Uma explosão é um processo físico-químico caracterizado por um súbito aumento de volume e grande liberação de energia, geralmente acompanhado por altas temperaturas, rápida produção de gases e forte estrondo acústico. O fenômeno provoca o deslocamento violento do ar ao redor, criando frentes de pressão. As explosões são classificadas cientificamente com base na velocidade de propagação dessa onda no material: caso a onda de combustão seja subsônica, denomina-se deflagração; caso a onda alcance velocidades supersônicas, formando uma verdadeira onda de choque, denomina-se detonação.
Os explosivos de uso comercial, militar e industrial mais comuns são os explosivos químicos, substâncias que sofrem violentas reações de oxirredução exotérmicas, resultando em gases sob altíssima pressão.
O termo tem origem na Roma Antiga, onde o substantivo explosio, -onis era utilizado para designar o ato de expulsar ruidosamente uma pessoa (derivado do verbo explodere). O orador Cícero utilizava este verbo com o sentido de recharçar ou desaprovar algo com alarde. A palavra é formada pelo prefixo ex- (para fora) e o verbo plaudere (aplaudir, bater, golpear). A união expressa a ideia de "golpear para fora".
Com o tempo e o desenvolvimento da química, o termo foi adaptado para a física e a balística, e a partir do século XIX a palavra "explosivo" passou a designar especificamente os artefatos e compostos químicos que geram esse efeito.
O processo de uma explosão química inicia-se quando um estímulo externo (que pode ser calor, fricção, impacto ou eletricidade) aplica energia de ativação ao material explosivo. Esse estímulo causa a quebra das ligações das moléculas instáveis, gerando uma reação de decomposição exotérmica. A energia liberada por essa primeira quebra propaga-se rapidamente para as moléculas adjacentes, criando uma violenta reação em cadeia.
A fronteira dessa propagação no interior do material é chamada de onda explosiva. Sua velocidade é característica de cada substância, mas pode variar de acordo com fatores como densidade, confinamento e a força do estímulo inicial.
Ao atingir a superfície do explosivo, essa imensa quantidade de energia, combinada com os gases recém-formados em alta temperatura, é liberada para o meio ambiente. Isso cria uma onda de expansão radial e centrífuga (que se torna uma onda de choque destrutiva em casos de detonações) que varre o meio envolvente, perdendo velocidade e intensidade à medida que se afasta do epicentro.
A energia liberada por um artefato explosivo atinge o meio ao redor de três maneiras principais:
Efeitos fisiológicos: Danos diretos ou indiretos causados a organismos vivos. O brusco diferencial de pressão pode causar o rompimento de tímpanos, colapso pulmonar (barotrauma) e concussões, além dos danos secundários causados pelo impacto de estilhaços.
Efeitos térmicos: Resultam do flash de altíssima temperatura no epicentro da reação exotérmica, capaz de incinerar materiais inflamáveis e causar queimaduras severas instantaneamente.
Efeitos mecânicos (Brisância): Traduzem-se no impacto físico da onda de choque e na rápida expansão dos gases. É o efeito responsável por estilhaçar superfícies, colapsar estruturas, criar crateras no solo e deslocar massas de forma violenta.
Outro fenômeno correlato é a explosão por simpatia, que ocorre quando a detonação de uma carga primária gera uma onda de choque de magnitude suficiente para iniciar a detonação de um explosivo secundário próximo, mesmo sem haver contato físico, ignição ou pavio entre eles.
A física dos explosivos diferencia rigidamente as explosões com base na dinâmica de sua onda de combustão:
Deflagração: Ocorre quando a velocidade de propagação da onda no interior do material é subsônica (geralmente na ordem de metros ou algumas centenas de metros por segundo). A propagação térmica toma toda a superfície do explosivo e o consome em direção ao interior. Exemplos incluem a queima da pólvora negra ao ar livre.
Detonação: Ocorre quando a velocidade da onda explosiva é supersônica (atingindo de 1.500 a mais de 9.000 metros por segundo). Ao invés de uma mera queima térmica, a detonação é sustentada por uma zona de alta pressão que esmaga o material longitudinalmente, quebrando suas moléculas por puro impacto físico. Exemplos incluem explosivos de alto rendimento, como o TNT ou o C-4.
O Efeito Munroe-Neumann (frequentemente referido apenas como Efeito Munroe) descreve a focalização e a intensificação da energia de uma onda de choque em uma direção específica devido à geometria da carga explosiva.
Quando um bloco de explosivo possui uma cavidade vazia (geralmente em formato cônico ou em V) voltada para o alvo, a detonação não se dispersa de forma perfeitamente radial. Em vez disso, a onda de choque e os gases colapsam sobre a cavidade, unindo-se para formar um jato superplástico hiperveloz e de altíssima pressão. Esse jato é capaz de perfurar couraças de aço e escavar rochas de forma muito mais profunda do que uma carga sólida regular. Esse é o princípio físico que fundamenta as munições de carga oca empregadas em engenharia de minas e armamentos antitanque (como as ogivas de bazucas e sistemas RPG-7).