Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), também conhecida por Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, "São Francisco", "Sanfran" ou, ainda, "Arcadas", em alusão à sua arquitetura, é uma unidade de ensino, pesquisa e extensão da Universidade de São Paulo. Foi criada em 11 de agosto de 1827 juntamente com a Faculdade de Direito do Recife, sendo estas as duas mais antigas faculdades de direito do país.
Ao longo de quase dois séculos formou diversas personalidades notórias da história do Brasil. 55 Ministros que compuseram o STF desde a Proclamação da República estudaram o Bacharelado em Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. 13 Presidentes da República, 45 Governadores do Estado de São Paulo e 13 Prefeitos de São Paulo estudaram o curso de graduação na instituição.
Segundo a publicação Análise Advocacia, grande parcela dos advogados de destaque do Brasil concluíram a graduação na Faculdade de Direito da USP. Em 2007 a instituição ocupava a primeira posição, com 13% dentre os advogados mais admirados; em 2012 também ocupou o 1º lugar, com 23% dos advogados mais admirados do Brasil composto por egressos da FD USP; a edição de 2021 de Análise Advocacia revelou que 19% dos advogados mais admirados do Brasil estudaram na Universidade de São Paulo.
Levantamento de 2008 publicado no Anuário da Justiça Paulista da Editora Consultor Jurídico constatou que 41% dos desembargadores do TJSP estudaram na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Na edição de 2019 a USP continuava liderando, com a proporção de 40% dos desembargadores. A FDUSP é também a Instituição de Ensino Superior com mais juízes de 1ª instância no TJSP, com pouco mais de um terço do total. A Faculdade de Direito da USP (Largo de São Francisco) também foi a faculdade que mais aprovou candidatos a promotor de justiça no 83º, 85º, 86°, 88º, 89º, 91º, 92º, 93º e 94º Concurso de Ingresso na Carreira do Ministério Público do Estado de São Paulo. Também há uma significativa presença de seus egressos nos concursos para a Advocacia-Geral da União, Procuradoria do Estado, magistratura federal, Ministério Público da União, Senado Federal e Câmara dos Deputados, dentre outras carreiras jurídicas. A Faculdade de Direito do Largo de São Francisco também se destaca desde o início entre os aprovados no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática do Itamaraty. Uma grande quantidade de embaixadores e diplomatas brasileiros são egressos da Faculdade de Direito da USP.
O curso de direito na USP é considerado o 45º melhor curso de direito do Mundo, o 2º melhor da América Latina e o melhor curso de direito do Brasil segundo o QS World University Rankings de 2019. Em conjunto com a Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP), os cursos de direito da USP ocupam a 1ª colocação entre os cursos de direito do País no Ranking Universitário da Folha de S.Paulo, tendo sido considerados os melhores cursos de direito do Brasil nas edições de 2019 (mais recente), 2018 e 2015. Avaliado em separado do curso da FDRP (USP Ribeirão Preto), o curso de direito da Faculdade de Direito da USP, na Capital Paulista, é considerado excelente pelo Guia da Faculdade do Jornal O Estado de São Paulo, alcançando a pontuação máxima de 5 estrelas. Os Cursos de Direito da USP em São Paulo e em Ribeirão Preto, avaliados individualmente, também alcançaram a nota máxima (5 estrelas) no Guia do Estudante da Editora Abril.
Atualmente, a Comissão de Graduação é presidida pela Professora Associada Nina Beatriz Stocco Ranieri.
Possui o mais antigo Programa de Pós-Graduação em Direito em funcionamento do País, criado em 1969 e em atividade desde 1971. Com 10 áreas de concentração, 33 Linhas de Pesquisa e 148 Projetos de Pesquisa que funcionam como sublinhas de pesquisa em temas específicos . Até o quadriênio 2017-2020 os Programas de Mestrado Acadêmico e Doutorado da Faculdade de Direito da USP eram avaliados com conceito 6 pela CAPES, então maior nota alcançada em programas de Mestrado e Doutorado em Direito dentre as Instituições de Ensino do Brasil, juntamente com outras 10 universidades brasileiras. Em 2022 foi divulgado que o Programa de Pós-Graduação em Direito da FDUSP conquistou a nota máxima 7 na avaliação da CAPES no quadriênio 2018-2021.
