Ernesto Henrique Fraga Araújo (Porto Alegre, 15 de maio de 1967) é um diplomata e escritor brasileiro. Foi ministro das Relações Exteriores do Brasil entre janeiro de 2019 e março de 2021.
Graduou-se em Letras pela Universidade de Brasília (UnB) em 1988 e ingressou na carreira diplomática em 1991.
Suas visões políticas são descritas como de extrema-direita e inspiradas por teorias conspiratórias.
Nascido em Porto Alegre, Ernesto Henrique Fraga Araújo é filho de Henrique Fonseca de Araújo, ex-Procurador-Geral da República e ex-deputado estadual do Rio Grande do Sul, e Marylin Mendes Fraga Araújo. Seu tio, Ernesto de Araújo, foi Almirante da Marinha do Brasil e diretor da Escola Superior de Guerra. Henrique Fonseca de Araújo é conhecido por ter sido contrário à extradição do criminoso de guerra nazista Gustav Franz Wagner, não atendendo às requisições da Polônia, Áustria, Israel e Alemanha Ocidental. Ernesto Araújo é casado com a também diplomata Maria Eduarda de Seixas Corrêa, com quem tem uma filha, e é genro de Luiz Felipe de Seixas Corrêa, embaixador e ex-secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).
Graduou-se em Letras pela Universidade de Brasília em 1988. Aprovado no concurso de admissão do Instituto Rio Branco em 1990, ingressou na carreira diplomática em 1991. Após concluir o curso de preparação à carreira diplomática no Instituto Rio Branco, tornou-se assessor na divisão do Mercosul, onde foi responsável pela negociação da Tarifa Externa Comum e regimes comerciais.[carece de fontes?]
A partir de 1995 passou a integrar, como secretário, a Missão do Brasil junto à União Europeia em Bruxelas e, em 1999, transferiu-se para Berlim, trabalhando como responsável pelo setor econômico da Embaixada do Brasil na Alemanha.
Como chefe de Divisão comandou as áreas de Serviços, Investimentos e Assuntos Financeiros (2003–2005) e de Negociações Extra-Regionais do Mercosul (2005–2007) no Ministério das Relações Exteriores. Como Ministro-Conselheiro, atuou em Ottawa (2007–2010) e Washington (2010–2015), exercendo a Vice-Chefia de Missão nas Embaixadas do Brasil no Canadá e nos Estados Unidos, respectivamente.[carece de fontes?]
De volta a Brasília, atuou como subchefe de gabinete do Itamaraty até assumir, em outubro de 2016, a direção do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos. Em junho de 2018, foi promovido a Ministro de Primeira Classe – posto que, no Brasil, por cortesia, é usualmente chamado "embaixador", mesmo que o diplomata em questão jamais tenha chefiado uma embaixada, como é o caso de Araújo.
Indicação para compor o ministério de Jair Bolsonaro
Entusiasta da política externa de Donald Trump, Ernesto Araújo publicou, em dezembro de 2017, um artigo intitulado "Trump e o Ocidente", no qual analisa dois discursos de Donald Trump: o primeiro, proferido em Varsóvia, no dia 6 de julho de 2017, e o segundo, apresentado na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 19 de setembro do mesmo ano. De ambos, Araújo extraiu o que entendeu ser a essência da política externa de Trump e da sua visão do Ocidente. No artigo do diplomata, destaca-se, como referência, a teoria do choque de civilizações, proposta nos anos 1990 por Samuel Huntington. Segundo Huntington, os conflitos futuros da humanidade estariam ligados à cultura – ou, mais especificamente, à religião.
Embora alinhado com o conjunto de características da extrema-direita brasileira que depois tomaria forma sob Bolsonaro, o artigo de Araújo traz elementos estranhos ao bolsonarismo, como um ataque ao Islã. De acordo com o pesquisador da UFF Sergio Schargel, Araújo destila, em seu artigo, uma espécie de "pré-bolsonarismo", ajudando a legitimar intelectualmente o movimento que se intensificaria no ano seguinte.
O artigo de Araújo despertou a atenção do ensaísta conservador Olavo de Carvalho, apontado como "um dos gurus do bolsonarismo". Carvalho elogiou e recomendou a leitura do texto aos seus milhares de seguidores nas redes sociais. A recomendação chegou até Filipe Martins, secretário de assuntos internacionais do PSL, e a Eduardo Bolsonaro. Usando o Twitter, Martins passou a defender a escolha de Araújo para futuro chanceler.
Araújo foi efetivamente anunciado como ministro das Relações Exteriores no dia 14 de novembro de 2018, pelo então presidente eleito Jair Bolsonaro. Em nota oficial, o ministro das relações exteriores do Governo Michel Temer, Aloysio Nunes, elogiou a escolha de Araújo para futuro titular da pasta.
Acusado de dificultar a aquisição de vacinas contra a COVID-19 e de antagonizar excessivamente a China, Ernesto Araújo pediu demissão do cargo de ministro das Relações Exteriores em 29 de março de 2021 após sucessivos desgastes com o Congresso Nacional.
Negacionismo do aquecimento global e das mudanças climáticas
Segundo Araújo, "a esquerda sequestrou a causa ambiental e a perverteu", criando uma "ideologia da mudança climática". Tal ideologia, por ele chamada de "climatismo", seria produzida pelo ajuntamento de dados que possam sugerir uma correlação entre aquecimento global e aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Ele alega que tal correlação é pseudocientífica, um dogma criado "para justificar o aumento do poder regulador dos Estados sobre a economia e o poder das instituições internacionais sobre os Estados nacionais". Para ele, isso teria como objetivo final, sufocar o crescimento dos países capitalistas e transferir poder econômico do Ocidente para a China.
Em seu blog, Araújo declara sua intenção de ajudar o mundo a se libertar do globalismo – que, segundo ele, é uma ideologia anticristã, dominada por uma teoria da conspiração conhecida como marxismo cultural:
Quero ajudar o Brasil e o mundo a se libertarem da ideologia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. Essencialmente é um sistema anti-humano e anticristão. A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornando o homem escravo e Deus irrelevante.