Euronymous, pseudônimo de Øystein Aarseth (22 de março de 1968 – Oslo, 10 de agosto de 1993), foi um guitarrista norueguês que atuou principalmente na banda Mayhem. Ele foi pioneiro no heavy metal nórdico e formador da cena do black metal norueguês, além de ter sido dono da gravadora Deathlike Silence e da loja de discos chamada Helvete.
Após uma briga por motivos que geram debate até hoje, ele acabou sendo assassinado em agosto de 1993 por Varg Vikernes, outro músico do gênero, da banda Burzum.
Devido a sua importância para o metal extremo e estilo de tocar inovador, Euronymous foi eleito pela revista especializada Guitar World como o 51º maior guitarrista de heavy metal de todos os tempos, à frente de nomes como Steve Vai e Pete Townshend.
Fenriz já afirmou que Øystein foi o criador do típico riff comumente usado por bandas de black metal. Durante uma entrevista ao documentário norte-americano Until The Light Takes Us (lançado em 2009) ele explicou: "Euronymous inventou o típico riff de Black Metal norueguês. Deriva em parte do Bathory, mas era uma nova forma de tocar um riff que não havia realmente sido feita e estilizada por ninguém antes. Foi o que Euronymous fez. Você tem um acorde. Você não toca um a um, você toca um a um e em cima e embaixo e as notas soam juntas para que você tenha todas essas notas estranhas soando ao mesmo tempo, criando esse incrível som estranho que dá um baita arrepio na espinha".
Embora tenha sido assassinado por Varg Vikernes por desavenças pessoais, o próprio líder do Burzum reconhecia o talento musical de Euronymous. Durante o período de gravação do CD De Mysteriis Dom Sathanas em que foi baixista do Mayhem, Varg afirmava que Euronymous era um "gênio musical" e sempre fazia a maior parte das músicas da banda.
Euronymous formou o Mayhem em 1984 juntamente com o baixista Necrobutcher e o baterista Manheim. Nessa época ele usava o nome de "Destructor", mudando posteriormente para Euronymous, que deriva do demônio Eurynomos.
No verão de 1986, Euronymous, Necrobutcher e Jon 'Metalion' Kristiansen visitaram a banda de thrash metal alemã Assassin e gravaram a demo Metalion in the Park sob o nome Checker Patrol. Metalion contribuiu com backing vocals para a faixa título Metalion in the Park.
Em 1988, Per "Dead" Ohlin tornou-se vocalista do Mayhem e Jan Axel 'Hellhammer' Blomberg tornou-se o baterista. Em 1990, os membros do Mayhem passaram a morar em uma casa numa floresta próxima a Kråkstad, a qual era usada para os ensaios da banda. O baixista Necrobutcher disse que, após viverem juntos por um período, Dead e Euronymous "se estressavam muito um com o outro" e "não eram amigos de verdade na época". Hellhammer recorda que uma vez Dead foi dormir na floresta porque Euronymous estava tocando música sintetizada que Dead odiava. Euronymous, então, saiu da casa e começou a atirar no ar com uma espingarda. Varg Vikernes afirma que Dead chegou a esfaquear Euronymous, certa vez.
Em 8 de Abril de 1991, o vocalista Dead cometeu suicídio na casa da banda. Dead foi encontrado por Euronymous, que viu-o com seus pulsos e pescoço cortados e com um ferimento de espingarda na cabeça. Antes de chamar a polícia, ele entrou em uma loja e comprou uma câmera descartável com a qual fotografou o corpo, após rearranjar alguns itens. Uma dessas fotografias seria usada como capa do bootleg ao vivo chamado Dawn of the Black Hearts. Necrobutcher recorda-se de como Euronymous contou a ele sobre o suicídio:
Øystein me chamou no dia seguinte... e disse: "Dead fez algo realmente legal! Ele se matou". Eu pensei, "você perdeu o juízo? Como assim fez algo legal?". Ele disse: "Relaxa, eu tirei fotos de tudo". Eu estava em choque e aflito. Ele estava somente pensando em como explorar isto. Então eu disse a ele: "OK. Nunca mais me chame antes de destruir estas fotos".
Euronymous usou o suicídio de Dead para gerar uma imagem "maligna" para o Mayhem e declarar que Dead se matou porque o black metal havia tornado-se muito "modinha" e comercial. Na época, surgiram boatos de que Euronymous teria feito um ensopado com pedações do cérebro de Dead e tinha feito colares com pedaços de seu crânio. Posteriormente a banda negou o primeiro boato, mas confirmaram que o segundo era verdade um tempo depois. Além disso, Euronymous afirmara que tinha dado estes colares a músicos que ele julgava dignos, o que foi confirmado por inúmeros membros da cena, como Bård 'Faust' Eithun e Metalion.
