Fabiana Karla Sousa Simões Barbosa (Recife, 30 de outubro de 1975) é uma atriz, apresentadora e humorista brasileira. Conhecida por seus trabalhos cômicos em várias plataformas, tornou-se referência do humor nacional por seus anos de trabalho no programa Zorra Total (2004–15). Fabiana é vencedora do prêmio do Los Angeles Brazilian Film Festival, além de ter recebido indicação ao Grande Otelo de Melhor Atriz Coadjuvante e duas nomeações ao prêmio Melhores do Ano.
Karla fez sua estreia como atriz no teatro amador de Recife, com estreia profissional em João e Maria, uma História Brasileira (1990). Ganhou notoriedade ao criar a personagem Lucicreide, levando-a a um festival de teatro colegial, onde venceu o prêmio de melhor atriz no Festival Arte Viva Elo, em 1991. Integrou o elenco do TAP, o Teatro de Amadores de Pernambuco. Mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de ampliar suas oportunidades como atriz. Após gravar uma participação no programa Linha Direta, fez sua estreia nas novelas em Mulheres Apaixonadas (2003), como a empregada Célia. No entanto, foi no humorístico Zorra Total (2004–15) que se tornou nacionalmente conhecida por suas performances como as personagens Lucicreide, Gislaine e Doutora Lorca, popularizando bordões até hoje lembrados.
Nos anos recentes, tem se consagrado pela versatilidade de atuação com atuações dramática. Foi protagonista do espetáculo Gorda (2009–10), onde teve sua primeira oportunidade de explorar sua performance como atriz dramática. Ela também esteve em evidência no papel da fogosa Olga Bastos na novela Gabriela (2012). Recebeu uma indicação de Melhor Atriz Coadjuvante no Melhores do Ano por seu trabalho como a enfermeira Perséfone em Amor à Vida, que sofre gordofobia. Interpretou a vidente desastrada Madá em Verão 90. Recebeu elogios ao interpretar a poderosa empresária sertaneja Helena Maravilha na série Rensga Hits!. Fabiana também te se destacado como apresentadora nos anos recentes, com trabalhos em Se Joga (2019), LOL: Se Rir, Já Era! (2023) e Bake Off Brasil: Mão na Massa (2024).
No cinema, fez sua estreia no curta-metragem Marina (2003) e seu primeiro longa-metragem foi A Máquina (2005). Ela foi nomeada pela Academia Brasileira de Cinema ao Grande Otelo de Melhor Atriz Coadjuvante por seu papel como a palhaça Tonha em O Palhaço (2011). Apesar de se destacar nas comédias Loucas pra Casar (2015) e Tô Ryca (2016), e no infantil D.P.A. 2 - O Mistério Italiano (2018), seu primeiro papel protagonista foi Lucicreide Vai pra Marte (2021), seguidos dos papéis principais em Uma Pitada de Sorte (2022) e De Repente, Miss (2024).
Nascida em 30 de outubro de 1975 em Recife, capital de Pernambuco, Fabiana Karla Sousa Simões é filha de um auditor fiscal e de uma professora. Sua vocação artística foi percebida ainda na infância, quando seu avô, Antônio Martins, já a via como uma futura artista. Ela costumava brincar na venda do avô, onde imitava os clientes, sempre com um olhar atento e criativo, o que a diferenciava das outras crianças. Desde cedo, Fabiana sentiu uma conexão forte com a arte e o humor, que ela vê como uma forma de canalizar sua energia e criatividade. Em várias ocasiões, ela refletiu sobre como a arte foi essencial para seu desenvolvimento pessoal, ajudando-a a dar direção à sua energia e imaginação.
A carreira de Fabiana começou nos palcos amadores de Pernambuco, onde se envolveu com um projeto escolar de teatro. Ela começou no teatro religioso até se inscrever no festival de teatro amador do colégio, onde teve uma de suas maiores conquistas iniciais com o prêmio de melhor atriz no Festival Arte Viva Elo, em 1991, com a personagem Lucicreide, no qual Fabiana se destacou como uma jovem promissora no cenário teatral pernambucano. Assim começaram a surgir os convites para produções locais e ingressou no TAP, o Teatro de Amadores de Pernambuco. Entre suas primeiras experiências, ela recorda em entrevistas o tempo que passou fazendo peças infantis, a interação com o público e as lembranças do camarim improvisado ou de trocas de figurino embaixo de caminhões durante as apresentações nas ladeiras de Olinda.
