O esperanto é a língua planejada mais falada no mundo (Esperantujo, 120 países). Ao contrário da maioria das outras línguas planejadas, o esperanto já saiu dos níveis de projeto (publicação de instruções) e semilíngua (uso em algumas poucas esferas da vida social).
Seu iniciador, o médico Ludwik Lejzer Zamenhof, publicou a versão inicial do idioma em 1887 com a intenção de criar uma língua de mais fácil aprendizagem e que servisse como língua franca internacional para toda a população mundial (e não, como muitos supõem, para substituir todas as línguas existentes).
O esperanto é empregado em viagens, correspondência, intercâmbio cultural, convenções, literatura, ensino de línguas, televisão e transmissões de rádio e na atualidade principalmente na Internet. Alguns sistemas estatais de educação oferecem cursos opcionais de esperanto, e há evidências de que auxilia na aprendizagem dos demais idiomas.
Atualmente, é uma língua com uma comunidade de mais de 400.000 - 2.000.000 de falantes de todos os níveis espalhados pelo mundo, segundo estimativas de final de século unidas às mais recentes. Apenas na Duolingo há mais de 400.000 estudantes ativos mensais para a versão em inglês do curso de esperanto e mais de meio milhão nos cursos disponíveis em espanhol, francês e português e estima-se que mais de 210.000 concluíram o curso até 2020. De todos os falantes, cerca de 1.000 são falantes nativos de esperanto. Na Polônia, o esperanto está na lista do patrimônio cultural imaterial. Como idioma, goza de certo reconhecimento internacional, por exemplo, duas resoluções da Unesco (sua revista está em esperanto) ou o apoio de personalidades da vida pública.
Apesar da facilidade gramatical, o esperanto enfrenta dificuldade de ser adotado como língua auxiliar universal.
"Esperanto" é formado pela junção do radical esper (em esperanto, com origem no latim sperare, "esperar"), da desinência ant (própria do particípio presente) e da desinência o (dos substantivos). Significa, portanto, " aquele que espera", "aquele que tem esperança".
Ludwik Lejzer Zamenhof vivia em Białystok na atual Polônia (na época Império Russo). Em Białystok, moravam povos com diversas línguas diferentes que, por esta causa, fazia com que dificultasse a comunicação no cotidiano da população da cidade. Estes motivos motivaram Zamenhof a criar uma língua neutra.
Durante a adolescência, criou a primeira versão da lingwe universala, uma espécie de esperanto arcaico. O seu pai, entretanto, fê-lo prometer deixar de trabalhar no seu idioma para se dedicar aos estudos. Zamenhof então foi para Moscou estudar medicina. Em uma de suas visitas à terra natal, descobriu que seu pai queimara todos os manuscritos do seu idioma.
Zamenhof pôs-se então a reescrever tudo, adicionando melhorias e fazendo a língua evoluir.
O primeiro livro sobre o esperanto foi lançado em 26 de julho de 1887, em russo, contendo as 16 regras gramaticais, a pronúncia, alguns exercícios e um pequeno vocabulário. Logo depois, mais edições do Unua Libro foram lançadas em alemão, polaco e francês. O número de falantes cresceu rapidamente nas primeiras décadas, primordialmente no Império Russo e na Europa Oriental, depois na Europa Ocidental, nas Américas, na China e no Japão. Muitos desses primeiros falantes vinham de outro idioma planificado: volapük. As primeiras revistas e obras originais em esperanto começaram a ser publicadas.
Em 1905, aconteceu o primeiro Congresso Universal de Esperanto, em Bolonha-sobre-o-Mar, na França, juntando quase mil pessoas, de diversos povos. Em 1906, foi fundado, no Brasil, o primeiro grupo esperantista: o Suda Stelaro, em Campinas.
Todo o movimento esperantista avançava a passos largos e seguros, mas, com o advento das duas guerras mundiais, o movimento teve um recuo: as tropas comandadas por Hitler perseguiam e matavam os esperantistas na Alemanha e nos países dominados por esta; as tropas de Stalin faziam o mesmo na Rússia; a família de Zamenhof foi dizimada; no Japão e na China, a perseguição ao esperanto também ganhou proporções assustadoras.
Após a segunda guerra mundial, o esperanto reergueu-se. Em 1954, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura passou a reconhecer formalmente o valor do esperanto para a educação, a ciência e a cultura, e, em 1985, a mesma Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura recomendou, aos países-membros, a difusão do esperanto.
O esperanto é uma língua aglutinante, sem gêneros gramaticais para entidades assexuais, sem conjugação de verbos variáveis por pessoa ou número e com três modos — indicativo, imperativo e subjuntivo, além das formas nominais do verbo e seis particípios; tem apenas dois casos morfológicos: o acusativo e o nominativo.
Como uma língua construída, o esperanto não é relacionado genealogicamente a nenhuma língua étnica; pode ser descrito como uma língua de léxico predominantemente românico e de morfologia aglutinante. A fonologia, a gramática, o vocabulário e a semântica são baseados em línguas indo-europeias ocidentais. Os fonemas são essencialmente eslavos, assim como muito da semântica, enquanto o vocabulário é derivado primordialmente de línguas românicas, com uma menor contribuição de línguas germânicas e algumas palavras de várias outras línguas (o dicionário etimológico de esperanto "Konciza Etimologia Vortaro", de André Cherpillod, faz referência a 110 línguas).
A pragmática e outros aspectos da língua não descritos especificamente nos documentos originais de Zamenhof foram influenciados pelas línguas nativas dos primeiros falantes, principalmente russo, polonês, alemão e francês. A relação entre grafemas e fonemas é biunívoca (uma letra para cada som e um som para cada letra) e a morfologia é extremamente regular e fácil de aprender.