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Família Bresser

No Brasil, a Família Bresser origina-se pela vinda de Carlos Abrão Bresser, em companhia de D. Pedro I, para a construçã

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No Brasil, a Família Bresser origina-se pela vinda de Carlos Abrão Bresser, em companhia de D. Pedro I, para a construção de estradas e pontes, tornando-se uma "importante família que fez história na cidade de São Paulo", "uma das famílias mais importantes da história da Cidade." Pois, "muito labutaram pelo progresso e desenvolvimento da cidade, haja vista as homenagens" devidas ao pioneirismo de seus membros na fundação e reforma de instituições públicas e privadas, à inovação de suas atividades econômicas, variedade de seus trabalhos construtivos e cartográficos, além de sua prolífica atividade educacional, intelectual e artística.

O patriarca do ramo brasileiro dessa família prussiana nasceu em Krefeld, cidade incorporada ao Reino da Prússia, após a morte de Guilherme III de Orange. Motivo de se considerar que a origem mais remota dessa linhagem remonte ao Ducado de Brabante, onde se encontram seus primeiros registros, por volta do século XI. Após a II Guerra Mundial, a Prússia foi dividida entre Alemanha, Polônia, Lituânia e Rússia. Atualmente, Krefeld pertence à Renânia do Norte-Vestfália, na Alemanha, onde nos Séculos XIX e XX o Vale do Ruhr se tornou um grande centro industrial.

Ao longo dos séculos, essa família manteve sua atividade tanto na vida das grandes instituições brasileiras quanto no aspecto intelectual e cultural da vida brasileira: na Engenharia, foram convidados pelo Imperador para constituir a infraestrutura da capital econômica da América Latina, a canalização de água potável da Cantareira, para sua explansão, sua primeira planta e primeiro hotel; na educação, a fundação da maior escola alemã do mundo, pelo que viria a ser o Colégio Visconde de Porto Seguro; grupos educacionais privados de excelência internacional, como a Escola Móbile; o primeiro mestrado do Brasil, na Fundação Getúlio Vargas; e a criação da Plataforma Lattes; na Medicina, o pioneirismo em especialidades médicas como transplante de córnea e estrabismo, pelo General José Bresser e o Professor Bresser Dores; no mundo empresarial, desenvolvimento das maiores cadeias de varejo do Brasil, como Pão de Açúcar e Lojas Americanas; entre outras contribuições. Razões pelas quais a "família Bresser teria descendentes extremamente famosos".

Para além do serviço à República e Coroa Brasileiras, nota-se a atuação de antepassados da Família Bresser também junto às Coroas de várias outras nações europeias: à Coroa de Portugal, pelos Müller de Augsburgo, às Coroas da Prússia e França, com ampla genealogia na aristocracia dessas regiões, à Coroa da Áustria, pela elevação da família Lehman à nobreza pelo rei Francisco II, da Holanda, no Governo da Nova Holanda (Pernambuco) e das Antilhas, por Sigismund von Schkopp, e da Boêmia, junto ao rei Jorge de Podebrâdy, idealizador da União Européia, pelo General Cristoph von Schkopp, criador do Palácio de Auras.

O Patricarca e a Primeira Geração

A primeira geração da família Bresser, em terras brasileiras, surge da união de Carlos Abrão Bresser e Anna Clara Müller, irmã do Marechal Daniel Pedro Müller, Governador das Armas de Santa Catarina, assessor de Dom Pedro I, "Patriarca da Estatística" no Brasil, idealizador da Escola Politécnica de São Paulo e sogro do Visconde de Beaurepaire-Rohan, também engenheiro.

No Brasil, Carlos Abrão administrou diversos projetos para expansão e mapeamento de São Paulo. Foi indicado por João Bloem, Comandante de Fernando de Noronha e diretor-geral das Usinas Siderúrgicas do Império, para a função de "diretor de estradas". Antes mesmo de desembarcar no litoral paulista, teve amplos poderes concedidos por Bloem como seu "suplente em todas as questões de serviço".

Contudo, Bresser passaria trabalhar com o Marechal Müller, como major de engenheiros, a compor o "seleto grupo que supervisionava a província", tendo a capital sob sua regência. Pois, com "personalidade forte" e "muito esperto para os negócios", já recebia largos elogios do então Presidente de São Paulo, Rafael Tobias de Aguiar, em 1840:"Um temos nós já no paiz, cujos talentos e habilidades [...] podiam ser muito mais utilmente empregados [...] Fallo do hábil Director Bresser, a quem acabo de empregar com fructo na abertura [...] d'esta Cidade a Jundiahy."

Carlos Augusto Bresser e família

Durante seus anos de trabalho para o imperador, executados com "zelo e actividade, e bom gosto", Carlos Abrão Bresser empreendeu a construção de mais de 200 prédios e galpões, para "que ele e seus descendentes pudessem fazer fortuna com os aluguéis". Patrimônio que foi substancialmente expandido por seu filho, Carlos Augusto Bresser, pioneiro da indústria paulista, com a importação de maquinário a vapor da Alemanha para produção e beneficiamento de gêneros alimentícios. Um dos empreendimentos mais notáveis de São Paulo, segundo relatório do inspetor ao imperador Dom Pedro II, em 1872. Além do leilão e loteamento de suas terras, em centenas de terrenos, acelerando a urbanização de São Paulo à Leste.