O baixista Necrobutcher especulou que pegar as fotografias e forçar os outros a verem era uma maneira de Euronymous lidar com o impacto de ver seu amigo morto. Ele alegou que Euronymous "entrou num mundo de fantasia". Necrobutcher também notou que "as pessoas começaram a ficar mais cientes da cena do black metal após Dead se matar... Eu acho que foi o suicídio dele que realmente mudou a cena". O baterista Faust do Emperor acredita que foi o suicídio de Dead "marcou o ponto no qual, sob a direção de Euronymous, o black metal iniciou sua obsessão com toda aquela coisa satânica e obscura". Kjetil Manheim afirma que, após o suicídio, Euronymous "tentou ser tão extremo quanto ele falava". As ações de Euronymous causaram um atrito entre ele e alguns de seus amigos, os quais reprovaram sua atitude correlativas à morte de Dead antes e depois do ocorrido. Necrobutcher terminou sua amizade com Euronymous em tal ponto. Desse modo, o Mayhem havia ficado apenas com dois membros: Euronymous na guitarra e Hellhammer na bateria. Stian 'Occultus' Johannsen foi recrutado como novo baixista e vocalista. Entretanto, ele permaneceu pouco tempo no grupo: ele saiu da banda após recebeu uma ameaça de morte vinda de Euronymous.
Entre maio/junho de 1991, Euronymous abriu uma loja de discos chamada Helvete (norueguês para "inferno"). A loja ficava no número 56 em Schweigaards, Oslo. Os músicos do black metal norueguês frequentemente se reuniam na loja e no porão dela, tais como membros do Mayhem, Darkthrone, Enslaved, Emperor, Burzum, e Thorns. Segundo Fenriz, o grupo que frequentava a Helvete "não passava de 15 pessoas ou algo do gênero".
Euronymous também formou uma gravadora independente chamada Deathlike Silence Productions (nome baseado em uma música do Sodom do CD Obsessed by Cruelty), que tinha como base a Helvete. Foram lançados por ela álbuns das bandas norueguesas Mayhem e Burzum, e das suecas Merciless e Abruptum.
Euronymous, Varg, e o guitarrista do Emperor, Tomas 'Samoth' Haugen, viveram na Helvete em diversos momentos. O baterista do Emperor, Bård 'Faust' Eithun, também morou e trabalhou ali. Além disso, o guitarrista Tore Bratseth da banda norueguesa Old Funeral já dormiu uma vez na loja. As paredes da empresa eram pintadas de preto e ornamentadas com armas medievais, pôsteres de bandas, e vinis coloridos, enquanto a janela era realçada com poliestireno de jazigo.
De acordo com Stian 'Occultus' Johannsen, o espaço que Euronymous alugou "era muito grande e o aluguel era bem caro". Essa é a razão pela qual não deu tão certo. Apenas uma pequena parte da construção foi usada como loja propriamente dita. Euronymous fecharia a Helvete no início de 1993 quando ela começou a chamar a atenção da polícia e da mídia. Mesmo assim, durante o tempo em que esteve aberta veio a ser o ponto principal do cenário do black metal norueguês. Daniel Ekeroth escreveu em 2008:Dentro de poucos meses [da abertura da Helvete], muitos músicos jovens ficaram obcecados com Euronymous e suas ideias, e logo um monte de bandas de death metal norueguesas transformaram-se em bandas de black metal: o Amputation tornou-se Immortal; o Thou Shalt Suffer tornou-se Emperor; e o Darkthrone trocou o seu death metal "sueco" por um black metal primitivo. Mais notoriamente, o guitarrista Varg Vikernes do Old Funeral havia saído do grupo para dar origem à sua própria criação, o Burzum.Ao livro "Black Metal - Evolution of The Cult", o vocalista Garm da banda Ulver recorda: "A loja era um ponto de encontro social para as pessoas e um lugar para pegar álbuns e ter algumas ideias. Você não pode realmente subestimar a influência da Helvete e Euronymous nos dias de formação do Black Metal na Noruega". No referido livro também é mencionado que a loja é creditada como um dos fenômenos que ajudou a banda norueguesa Mysticum ser introduzida ao Black Metal.