Neste Dia

Eurico Miranda

Dirigente esportivo e político brasileiro

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Eurico Ângelo de Oliveira Miranda (Rio de Janeiro, 7 de junho de 1944 – Rio de Janeiro, 12 de março de 2019) foi um político, fisioterapeuta, jurista e cartola esportivo brasileiro. Foi o mais conhecido e emblemático dirigente da história do Club de Regatas Vasco da Gama, exercendo o mandato de presidente por duas vezes, de janeiro de 2001 a junho de 2008, e de dezembro de 2014 a janeiro de 2018. Também ocupou os cargos de diretor de futebol e vice-presidente de futebol do Vasco entre 1986 e 2000, tendo participado diretamente de um dos períodos mais vitoriosos da história do clube. Além disso, foi diretor de futebol da CBF em 1989. Entre as principais conquistas de sua carreira, estão o Campeonato Brasileiro de 1989, a Copa América de 1989, o Campeonato Brasileiro de 1997, a Libertadores de 1998, o Campeonato Brasileiro de 2000 e a Copa Mercosul de 2000.

Eurico Miranda era filho de portugueses, Álvaro e Alexandra, naturais do concelho de Arouca, concelho da Grande Área Metropolitana do Porto, que, na década de 1930, emigraram para o Brasil, fugindo do regime de António Salazar.

Criado na zona sul do Rio de Janeiro, estudou no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, um colégio jesuíta frequentado por boa parte da elite carioca. Acabou por ser convidado a se retirar do colégio por causa de brigas e por sempre ir com a camisa do Vasco por cima do uniforme, o que não era permitido.

Passou no vestibular para Fisioterapia. Eurico formou-se em fisioterapia e chegou a exercer a profissão antes de decidir ingressar na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Foi casado com Sylvia Miranda, com quem teve quatro filhos: Mário Angelo Brandão de Oliveira Miranda, Eurico Angelo Brandão de Oliveira Miranda (conhecido como Euriquinho), Álvaro Brandão de Oliveira Miranda e Sylvia Alexandra Brandão Miranda Salviano Gomes.

Eurico afirmava que o seu charuto era uma forma de demonstrar poder.

Foi durante o curso de direito que Eurico, então com 23 anos, ingressou nas atividades administrativas do Club de Regatas Vasco da Gama, sendo Diretor de Cadastro em 1967.

Em 1969, o presidente do Vasco da Gama era Reinaldo de Matos Reis, que não agradava à maioria dos conselheiros, mas que era defendido por Eurico, então já vice-presidente de Patrimônio. Foi realizada uma reunião na sede náutica do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas, para decidir a cassação do seu mandato. Porém houve uma falha de energia e a reunião foi então adiada. No dia seguinte, o jornal O Globo publicou uma fotografia que mostrava uma mão desligando o quadro de energia. O título da reportagem era: "A mão de Eurico". Eurico entrava assim, de forma polêmica, para a política ativa do clube.

Apesar do episódio, Reinaldo de Matos Reis acabou por perder a presidência. Assumiu Agathyrno da Silva Gomes, então vice-presidente, em mandato interino até o fim de 1970. Eurico mais tarde passou a participar da administração de Agarthyno, apoiando-o. Porém em 1976 passou para a oposição do clube e apoiou a candidatura de Medrado Dias. O seu candidato acabou perdendo as eleições. Nesta época, Eurico ainda mantinha um escritório de advocacia, mas cada vez mais se dedicava à política do clube.

Em 1979, foi formada a chapa União Vascaína, que contava com Olavo Monteiro de Carvalho, Pedro Valente, Alberto Pires Ribeiro, Amadeo Pinto da Rocha e Antônio Soares Calçada, para além de Eurico Miranda. O grupo foi batizado de "Seis Homens de Ouro" e tinha como objetivo assumir a presidência do clube, há 10 anos entregue a Agarthyno. O objetivo foi alcançado e em 1980 Alberto Pires Ribeiro tornou-se o 40º presidente da história do clube e Eurico passou a ser o seu assessor especial e foi nomeado representante do clube na FERJ.

A participação de Eurico na volta de Roberto Dinamite (1980)

Antes do início da temporada de 1980, o ídolo vascaíno foi vendido para o Barcelona da Espanha, apesar da discordância de Eurico Miranda, então assessor especial da presidência. O dirigente fez de tudo para que Roberto Dinamite não fosse e tinha especial cuidado em transmitir para os espanhóis cada exigência de Jurema, mulher do artilheiro, torcendo por uma contestação para melar negócio. Tudo, no entanto, foi aceito e Roberto partiu para a Europa. A passagem do artilheiro por lá, entretanto, foi prejudicada pela saída do treinador que o havia indicado, o húngaro László Kubala, e a pouca disposição de seu substituto Helenio Herrera, em aproveitá-lo no elenco. Sabedor das dificuldades pelas quais goleador passara no Velho Mundo, o Flamengo partiu para a sua contratação. Roberto firmou um pré-contrato com o rubro-negro.

