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Eugénia de Montijo

Eugénia de Montijo (nome completo em castelhano: María Eugenia Ignacia Agustina de Palafox y Kirkpatrick; Granada, 5 de

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Eugénia de Montijo (nome completo em castelhano: María Eugenia Ignacia Agustina de Palafox y Kirkpatrick; Granada, 5 de maio de 1826 – Madrid, 11 de julho de 1920) foi a esposa do Imperador Napoleão III e Imperatriz Consorte dos Franceses de 1853 até a abolição da monarquia em 1870. Ela também foi a chefe de Estado "de facto" da França entre 28 de julho e 4 de setembro de 1870, sendo considerada a última mulher a fazê-lo.

Nascida em uma família da nobreza espanhola, Eugénia foi educada na França, Espanha e Inglaterra. Como imperatriz, usou sua influência para defender políticas autoritárias e clericalistas. Seu envolvimento na política lhe rendeu muitas críticas de seus contemporâneos. Napoleão e Eugénia tiveram um filho, Napoleão Eugénio, Príncipe Imperial. Graças à sua beleza e elegância, Eugénia contribuiu de modo significativo para a construção da imagem pública e do prestígio do regime imperial. Seu interesse pela vida da rainha Maria Antonieta favoreceu a difusão da moda neoclássica, um estilo amplamente apreciado durante o reinado de Luís XVI. Após a queda do Império, a família imperial se exilou na Inglaterra. Eugénia sobreviveu ao marido e ao filho e passou o resto da vida dedicando-se a preservar a memória deles e a do Segundo Império Francês.

Nascida em Granada, Espanha, em 5 de maio de 1826, ao meio-dia, na rua Grazia, María Eugenia Ignacia Agustina de Palafox y Kirkpatrick era filha de Dom Cipriano de Palafox y Portocarrero, conde de Montijo e Teba, e de Dona María Manuela Kirkpatrick de Closeburn y de Grévignée. Ela tinha uma irmã mais velha, María Francisca, conhecida pelo apelido de Paca e matriarca da Casa de Alba.

Pressentindo o início das Guerras Carlistas, sua mãe enviou as duas filhas para a França em 1834, onde Eugénia foi educada em Paris, na escola do convento do Sacré-Coeur, instituição na qual recebeu a formação tradicional destinada à aristocracia católica da época. Em 1837, Eugénia e Paca frequentaram brevemente um internato para meninas na Royal York Crescent, em Bristol, Inglaterra, com o objetivo de aprender inglês. Eugénia era apelidada de "Cenouras" devido aos seus cabelos "castanho-ticiano" e chegou a tentar fugir para a Índia, tendo inclusive embarcado em um navio nos cais de Bristol. Em agosto de 1837, ambas retomaram seus estudos em Paris.

Em março de 1839, após a morte de seu pai em Madrid as jovens deixaram Paris para reunir-se com a mãe na Espanha. Eugénia cresceu e tornou-se uma jovem obstinada e fisicamente audaciosa, dedicando-se à equitação e a diversos outros esportes. Em certa ocasião, foi salva de um afogamento e, após decepções amorosas, tentou suicídio duas vezes. Demonstrava grande interesse por política e passou a apoiar a causa bonapartista. Em razão do papel de sua mãe como anfitriã da alta sociedade espanhola, Eugénia teve a oportunidade de conhecer a rainha Isabel II, o primeiro-ministro Ramón Narváez e intelectuais proeminentes, diplomatas, escritores, músicos, toureiros e outras celebridades da época. Sobre Eugénia, o romancista Juan Valera escreveu, em 1847: "Ela é uma jovem diabólica que, com uma coqueteria infantil, grita, faz barulho e apronta todas as travessuras de um menino de seis anos, enquanto, ao mesmo tempo, é a moça mais elegante desta cidade e desta corte. É tão impetuosa e mandona, tão dedicada aos exercícios de ginástica e ao incenso dos cavalheiros elegantes e, enfim, tão adoravelmente mal-educada, que se pode quase garantir que seu futuro marido será um mártir dessa criatura celestial, nobre e, acima de tudo, extremamente rica."

Dona María Manuela, cada vez mais preocupada em encontrar um marido adequado para a filha, levou-a novamente a Paris em 1849 e, posteriormente, à Inglaterra em 1851.

Eugénia conheceu o príncipe Luís Napoleão Bonaparte pela primeira vez após ele assumir a presidência da Segunda República, acompanhada de sua mãe, durante uma recepção oferecida pelo "príncipe-presidente" no Palácio do Eliseu em 12 de abril de 1849. Napoleão perguntou-lhe "qual é o caminho mais curto para seus aposentos?" Ao que ela respondeu com humor "pela capela, meu senhor, pela capela".

