O Northrop F-5 é uma família de caças leves supersônicos inicialmente projetados como um projeto financiado de forma privada no final da década de 1950 pela Northrop Corporation. Existem dois modelos principais: as variantes originais F-5A e F-5B Freedom Fighter, e as variantes amplamente atualizadas F-5E e F-5F Tiger II. A equipe de design criou um caça pequeno e altamente aerodinâmico em torno de dois motores General Electric J85 compactos e de alto empuxo, com foco em desempenho e baixo custo de manutenção. Menor e mais simples do que contemporâneos como o McDonnell Douglas F-4 Phantom II, o F-5 tem custo de aquisição e operação mais baixo, tornando-se uma aeronave de exportação popular. Embora tenha sido projetado principalmente para missões de superioridade aérea diurna, o avião também é uma plataforma eficaz para ataques ao solo. O F-5A entrou em serviço no início da década de 1960. Durante a Guerra Fria, mais de 800 unidades foram produzidas até 1972 para aliados dos Estados Unidos. Apesar de a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) não precisar de um caça leve na época, ela adquiriu aproximadamente 1.200 aeronaves de treinamento Northrop T-38 Talon, baseadas no projeto do caça N-156 da Northrop.
Após vencer a Competição Internacional de Caças, um programa voltado a fornecer caças eficazes e de baixo custo para aliados dos Estados Unidos, a Northrop introduziu em 1972 o F-5E Tiger II de segunda geração. Essa atualização incluiu motores mais potentes, maior capacidade de combustível, maior área de asa e melhorias nas extensões das bordas de ataque para melhor manobrabilidade, reabastecimento em voo opcional e aviônicos aprimorados, incluindo radar ar-ar. Utilizado principalmente por aliados americanos, ele continua em serviço nos EUA para apoiar exercícios de treinamento. O modelo serviu em uma ampla variedade de funções, sendo capaz de realizar tanto missões aéreas quanto ataques ao solo; o tipo foi usado extensivamente na Guerra do Vietnã. Um total de 1.400 unidades do Tiger II foram construídas antes do fim da produção em 1987. Mais de 3.800 F-5s e aeronaves de treinamento avançado T-38, intimamente relacionadas, foram produzidos em Hawthorne, Califórnia. As variantes F-5N/F estão em serviço com a Marinha dos Estados Unidos e o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos como aeronaves de treinamento adversário. Mais de 400 aeronaves estavam em serviço em 2021.
O F-5 também foi desenvolvido em uma aeronave de reconhecimento dedicada, o RF-5 Tigereye. O F-5 também serviu como ponto de partida para uma série de estudos de design que resultaram no Northrop YF-17 e no caça naval F/A-18. O Northrop F-20 Tigershark foi uma variante avançada que deveria suceder o F-5E, mas acabou cancelada por falta de compradores no mercado internacional.
O desenvolvimento do F-5 começou em 1954, quando uma equipe da Northrop excursionou pelos menores países da OTAN e da SEATO para examinar as necessidades de defesa desses países. Dos estudos resultantes dessas visitas, a companhia identificou uma nítida necessidade de um aparelho multifuncional de baixo custo, que materializou-se como o caça leve N-156F. A USAF não se interessou inicialmente pela proposta, já que não precisava de um caça leve. No entanto, precisava sim de um novo treinador para substituir o Lockheed T-33 e, em junho de 1956, a USAF anunciou que iria adquirir a versão de treinamento T-38 Talon, que entrou em serviço em março de 1961.
A Northrop decidiu seguir com o programa do F-5 como um projeto privado, em julho de 1959, o avião realizava seu primeiro voo. Três anos após o Departamento de Defesa escolheu o F-5 para o Military Assistance Program (MAP). Aliados dos Estados Unidos que procuravam um caça de custo módico começaram a ser atraídos pelo pequeno e ágil avião.
Em 25 de abril de 1962, o Departamento de Defesa Americano anunciou que o N-156F havia sido escolhido para o Programa de Assistência Militar (MAP). Os aliados dos americanos na OTAN e SEATO poderiam agora adquirir um avião supersônico de qualidade com preços razoáveis.
