Fernando Haddad GCRB • GCMD • GOMM (São Paulo, 25 de janeiro de 1963) é um professor universitário, advogado e político brasileiro, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT). Foi ministro da Fazenda do Brasil, de 2023 a 2026, e ministro da Educação, de 2005 a 2012, nos governos Lula e Dilma Rousseff. Também foi prefeito da cidade de São Paulo, de 2013 a 2016.
É professor de ciência política da Universidade de São Paulo (USP), instituição pela qual se graduou bacharel em direito, mestre em economia e doutor em filosofia. Trabalhou como analista de investimento no Unibanco. Entre 2001 a 2003, foi subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico do município de São Paulo, na administração de Marta Suplicy. Integrou, ainda, o Ministério do Planejamento do governo Lula durante a gestão de Guido Mantega (2003–2004), oportunidade na qual elaborou o projeto de lei que instituiu as parcerias público-privadas (PPPs) no Brasil.
Foi nomeado como ministro da Educação em julho de 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permanecendo no cargo até janeiro de 2012. Durante seu mandato como ministro, houve a criação do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), a implementação da Universidade Aberta do Brasil e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, assim como a implementação do Programa Universidade para Todos (ProUni) e a reformulação e ampliação do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES) e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em 2012, foi eleito prefeito do município de São Paulo, vencendo no segundo turno o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), José Serra.
Em setembro de 2018, lançou sua campanha como candidato do PT à presidência da República nas eleições de 2018, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferir a candidatura de Lula naquele pleito. Haddad recebeu 44,87% dos votos válidos no segundo turno, perdendo para Jair Bolsonaro do Partido Social Liberal (PSL). Nas eleições de 2022, foi candidato ao governo do estado de São Paulo e novamente perdeu no segundo turno para Tarcísio de Freitas (Republicanos), recebendo 44,73% dos votos. Em 1 de janeiro de 2023, Haddad tomou posse como ministro da Fazenda no terceiro governo Lula. Durante sua gestão no ministério, foi aprovada a reforma tributária de 2023. É membro fundador do Grupo de Puebla, criado em 12 de julho de 2019 no México.
Fernando Haddad é o segundo de uma família de três filhos. Seu pai, Khalil Haddad, emigrou do Líbano para o Brasil aos 24 anos, em 1947, vindo a estabelecer-se como comerciante atacadista de tecidos. Sua mãe, Norma Thereza Goussain Haddad, filha de libaneses nascida no Brasil, formou-se no curso de Magistério no Liceu Pasteur e prestava serviços filantrópicos com a família no Grupo Socorrista Maria de Nazaré. Kardecista, D. Norma lia o Evangelho toda semana com Fernando e suas duas irmãs, Priscila e Lúcia, criando nas crianças o hábito da oração antes de dormir, que é mantido até hoje.
A família Haddad cultiva como referência espiritual o avô paterno de Fernando, Cury Habib Haddad, que, ao ficar viúvo, tornou-se padre da Igreja Ortodoxa Grega de Antioquia. Naquele país, destacou-se como líder na luta contra o domínio francês, no período posterior à Primeira Guerra Mundial. Morreu em 1961 no Brasil. Fernando Haddad carrega sempre na carteira a foto do avô, que ele não chegou a conhecer.
Passou a infância no bairro Planalto Paulista, onde desenvolveu a paixão pelo futebol nos campos de várzeas. Além do esporte, Fernando é faixa preta em taekwondo e lutou kung fu na adolescência. Também jogou handebol pelo Esporte Clube Sírio e chegou a ser vice-artilheiro do campeonato paulista entre 1977 e 1978.
Cursou a pré-escola e o Ensino Fundamental no Ateneu Ricardo Nunes, e o secundário no Colégio Bandeirantes. Em 1981 ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP). Durante a graduação, Fernando dividiu-se entre os estudos e o trabalho com o pai como balconista no comércio atacadista de tecidos da colônia antioquina, na rua 25 de Março.
Em 1988, aos 25 anos, casou-se com a dentista paulistana Ana Estela Haddad, depois de dois anos de namoro e de uma amizade mantida desde que ele tinha 17 anos. A amizade entre o casal surgiu por causa da coincidência de terem o mesmo sobrenome, embora não fossem parentes.
No Canadá, enquanto trabalhava na dissertação de mestrado, ela fazia estágio em Odontologia. Em 1992 nasceu o primeiro filho, Frederico, e em 2000, a filha Ana Carolina.
Em 2 de julho de 2023, Norma Theresa Goussain Haddad, mãe de Fernando Haddad, morreu aos 85 anos, vítima de um câncer, contra o qual lutava por três anos.
Fernando Haddad é bacharel em direito, mestre em economia desde 1990, e doutor em filosofia desde 1996, tendo obtido esses três graus pela Universidade de São Paulo.
No final de 1985 diplomou-se em Direito e, no ano seguinte, foi aprovado no exame da OAB. Em outubro de 1986, Haddad foi selecionado para o mestrado em Economia da USP, que viria a concluir em 1990, depois de passar um ano (1989) elaborando a dissertação (O caráter sócio-econômico do sistema soviético) como aluno visitante da Universidade McGill.
Prosseguiu a jornada acadêmica na USP cursando, entre 1991 e 1996, o doutorado em Filosofia, (com a tese De Marx a Habermas — O Materialismo Histórico e seu paradigma adequado, sob a orientação de Paulo Arantes). Nos dois níveis da pós-graduação defendeu teses de crítica ao socialismo real, adotando em ambas abordagens ancoradas na escola frankfurtiana.
Começou a atuar na militância estudantil no terceiro ano da Faculdade de Direito. Em um período de distensão da ditadura militar, que acirrava o debate político nas universidades, Fernando Haddad fez uma imersão na leitura de Karl Marx, aplicando-se à crítica ao stalinismo e também ao trotskismo, que considerava apenas uma crítica moralista ao totalitarismo.
Nessa época, conectou-se com o pensamento da Escola de Frankfurt, identificando-se com as teorias críticas de Theodor Adorno, Max Horkheimer e Herbert Marcuse. Associou-se a militantes de fora das duas facções que se revezavam na direção do Centro Acadêmico XI de Agosto — o Partido Comunista Brasileiro, alinhado à União Soviética, e a trotskista Libelu de crítica ao regime soviético. Fernando apoiou a nova chapa que concorria ao centro acadêmico, ironicamente chamada The Pravda — escrita com a junção das logomarcas dos jornais The New York Times (EUA) e Pravda (URSS). Com a vitória, tornou-se em 1984 presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto. Na ação política, participou das passeatas e comícios do movimento Diretas Já, em favor do restabelecimento de eleições diretas para presidente da República.
Por seu envolvimento no movimento estudantil, Haddad foi espionado pelo exército e pelo SNI e aparece como um estudante envolvido nos debates nacionais e cercado de personagens da elite intelectual e política de São Paulo.
Em 1986, associou-se ao engenheiro Paulo Nazar, seu cunhado, para atuar no ramo da incorporação e construção. Em 1988, trabalhou como analista de investimento do Unibanco. Em 1997, foi aprovado no concurso para lecionar na USP, tornando-se, aos 34 anos, professor do departamento de Ciência Política. No mesmo ano, se desfez do negócio da família em função do agravamento do estado de saúde de seu pai. A partir de 1998, trabalhou como consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, onde coordenou o projeto de criação da tabela mensal de preços de carros novos, conhecida como Tabela Fipe, lançada em maio de 2000.