Neste Dia

Fernanda Ribeiro

Campeã olímpica portuguesa

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Maria Fernanda Moreira Ribeiro OIH • GCIH (Penafiel, 23 de Junho de 1969) é uma atleta portuguesa, especialista em corridas de fundo e meio fundo. Uma das maiores referências portuguesas na modalidade, sagrou-se em 1996, campeã Olímpica, dos 10000 metros em Atlanta, tornando-se na terceira atleta nacional a conseguir o ouro olímpico, depois de Carlos Lopes e Rosa Mota. Sendo a atleta portuguesa mais medalhada de sempre, alcançou, entre outros feitos, a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000 e os títulos de campeã do Mundo, campeã da Europa e bicampeã europeia de pista coberta. Teve a honra de receber a Medalha Olímpica Nobre Guedes e foi convidada a ser a porta-estandarte da comitiva portuguesa, na abertura dos Jogos Olímpicos de Atlanta, que terminariam com Fernanda Ribeiro a bater o record olímpico dos 10000 metros.

Os primeiros passos no Atletismo

Desde muito nova Fernanda Ribeiro demonstrou interesse pelo atletismo. Com capacidades únicas para a sua idade, despertou a cobiça de vários clubes logo aos 10 anos de idade. Depois de uma breve passagem pelo Valongo, de Susão, foi no Kolossal que a jovem de Penafiel começou a competir a nível oficial. No escalão de iniciada, logo dá provas do seu invulgar talento, ao classificar-se em 2.º lugar atrás de Rosa Mota, na meia-maratona da Nazaré. Em 1982, sagra-se campeã nacional de iniciados e juvenis, em 1500 metros e é naturalmente contratada por um dos melhores clubes nacionais de atletismo, o Futebol Clube do Porto. A aposta demonstrou-se totalmente justificada e em 1983, Fernanda era já a recordista nacional de iniciados, juvenis e juniores, tanto em 1500 metros, como nos 3000 metros.

Na antecâmara dos sucessos futuros a nível sénior, a atleta dos Dragões consegue os seus primeiros grandes resultados a nível internacional, nos anos de 1986 e 1987, conquistando o 4.º lugar no Mundial Júnior, de Atenas, em 3000 metros. Na mesma distância e apenas um ano depois, sagra-se campeã europeia do escalão, na cidade inglesa de Birmingham, com um tempo de 8.56,33, estabelecendo um novo record nacional de juniores. Esta impressionante vitória valeu à atleta, a convocatória para os Mundiais de Roma, do mesmo ano, com apenas 18 anos de idade. Esta foi a segunda experiência de grandes competições internacionais, a nível sénior, depois de não ter passado das qualificações nos Europeus de Estugarda. Valeu sobretudo pela experiência adquirida, já que a jovem nortenha não foi além do penúltimo lugar da meia final, apenas à frente da vice-campeã europeia de juniores, a romena Calenic, que tinha sido derrotada por Fernanda, em Birmingham.

Estreia frustrante nos Jogos Olímpicos

Com a motivação resultante de ter conseguido os mínimos olímpicos para os Jogos de Seul, as suas primeiras Olimpíadas com apenas 19 anos de idade, Fernanda Ribeiro sagrou-se vice-campeã mundial de juniores, em 3000 metros. A medalha de prata foi conseguida na cidade canadiana de Sudbury, de forma surpreendente, depois de ter sido apenas quinta classificada na meia final do dia anterior. Nos Jogos Olímpicos, melhorou o seu tempo da final do mundial de juniores em quase 10 segundos, mas tal não foi suficiente para fazer melhor que o 13.º lugar da sua meia final. A diferença entre os atletas do seu escalão e a fina nata mundial sénior provava ser ainda muito grande, mas a atleta do Futebol Clube do Porto deixava boas indicações para o futuro.

No caminho para Barcelona 1992, as coisas não saíram da forma que Fernanda Ribeiro esperava, com resultados muito aquém do esperado. Nos Europeus de Split, em 1990, não passou das qualificações dos 3000 metros e em 10000 metros desistiu a meio da prova. Nos seus segundos campeonatos do mundo, em Tóquio, as coisas não correram melhor e a jovem penafidelense ficou-se pelas meias finais, repetindo o resultado de 4 anos antes. Foi sem espanto, que os resultados não diferiram muito em Barcelona, 1992, com um 9.º lugar na sua meia-final e consequente eliminação. Com 23 anos, a campeã europeia e vice-campeã mundial de juniores estava a sentir claras dificuldades de transição para a competição sénior e os fracos resultados levaram-na a ponderar mesmo o abandono do atletismo.

