Escravatura, denominada também de escravidão, escravismo, esclavagismo ou escravagismo, é a prática social em que um ser humano assume direitos de propriedade sobre outro designado por escravo ou escravizado, imposta por meio da violência física ou moral. Em algumas sociedades, desde os tempos mais remotos, os escravos eram legalmente definidos como uma mercadoria ou como despojos de guerra. Os preços variavam conforme as condições físicas, habilidades profissionais, idade, procedência e destino.
O dono ou comerciante pode comprar, vender, dar ou trocar por uma dívida, sem que o escravo possa exercer qualquer direito e objeção pessoal ou legal, mas isso não é regra. Não era em todas as sociedades que o escravo era visto como mercadoria: na Idade Antiga, haja vista que os escravos de Esparta, os hilotas, não podiam ser vendidos, trocados ou comprados, isto pois eles eram propriedade do Estado espartano, que podia conceder a proprietários o direito de uso de alguns hilotas; mas eles não eram propriedade particular, não eram pertencentes a alguém, era o Estado que tinha poder sobre eles. A escravidão da era moderna está baseada num forte preconceito racial, segundo o qual o grupo étnico ao qual pertence o comerciante é considerado superior; embora já na Antiguidade clássica as diferenças étnicas fossem bastante exaltadas entre os povos escravizadores, principalmente quando havia fortes disparidades fenotípicas. Na antiguidade também foi comum a escravização de povos conquistados em guerras entre nações.
Enquanto modo de produção, a escravidão assenta na exploração do trabalho forçado da mão de obra escravizada. Os senhores alimentam os seus escravos e apropriam-se do produto restante do trabalho destes. A exploração do trabalho escravo torna possível a produção de grandes excedentes e uma enorme acumulação de riquezas, e contribuiu para o desenvolvimento econômico e cultural que a humanidade conheceu em dados espaços e momentos: grandes construções como diques e canais de irrigação, castelos, pontes e fortificações, exploração de minas e florestas, desenvolvimento da agricultura em larga escala, abertura de estradas, desenvolvimento das artes e letras. De acordo com o historiador e filósofo camaronês Achille Mbembe, "a condição de escravo resulta de uma tripla perda: perda de um “lar”, perda de direitos sobre seu corpo e perda de status político. Essa perda tripla equivale a dominação absoluta, alienação ao nascer e morte social (expulsão da humanidade de modo geral). Para nos certificarmos, como estrutura político-jurídica, a fazenda é o espaço em que o escravo pertence a um mestre. Não é uma comunidade porque, por definição, implicaria o exercício do poder de expressão e pensamento."
Nas civilizações escravagistas, não era pela via do aperfeiçoamento técnico dos métodos de produção (que se verifica com a Revolução Industrial) que os senhores de escravos procuravam aumentar a sua riqueza. Os escravizados, por outro lado, sem qualquer interesse nos resultados do seu trabalho, não se empenhavam na descoberta de técnicas mais produtivas. Atualmente, apesar de a escravidão ter sido abolida em quase todo o mundo, ela ainda continua existindo de forma legal no Sudão e de forma ilegal em muitos países, com destaque para a Índia, China, Paquistão, Nigéria, Etiópia, Rússia, Arábia Saudita, Tailândia, República Democrática do Congo, Mianmar, Bangladesh, Mauritânia, Haiti, Coreia do Norte, Eritreia, Burundi, República Centro Africana, Afeganistão, Cambodja, Irão e Nepal.
A palavra "escravo" é derivada do grego sklábos (sendo uma derivação de sklabēnós) e do latim medieval sclavus, traduzido como eslavo. Originalmente era referência aos povos eslavos, que se localizavam geograficamente na maior parte na Europa Oriental tal como os slovĕninŭ, e que foram escravizados em massa na Alta Idade Média por conta das suas derrotas em guerras contra os germânicos.
Há diversas ocorrências de escravatura sob diferentes formas ao longo da história, praticada por civilizações distintas. No geral, a forma mais primária de escravatura se deu na medida em que povos com interesses divergentes guerreavam, resultando no acúmulo de prisioneiros de guerra. Apesar de, na Idade Antiga, ter havido comércio de pessoas escravizadas, não era necessariamente esse o fim reservado a esse tipo de espólio de guerra. Vale destacar que algumas culturas com um forte senso patriarcal reservavam, à mulher, uma hierarquia social semelhante à do indivíduo escravizado, negando-lhe direitos básicos que constituiriam a noção de cidadão.
O imperador Justiniano I publicou o edito Institutas, em novembro do ano de 533, no qual define a servidão e os servos:
"Título III: do direito das pessoas
A divisão principal no direito das pessoas é que todos os homens ou são livres ou escravos.
A liberdade (da qual vem a palavra 'livre') é o poder natural de fazer cada um, o que quer, se a violência ou a lei não lho proíbe.
A servidão é uma instituição do direito das gentes, pela qual é alguém submetido contra a natureza ao domínio de outrem.
Os servos são assim chamados porque os generais costumam vender os cativos e destarte conservá-los sem os matar. Eles têm também o nome de — mancipia — porque são tomados à mão de entre os inimigos.
Os servos, ou nascem tais, ou fazem-se. Nascem das nossas escravas: fazem-se ou pelo direito das gentes mediante a captura, ou pelo direito civil, quando um homem livre, maior de vinte anos, consentiu em ser vendido para compartilhar do preço.
Não há diferença na condição dos servos, e há muitas entre os livres; pois estes ou são ingênuos [isto é, aquele que nasce livre] ou são libertos."
Nas civilizações pré-colombianas (asteca, inca e maia), os escravos não eram obrigados a permanecer como tais durante toda a vida. Podiam mudar de classe social e normalmente tornavam-se escravos até quitarem dívidas que não podiam pagar. Eram empregados na agricultura e no exército. Entre os incas, os escravos recebiam uma propriedade rural, na qual plantavam para o sustento de sua família, reservando ao Sapa (imperador inca) uma parcela maior da produção em relação aos cidadãos livres. No Brasil, a escravidão começou com os índios (ver: Escravidão indígena no Brasil). Os índios escravizavam prisioneiros de guerra, na Era Pré-cabralina, muito antes da chegada dos portugueses.
Segundo o professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Cláudio Alves de Vasconcelos:
A escravatura era largamente praticada na Arábia pré-islâmica, bem como no resto do mundo seu contemporâneo. Após o surgimento do Islão, que proibia que um muçulmano escravizasse outro muçulmano, os escravos tinham de ser procurados no exterior do império, por captura, compra ou tributo.
A súbita riqueza resultante da expansão militar, dos saques, cobrança de impostos e desenvolvimento do comércio, levou ao enorme aumento do comércio de escravos. Os escravos eram necessários para os trabalhos penosos, como a mineração, mas também como soldados, guardas, trabalhadores domésticos, concubinas e eunucos para os haréns.