1979), o concerto para violoncelo encomendado e estreado por Rostropovich, e a vastíssima obra para piano, nomeadamente as seis sonatas que constituem um marco na história da música pianística portuguesa do século XX, et caetera.

A 9 de abril de 1981 é feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 2 de fevereiro de 1987 é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Em 1988 recebeu um Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Aveiro.

Morreu a 27 de novembro de 1994, na freguesia da Parede, em Cascais.

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