A notícia surgiu como uma bomba na imprensa carioca. Dirigentes do Vasco haviam dito ao clube espanhol que, entre ter Roberto de volta e receber as parcelas restantes do valor acertado na venda, preferiam a segunda hipótese. Nesse momento, Roberto negociava com o Flamengo e a mídia já tratava como praticamente certa sua ida ao rubro-negro. Dinamite deu uma entrevista afirmando que seria um prazer jogar ao lado de Zico. Eurico Miranda não se conformou. Articulou-se internamente para convencer a parcela da diretoria que não via com bons olhos o retorno do atleta, e, autorizado pelo presidente do clube, Alberto Pires Ribeiro, o dirigente voou Espanha com duas missões: desfazer o negócio do artilheiro com o Flamengo e trazer de volta para casa o ídolo da massa vascaína. Chegando à Europa, enfrentou o empresário responsável pela intermediação do negócio com o Fla. Ignorando qualquer acerto do jogador, afirmou que, para voltar ao Brasil, o destino de Roberto só poderia ser o Vasco. No papo com o ídolo, as coisas se acertaram mais facilmente. O dirigente levou à Espanha uma camisa do Vasco, entregou-a ao artilheiro e tratou da parte financeira com Jurema. Organizou em seguida toda a logística necessária com vistas ao retorno Dinamite. O Vasco conseguiu, a tempo, a inscrição de Roberto no Campeonato Brasileiro.

Isso deu a Eurico mais poder político e nas eleições para presidência para o triênio 1983-1986, Eurico separou-se dos "Seis Homens de Ouro" e concorreu contra outro membro do grupo, Antônio Soares Calçada. Porém, perdeu as eleições. Três anos mais tarde voltou a concorrer, e perde novamente para Calçada.

Em 1986, Antônio Soares Calçada, na intenção de apaziguar o clube, decidiu convidar Eurico Miranda - opositor até então - para assumir o cargo de vice-presidente de futebol. Eurico aceita o convite, porém exige que tenha total autonomia na gestão do departamento, sem interferência externa. Calçada aceita, e Eurico passa a ser o responsável por gerir o futebol do Vasco da Gama.

Logo no ano seguinte, em 1987, o Vasco conquista o Campeonato Carioca em cima do Flamengo, após 5 anos de jejum. Em 1988, consegue o Bicampeonato Carioca, algo que não acontecia desde os anos 1950, novamente vencendo o Flamengo na final. Essa partida ficou marcada pelo gol do jogador Cocada, marcado no fim do jogo. Em 1989, o Vasco volta a vencer o Campeonato Brasileiro após 15 anos, vencendo o São Paulo no Morumbi por 1 a 0, com um gol de Sorato. Esse ano também ficou marcado pela participação da dupla Eurico e Calçada na transferência do atacante Bebeto, do Flamengo, para o Vasco. Muitos consideram esta uma das maiores contratações da história do futebol brasileiro. Também em 1989, Eurico tornou-se diretor de futebol da Seleção Brasileira e conquistou a Copa América, título que tirou o Brasil de um jejum de quarenta anos sem conquistar o mesmo. Em certo momento, a CBF exigiu que Eurico deixasse o Vasco da Gama para continuar como diretor de futebol da seleção. O dirigente, entretanto, optou continuar no Vasco, e deixou a Seleção Brasileira.

Em 1990, Vasco da Gama e Atlético Nacional, da Colômbia, se enfrentaram pelas quartas de final da Taça Libertadores. O primeiro jogo foi um 0x0 no Maracanã. No jogo de volta, o Atlético Nacional venceu por 2 a 0. Essa partida, ocorrida na Colômbia, no entanto, ficou marcada por ameaças, suborno à equipe de arbitragem. O time colombiano, supostamente, era financiado pelo Cartel de Medellín, que tinha como líder Pablo Escobar. Eurico levou o caso a CONMEBOL e conseguiu a anulação da partida. O julgamento demorou mais de um dia para ter seu veredito. Além da suspensão do resultado, o dirigente vascaíno conseguiu remarcar o jogo para um território neutro. Vasco e Nacional voltariam a se enfrentar em 13 de setembro, desta vez no estádio Santa Laura, no Chile. Apesar disso, o Vasco perdeu novamente, dessa vez por 1 a 0, e deixou a competição.

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