Em 22 de janeiro de 1853, já como imperador, Napoleão III anunciou formalmente seu noivado, declarando: "Preferi uma mulher que amo e respeito a uma mulher desconhecida, cuja aliança traria vantagens misturadas com sacrifícios." O casal se casou em 29 de janeiro de 1853, em uma cerimônia civil nas Tulherias, seguida no dia seguinte por uma cerimônia religiosa mais grandiosa na catedral de Notre-Dame. Eugénia ousou em ser uma das primeiras noivas a casar-se de branco, seguindo o exemplo da rainha Vitória do Reino Unido, em uma época em que as noivas se casavam de azul, verde e até de vermelho: "O branco começou a ser utilizado apenas em 1840, quando a rainha Vitória casou-se com o príncipe Alberto. Nessa época era a cor azul que simbolizava pureza, enquanto o branco era símbolo de riqueza. Como a cor branca não era geralmente escolhida para o vestido de noiva, a rainha Vitória surpreendeu a todos e lançou a tendência – que logo foi copiada por mulheres de todo continente europeu e americano."

O casamento só se concretizou após longas negociações e diversas recusas de princesas estrangeiras à proposta de Napoleão, devido à posição da Casa de Bonaparte, ainda vista com desconfiança por algumas cortes europeias. A decisão final foi alvo de críticas em diversos setores, já que Eugénia era considerada socialmente inferior por alguns. A imperatriz enfrentou dificuldades significativas para gerar um herdeiro. Em 1853 sofreu um aborto espontâneo aos três meses, o que a deixou assustada e abalada. Em 16 de março de 1856, após um parto longo e arriscado de dois dias, que colocou em perigo tanto sua vida quanto a do bebê, Eugénia deu à luz seu único filho, Napoleão Eugénio Luís João José Bonaparte, que recebeu o título de Príncipe Imperial.

Após o casamento, não demorou para que Napoleão III se envolvesse em diversos relacionamentos extraconjugais. A imperatriz, que considerava o sexo com ele "nojento", provavelmente resistiu a novas investidas do marido mesmo após lhe dar um herdeiro. Em contrapartida, Napoleão manteve uma série de amantes, entre as quais se destacam a soprano belga Bernardine Hamaekers, Virginia Oldoini, condessa de Castiglione, a empregada doméstica Eléonore Vergeot e Marie-Anne Walewska, duquesa Colonna-Walewski – esta última chegou a servir como Primeira-dama de honra da imperatriz Eugénia entre 1868 e 1870, sendo a última pessoa a desempenhar essa função na França.

Eugénia cumpriu fielmente os deveres de uma imperatriz, entretendo convidados e ao acompanhar o imperador a bailes, óperas e peças de teatro. Após o seu casamento, as suas damas de companhia eram compostas por seis (mais tarde doze) damas do palácio, a maioria das quais escolhidas entre as conhecidas da imperatriz antes do casamento, encabeçadas pela Grand-maitresse ("dama de companhia sênior") Anne Debelle, princesa d'Essling, e pela Dame d'honneur ("dama de honra") Pauline de Bassano. Em 1855, Franz Xaver Winterhalter pintou a Imperatriz Eugénia rodeada por suas damas de companhia, onde retratou Eugénia sentada, num cenário campestre, com oito das suas damas de companhia.

A imperatriz era notória por sua beleza. Madame Carette, que mais tarde se tornaria sua leitora, descreve o reflexo vívido de sua sedução: “Ela era bastante alta, seus traços eram regulares, e a delicada linha de seu perfil tinha a perfeição de uma medalha antiga, com um charme muito pessoal, até mesmo um tanto peculiar, que a tornava incomparável a qualquer outra mulher. Sua testa, alta e reta, estreitava-se em direção às têmporas; suas pálpebras, que ela frequentemente baixava, seguiam a linha das sobrancelhas, velando assim seus olhos, que eram bem próximos um do outro, uma característica distintiva da fisionomia da imperatriz: dois belos olhos de um azul vívido e profundo, rodeados por sombras, cheios de alma, energia e doçura (...) Seus ombros, peito e braços lembravam as mais belas estátuas. Sua cintura era fina e arredondada; suas mãos, esbeltas; seus pés, minúsculos. Nobreza e grande graça em seu porte, uma distinção inata, um andar leve e suave (...)"

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