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Eurotúnel

Túnel ferroviário

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O Eurotúnel (em inglês: Channel Tunnel; em francês: Tunnel sous la Manche) é um túnel ferroviário de 50,45 quilômetros de extensão que liga Folkestone, Kent, no Reino Unido, com Coquelles, em Pas-de-Calais, perto de Calais, no norte da França, sob o Canal da Mancha no Estreito de Dover. No seu ponto mais baixo, atinge 75 metros de profundidade.

Com um trecho submerso de 37,9 km, o túnel tem a parte submarina mais longa do que a de qualquer outro túnel do mundo, embora o Túnel Seikan, no Japão, seja mais longo (53,85 km) e mais profundo (240 metros). O recordista mundial, porém, continua sendo o Túnel de São Gotardo, com um comprimento de 57 km e 153,5 km de túneis, poços e demais passagens, em operação desde final de 2016. O túnel leva os trens de passageiros Eurostar, de alta velocidade, o veículo de transporte de cargas roll-on/roll-off Eurotunnel Shuttle, o maior do mundo, e trens de transporte ferroviário internacional.

As primeiras ideias de uma ligação fixa através do canal apareceram em 1802, mas a pressão da política e da imprensa britânicas sobre a questão da segurança nacional paralisou as tentativas de construção de um túnel. O eventual sucesso do projeto, organizado pela Eurotunnel, começou com construção em 1988 e com a inauguração, em maio de 1994. Com o custo de 4,650 bilhões de libras esterlinas, o projeto superou em 80% o orçamento previsto inicialmente. Desde a sua construção, o túnel tem enfrentado vários problemas.

Incêndios e tempo frio já chegaram a interromper a operação do túnel. Os imigrantes ilegais e requerentes de asilo têm tentado usar o túnel para entrar no Reino Unido, havendo, inclusive registro de mortes nessas travessias.

Uma ligação entre a França e a Inglaterra já havia sido proposta em diversas ocasiões:

Em 1802, o engenheiro francês Albert Mathieu Favier fez uma proposta para a construção de um túnel: os passageiros atravessariam o túnel em carruagens puxadas por cavalos; o caminho seria iluminado por lanternas de óleo e uma ilha a meio do túnel forneceria ar fresco para os cavalos. O custo, mesmo nessa altura, seria de um milhão de libras;

Em 1866, o engenheiro inglês Henry Marc Brunel estudou o fundo do estreito de Dover. Seus resultados provaram que o fundo ainda era formado por giz e, portanto, a viabilidade de um túnel subterrâneo. Para esta pesquisa, ele inventou o "corer de gravidade" (gravity corer), que ainda é usado em geologia.

Em 1875, Peter Barlow, construtor do primeiro caminho de ferro subterrâneo, sugeriu que se colocasse um tubo de aço gigantesco flutuando sobre o canal. A ideia foi rejeitada;

Em 1876 são levados a cabo extensos estudos geológicos;

Em 1880 a companhia South Eastern Railway faz perfurações experimentais do lado inglês;

Em 1881 uma máquina de perfurações Beaumont escava um túnel de 820 metros ao longo dos penhascos do lado inglês;

Em 1922 começam novamente escavações do lado inglês, mas após estarem feitos 128 metros de túnel, foram lançadas objeções políticas e as obras pararam mais uma vez.

Foi só após o fim da Segunda Guerra Mundial que os técnicos acreditaram que o conhecimento tecnológico existente era o suficiente para a construção do túnel e começaram a dar-lhe a devida atenção.

Em 1957, foi formado o Grupo de Estudo para o Túnel do Canal (Channel Tunnel Study Group). No seu relatório, publicado em 1960, recomendava-se a construção de dois túneis ferroviários principais e um de serviço, menor. O projeto foi iniciado em 1973, mas, devido a problemas de financiamento, foi interrompido em 1975 quando já estavam construídos 250 metros de um túnel de teste.

Em 1984, a ideia foi relançada com uma proposta conjunta dos governos britânico e francês para a construção do túnel com fundos privados. Das quatro propostas apresentadas, foi escolhida a que mais se assemelhava ao anterior projeto de 1973 e foi anunciada ao público em 20 de janeiro de 1986. Em 12 de Fevereiro de 1986, os governos dos dois países assinaram em Canterbury, o Fixed Link Treaty que foi ratificado em 1987.

O percurso planejado ligava Calais, na França, a Folkestone, na Inglaterra. Na maior parte do seu percurso, o túnel encontra-se a 40 metros abaixo do fundo do mar, sendo a seção sul mais funda do que a secção norte.

A escavação do túnel, que demorou sete anos e empregou 15 000 trabalhadores, englobava 15 empresas e 5 bancos de ambos os países. Foram usadas grandes máquinas, tunnel boring machine (TBM). Estas máquinas eram autênticas fábricas móveis que abriam o túnel, retiravam a terra e escoravam as paredes com concreto. Quase 4 milhões de metros cúbicos de cal foram escavados só do lado inglês; a maior parte foi deitada ao mar em Shakespeare Cliff, perto de Folkestone tendo com isso, roubado ao mar cerca de 360 000 m².

O Túnel da Mancha é constituído por 3 túneis paralelos, dois principais ferroviários e um menor, de acesso. Este túnel de acesso, que é servido por veículos pequenos, é ligado aos outros através de passagens transversais em intervalos regulares para permitir que os trabalhadores da manutenção tenham acesso aos túneis principais e para fornecer uma saída de emergência em caso de acidente.

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Eurotúnel | World in Stories