Contudo, Carlos Augusto não se restringia às suas atividades industriais e comerciais, exercendo também o papel de magistrado em pequenas causas, alferes da Guarda Nacional, Diretor de Calçamentos e Edificações da capital paulista e vereador, sendo o fundador do bairro do Brás. Enquanto que constituiu família junto à aristocrata prussiana Anna Hasta Edwiges von Seehausen, posteriormente conhecida por Anna Bresser, sendo mãe de seus 11 filhos.

Mulher devotada ao ensino e à fé, Anna Bresser alfabetizou escravos, antes da criação da Lei Áurea, destacando-se na causa abolicionista. Além disso, financiou a construção da primeira paróquia erigida canonicamente em São Paulo: a Igreja de São João Batista do Brás. Rica em vitrais, a igreja conta com esculturas feitas por artistas parisienses e um dos maiores órgãos de tubo do Brasil. Instituição na qual vigorou, por décadas, o prêmio Anna Bresser, para incentivo às meninas com melhor desempenho escolar do Brás.Ela era sobrinha de Otto von Schkopp, governador de Estrasburgo; neta de Ludwig Gustav von Seehausen, Regimentschef do Regimento Seydlitz de Berlim; bisneta de Gustav Gotthilf von Seehausen, controlador do Tesouro Real; trineta de Friedrich W. Q. von Forcade de Biaix, afilhado do rei Frederico I da Prússia, um dos mais célebres oficiais de Frederico, o Grande, e provavelmente o primeiro ministro da saúde do Ocidente, sendo presidente do Oberkollegium Sanitatis; tetraneta de Jean de Forcade de Biaix, Comandante da Casa Real e Governador das Armas de Berlim; e pentaneta de Sigismund von Schkopp, General-Governeur das Índias Ocidentais e general da ocupação holandesa no Brasil, sendo o Governador da Nova Holanda.

Assim, por meio dessa união, surgiu uma das genealogias de maior destaque no Brasil, descendendo de diversos pais fundadores da Europa, chefes e conselheiros de Estado, intelectuais e santos. Ascendência que liga-se a diferentes linhagens dinásticas, por no mínimo: 10 linhagens, aos arnulfianos; 7 linhagens, a Alfredo, o Grande; 5 linhagens, aos carolíngios; 5 linhagens, aos merovíngios; 3 linhagens, aos capetianos; entre uma pletora de outras personalidades históricas.

Por conta do casamento das filhas de Carlos Abrão, surgiram também os primeiros ramos da família. Como os Bresser Monteiro, pelo casamento de Carolina Augusta Bresser, com Antônio José Monteiro, abastado comerciante da São Paulo oitocentista que a conheceu nas festas promovidas por sua sogra, Madame Bresser. Carolina é lembrada na rua de seu palacete, a primeira residência com elevador de São Paulo, mantido por mais de 20 empregados.

Sua filha Cymodoceia Bresser Monteiro casou com Manoel Carlos de Alcântara Carreira (1876-1928), cônsul do Brasil na França, que viajava constantemente ao Rio de Janeiro para as conferências da ABI, sendo muito ativo intelectualmente; o caçula, Antônio Bresser Monteiro, aluno na Escola Politécnica de Zurique, foi colega de Albert Einstein; e Ana Cândida Bresser Monteiro, por sua vez, casou com o advogado Luiz Oliva de Toledo, sobrinho e assessor do governador de São Paulo Pedro de Toledo, sobrinho-neto da Viscondessa de Ouro Preto e da 2ª Baronesa de Javary, sendo bisneto do Conselheiro Joaquim Floriano de Toledo. De Ana Cândida, a historiografia dessa família relembra: "Ela, uma senhora muito caseira e culta. Estudou no Colégio São José, na rua da Glória, para onde iam as moças da alta sociedade de então. Falava francês e era amante de literatura e poesia. Antes de casar, esteve na Europa (c. 1912) com a mãe. Na volta, três representantes de casas comerciais européias vieram acompanhá-las e trazer o que elas compraram lá."Clara Albertina Bresser, por sua vez, originou os Bresser da Silveira, sendo avó de José Bresser da Silveira, filantropo, médico, cônsul e general do Exército, Grão-Mestre da Soberana Ordem dos Cavaleiros de São Paulo Apóstolo, fundador da cadeira 13 na Academia Cristã de Letras, e mãe de Alfredo Bresser da Silveira, pioneiro nas publicações sobre educação do Brasil e vice-presidente da Associação Beneficente do Professorado Público, sendo diretor das principais instituições paulistanas de ensino. Ambos são lembrados em logradouros paulistanos. Família que daria origem ao diversos ramos notáveis, como os Bresser-Pereira, Bresser Srour e Bresser Haspo, fortemente atuantes na formação das elites paulistanas, por suas iniciativas educacionais.

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