Em 9 de agosto de 1962 foi dada à aeronave a designação oficial de F-5A Freedom Fighter. Otimizado para missões de ataque ao solo, o F-5A tinha apenas uma limitada capacidade ar-ar e não era equipado com um radar de controle de fogo (FCR). O F-5B era a versão biplace do modelo "A", para missões de treinamento e ataque. Apesar de todos os F-5A de produção terem sido designado para o MAP, em outubro de 1965 a USAF "pegou emprestado" 12 F-5A dos estoques do MAP e os mandou para o Vietnã com a 4503º Ala de Caças Táticos (4503º TFW) para testes operacionais. Foi dado ao programa o nome código Skoshi Tiger ("Pequeno" Tigre), e foi durante essas operações que o F-5 foi apelidado de Tiger (Tigre).[carece de fontes?]
Com o início da guerra do Vietnã, as perdas do F-4 Phantom foram muito superiores ao esperado. Nisso, a USAF encomendou 200 F-5A. Embora fosse o mais leve, menos sofisticado e quase sem armamento, suas baixas eram menores que a dos outros aviões em uso ( F-4 Phantom e o F-105 Thunderchief), pois era menos atingido uma vez que sua manobrabilidade permitia escapar ao fogo antiaéreo.[carece de fontes?]
A USAF necessitava adicionar algumas capacidades ao F-5A para lhe dar mais capacidade de combate aéreo, em especial para enfrentar o MiG-21 soviético, que era enviado em grandes quantidades aos aliados de Moscou. Em Novembro de 1970, a Northrop apresentou um desenho à USAF, que permitiria realizar missões de superioridade aérea e enfrentar os MiG-21. Uma versão avançada do F-5, que seria conhecido como F-5E Tiger II. Uma encomenda de 325 aviões foi colocada, e os primeiros foram entregues em 1972. Mas só foram aceitos em serviço em 1973, e a versão biplace, F-5F, só surgiu em 1975.[carece de fontes?]
O F-5BR é uma grande modernização brasileira, onde o caça foi totalmente reconstruído. Com essa modernização, seu tempo de ação foi aumentado em 20 anos.[carece de fontes?]
Grandes encomendas para a Força Aérea do Vietnã se seguiram. A produção por outras empresas também, tais como Canadair (Canadá), CASA (Espanha), FFA (Suíça), Hanjin (Coreia do Sul) e AIDC (Taiwan).
Fácil de voar e pilotar, com baixo custo de aquisição, operação e manutenção, aliados à sua performance excepcional, fizeram do F-5 um novo padrão de referência. Além disso, possuía peças de reposição acessíveis e de fácil aquisição. Quando todo o resto falhava, o F-5 estava disponível. Quando da Guerra Irã-Iraque (entre 1980 e 1988), os F-14 iranianos, sem peças de reposição e pilotos treinados, eram usados como radares aéreos, para iluminar alvos aos F-5, únicos caças que permaneciam operacionais.
De todos os projetos realizados pela Northrop, o F-5 foi o avião menos destacado, e é certamente o que obteve maior êxito mundial, comparado aos fiascos posteriores.[carece de fontes?] A empresa Northrop Grumman fabrica até hoje peças estruturais e componentes para o avião, facilitando a manutenção dos aviões. Vários programas de modernização dos F-5E/F têm sido desenvolvidos no mundo, como o F5 Tiger III da Força Aérea Chilena. A modernização dos painéis é fundamental nos tempos atuais. Aviões de ponta como o norte-americano F/A-18 Super Hornet e o francês Dassault Rafale possuem painéis eletrônicos de última geração, no qual o piloto pode utilizar comandos vocais para maior facilidade e maior interação.
A USAF opera os T-38 como treinador avançado. Mais de 68 mil pilotos da Força Aérea Americana treinaram no lendário T-38, o primeiro treinador supersônico do mundo. Pilotos da OTAN também treinam nos T-38 dos Estados Unidos. A NASA também realiza treino de seus astronautas no T-38.
No Brasil, a história do F-5 iniciou na prática em março de 1975, porém, esteve cotado para equipar a FAB desde 1965, em sua versão F-5A/B. Em 1967, foi novamente cogitado, desta vez como vetor do projeto SISDACTA. A preferência era para o F-4 Phantom, mas este foi vetado pelos americanos, que em contrapartida ofereceram o F-5C (versão proposta pela Northrop com melhorias baseadas no relatório de avaliação feito no Vietnã). O impasse norte-americano favoreceu os franceses, tendo a FAB adquirido 16 Dassault Mirage III. Numa nova disputa internacional, realizada a partir de 1971 para substituir os AT-33A, na qual participaram o Fiat G-91, MB-326K, Harrier Mk-50, Jaguar GR1 e A-4F, saiu vencedor o caça da Northrop, agora em sua versão F-5E. Começava a longa história de sucesso do Tiger II na FAB, que continua até hoje e ainda deve durar até 2029.