É em 1993 que tudo muda. Já com novo treinador, João Campos, alcança o 10º lugar nos Mundiais de Estugarda, já uma marca de muito respeito e que provava que Fernanda Ribeiro tinha qualidade para bem mais do que estava a render. No ano seguinte, em pista coberta, a atleta alcança a sua primeira medalha em grandes competições seniores, e logo o ouro. Em Paris, a atleta portista não só se sagrou campeã da Europa indoor, como bateu o recorde nacional dos 3000 metros, que pertencia a Albertina Dias. Estava a iniciar-se uma brilhante carreira a nível de conquistas internacionais, e no mesmo ano, Fernanda Ribeiro tornou-se também campeã da Europa em 10000 metros, desta feita ao ar livre, em Helsínquia. Num evento fabuloso para as cores nacionais (Manuela Machado sagrou-se campeã europeia da maratona), Fernanda Ribeiro dominou a corrida e melhorou o seu recorde nacional para 31.04,25, à frente de Conceição Ferreira, que trouxe a prata para Portugal. Em 1995, mais medalhas para a fundista, com os títulos de campeã mundial nos 10000 metros e vice-campeã mundial nos 5000 metros. Na prova mais longa, Fernanda Ribeiro ficou 4 segundos à frente de Derartu Tulu, campeã olímpica em Barcelona, quatro anos antes, e bateu o recorde dos campeonatos. Esta vitória valeu-lhe também um Mercedes, apesar de à época não ter carta de condução. Ao conseguir a medalha de prata nos 5000 metros, 3 dias depois, ficando apenas atrás da irlandesa O´Sullivan, a atleta portuguesa fez história, tornando-se na primeira a fazer a chamada "dobradinha" em Campeonatos do Mundo. Antes dos Jogos Olímpicos de 1996, ainda houve tempo para revalidar, em Estocolmo, o seu título de campeã europeia de pista coberta nos 3000 metros.

Os dados para Atlanta estavam lançados. Fernanda Ribeiro chegava às suas terceiras Olimpíadas, mas ao contrário de Seul 1988 e Barcelona 1992, desta feita com aspirações legítimas a uma medalha olímpica, defendendo o seu estatuto de campeã mundial e bicampeã europeia. Isso contribuiu em parte, para que fosse convidada a ser a porta-estandarte da comitiva portuguesa, tendo a atleta tido a honra de transportar a bandeira nacional na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Atlanta. A 9 de Junho de 1995 foi feita Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. A 2 de agosto de 1996, com a medalha de prata mais que assegurada, Fernanda Ribeiro proporcionou um dos momentos mais brilhantes do desporto português e uma das finais de 10000 metros mais espetaculares de sempre. Na última volta, a atleta chinesa Wang Junxia, recordista mundial da distância e já sagrada campeã olímpica dos 5000 metros, acelerou violentamente o ritmo, mas nunca conseguiu mais do que 4 metros de vantagem sobre Fernanda Ribeiro que protagonizou uma espectacular recuperação. Com um final de prova demolidor, a fundista nacional surpreendeu tudo e todos, incluindo a super-favorita chinesa e fez uma ultrapassagem impensável, disparando para um novo recorde olímpico de 31.01,63 e sagrando-se campeã olímpica dos 10000 metros, a terceira medalha de ouro na história olímpica de Portugal. Fernanda Ribeiro era a partir dessa altura campeã olímpica, campeã do mundo e campeã europeia, um feito só ao alcance dos melhores desportistas mundiais.

Tendo já conquistado tudo o que havia para ganhar, a ambição da nortenha não esmoreceu e 1997 foi mais um ano de vitórias, com mais três medalhas conquistadas. A nível indoor, conquistou a sua única medalha em campeonatos do mundo, com o bronze em Paris 1997, alcançado na prova dos 3000 metros, com o tempo de 8.49,79. Ao ar livre garantiu o bronze nos 5000 metros e a prata nos 10000, repetindo o score de duas medalhas ganhas dois anos antes, nesta mesma competição. No ano seguinte, Fernanda conseguiu mais 2 segundos lugares, desta vez em campeonatos europeus, de pista coberta e ar livre. Em Valência, nos 3000 metros, a corredora do FC Porto fez um tempo de 8.51,42, enquanto que em Budapeste realizou os 10000 metros em 31.32,42. No final do ano, tinha mais 2 medalhas de prata para juntar ao seu já longo palmarés. A 6 de Outubro de 1998 foi elevada a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. No entanto, 1999 seria um ano negro na sua carreira. À partida para os Mundiais de Sevilha, a expectativa era naturalmente de conquistar mais uma medalha, depois dos quatro lugares de pódio nos últimos dois campeonatos mundiais. A atleta portuguesa ia em 4.º Lugar, quando se sentiu sem forças e desistiu, saindo da corrida visivelmente abalada. O ano mau seria agravado com a sua primeira experiência na Maratona, que terminou também em desistência, em Londres. Esta tentativa falhada terá dado força à manutenção da portuguesa de 30 anos, no atletismo de pista, mais concretamente nos 10000 metros, numa altura em que havia alguma incerteza sobre que rumo dar à sua carreira.

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