Atualmente, a Comissão de Pós-Graduação é presidida pelo Professor Titular Gustavo Ferraz de Campos Mônaco.
A Ideia acerca da criação de um curso jurídico no Brasil surgiu em 1822, com José Feliciano Fernandes Pinheiro, o Visconde de São Leopoldo, membro do Parlamento. Até então, os que desejavam estudar direito deveriam deslocar-se até Coimbra, em Portugal. O local onde hoje funciona a Faculdade de Direito era, originalmente, ocupado por um Convento franciscano. O prédio do estilo barroco luso-brasileiro, inaugurado em 17 de setembro de 1647, era feito de taipa, com fundações de 03 metros de profundidade e com paredes que chegavam a 02 metros de espessura em alguns pontos.
A Faculdade de Direito, a mais antiga instituição do gênero no Brasil juntamente com a Faculdade de Direito do Recife, deve a sua origem a um decreto imperial assinado em 1827. Estas destinavam-se a formar governantes e administradores públicos, sendo fundamental para a consolidação e para o desenvolvimento do país independente.
A Carta de Lei assinada por D. Pedro I em 11 de agosto de 1827 criou dois "Cursos de Sciencias Jurídicas e Sociaes" no Brasil, um instalado no Convento de São Francisco, em São Paulo, e outro no Basílica e Mosteiro de São Bento (Olinda), em Olinda, Pernambuco. Cada curso seria ensinado "no espaço de cinco anos e em nove cadeiras", resultando no grau de bacharel, havendo a possibilidade de prosseguir ao grau de doutor. Em princípio chamado simplesmente "curso jurídico", teve sua aula inaugural dada em São Paulo no 1 de março de 1828, pouco antes do curso de Olinda.
Posteriormente, ficou conhecida como Academia de Direito do Largo de São Francisco ou também Academia de Direito de São Paulo. O termo "Academia" foi oficialmente incorporado ao nome da Instituição, a partir do Decreto-lei de 7 de novembro de 1831, o qual registra que "O sello da Academia Juridica terá ... a seguinte inscripção - Academia de Sciencias Juridicas, e Sociaes, S. Paulo."
Foi só em 1854 que o nome oficial Faculdade de Direito da Cidade de São Paulo começou a ser usado pela aprovação do decreto nº 1 386, de 28 de abril de 1854: "Art. 1º Os actuaes Cursos Juridicos serão constituidos em Faculdades de Direito; designando-se cada uma pelo nome da cidade, em que tem, ou possa ter assento".
Devido a um incêndio ocorrido em 1880, a fachada foi reformulada em 1884. Por conta do incêndio de 1880, foi criado o Corpo de Bombeiros na Cidade de São Paulo, pois se percebeu a expansão da cidade e necessidade da disposição de recursos para o combate a incêndios. Por ocasião dessa reforma da fachada em 1884 foi instalado o relógio que possui até a atualidade em sua fachada, o primeiro relógio da Cidade de São Paulo.
Em 1903, fora fundada aquela que seria considerada a entidade estudantil mais tradicional e antiga do Brasil. Chamada de "Centro Acadêmico XI de Agosto", corresponde a um local de representação dos alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Na década de 1930 foi iniciada a construção do novo prédio do antigo Convento de São Francisco, chamado de “Prédio Histórico”, que foi finalizada em 1941. Ricardo Severo foi o autor do projeto de estiloneocolonial, no qual implementou características do barroco luso-brasileiro à Arquitetura moderna, mesclando a tradição do antigo convento com o aspecto cultural do país.
Desde o início, a Faculdade de Direito pertenceu ao Governo central, passando do monárquico ao republicano, e em agosto de 1934 a Faculdade foi incorporada à Universidade de São Paulo por Getúlio Vargas.
Com a Revolução Constitucionalista de 1932, alguns alunos da Faculdade de Direito morreram lutando contra a Ditadura de Getúlio Vargas. Assim, ergueram em Homenagem a estes o "Monumento ao Soldado Constitucionalista", situado na área interna do Prédio Histórico. Encontra-se, também, um túmulo, construído em 1842 em homenagem a Julius Frank, um professor de história e geografia fundador de uma sociedade secreta de jovens, Burschenschaft, que teria influenciado, principalmente os jovens, durante muitos anos na história da política brasileira.