2001—09: Mudança para o Rio de Janeiro e ascensão na TV Globo
Após seu promissor percurso no teatro amador de Recife, em 2001 mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de melhores oportunidades de trabalho para sua carreira. Ela conta que a mudança foi repentina e seu primeiro trabalho no Rio era buscar produções teatrais cariocas para apresentá-las na sua cidade. O início na cidade nova não foi fácil e sua pretensão era ingressar nos palcos cariocas. Ao chegar no Rio, reencontrou alguns amigos de Recife que também viajaram para buscar novas oportunidades e procurou pessoas para mostrar seu trabalho. Ela então foi convidada para um teste no programa de investigação policial Linha Direta, na TV Globo, sendo esse seu primeiro trabalho na emissora.
Em 2002, Fez uma participação especial em um episódio do seriado A Grande Família (2002). Em 2003, Fabiana teve seu primeiro personagem em telenovelas como a empregada Célia em Mulheres Apaixonadas, de Manoel Carlos. Sua personagem trabalhava para Lorena, papel de Susana Vieira, e aos poucos foi ganhando espaço na trama desenvolvendo a personalidade de fofoqueira da personagem. Em entrevista, a atriz conta que Susana Vieira incentivava o crescimento de seu espaço na tela e Manoel Carlos foi dando mais falas para ela. Fabiana e Susana desenvolveram uma amizade ao longo da obra e a veterana a ajudava em seu início de carreira, levando-a para sua casa e até presenteando seus filhos ainda pequenos.
Depois dessas experiências, Fabiana passou a entregar currículos e abordar pessoas no Projac, estúdios da TV Globo, pedindo oportunidades de trabalho para que pudesse mostrar seu talento. Em uma dessas, encontrou com o diretor Maurício Sherman, que viria a mudar sua história de vida. Sherman a convidou para o elenco do humorístico Zorra Total em 2004, onde ela ficou amplamente conhecida por suas performances e bordões populares. A atriz permaneceu no elenco estelar da atração por mais de dez anos, encerrando sua participação apenas com o fim do programa em 2015. Ao longo desses anos na atração, Karla ficou conhecida pelas personagens Lucicreide, personagem de sua autoria, Gislaine, destacando-se com o bordão "Isso pode!", Dra. Lorca e muitos outros, tornando-se referência nacional como humorista.
Concomitantemente, desenvolveu projetos paralelos ao Zorra Total. No cinema, fez sua estreia no premiado filme de fantasia A Máquina, dirigido por João Falcão em 2005, no papel de Nazaré, atuando ao lado de Paulo Autran, Mariana Ximenes e Vladimir Brichta. Em 2006, foi dirigida por Moacyr Góes na comédia Trair e Coçar É só Começar, adaptação da peça homônima de Marcos Caruso, um dos maiores sucessos de público no Brasil. No filme, que tem Adriana Esteves no papel central, ela interpretou a empregada doméstica Zefinha, uma das amigas da protagonista. Ainda nesse ano, destaca-se no filme infantil Xuxa Gêmeas, de Jorge Fernando, no papel de uma enfermeira. No teatro, protagoniza a peça Balaio de Gatos, de Marcello Caridade, uma comédia romântico onde atua ao lado de Leandro Damatta. A peça conta as confusões em que se metem dois tipos comuns ao tentarem se passar por outras pessoas.
2010—19: Reconhecimento profissional
Em 2010, teve sua grande chance no teatro estrelando a comédia dramática Gorda, de Neil LaBute. A peça narra a história de Helena, uma jovem gordinha e segura de si, que começa a enfrentar preconceito ao iniciar um relacionamento com o charmoso Tony (Michel Bercovitch). O primeiro contato de Fabiana Karla com o texto de LaBute aconteceu em Buenos Aires, cerca de um ano antes. Ela estava na fila para assistir à montagem local de Hairspray quando se deparou com o anúncio da peça Gorda, que imediatamente chamou sua atenção. A atriz ficou empolgada ao ver o cartaz da produção e até tirou uma foto ao lado dele, imitando a personagem representada na imagem. Ela logo decidiu que queria montar a peça no Brasil, mas, ao retornar ao país, descobriu que os direitos autorais já haviam sido adquiridos por outra equipe. Curiosamente, os produtores que compraram os direitos do texto pensaram em Fabiana como a atriz perfeita para o papel principal. Fabiana brincou sobre o destino que parecia estar traçado para ela, dizendo que não nasceu para interpretar Helena, personagem de Manoel Carlos, mas sim a Helena de LaBute. A direção da peça ficou a cargo do argentino Daniel Veronese, que também havia assinado a direção da montagem original, que estava em cartaz em Buenos Aires há cerca de um ano e meio.