Erika Santos Silva (Franco da Rocha, 9 de dezembro de 1992), mais conhecida como Erika Hilton, é uma política, ativista e modelo brasileira. Identifica-se como mulher trans e travesti. É filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e atua em diversas causas, mas principalmente as voltadas aos direitos das pessoas negras e LGBT.
Nas eleições estaduais em São Paulo de 2018, integrou o mandato coletivo da Bancada Ativista, encabeçado por Mônica Seixas. Após as eleições de 2020, obteve notoriedade nacional e internacional ao tornar-se a primeira vereadora transgênero eleita pela cidade de São Paulo e a parlamentar municipal mais votada do país. Durante o mandato, discutiu questões de gênero, desigualdade e foi responsável pela criação da CPI da Transfobia, entre outros feitos. Devido à visibilidade alcançada, ganhou, em 2021, o prêmio "Generation Change" no MTV Europe Music Awards.
Em 2022, ingressou na disputa eleitoral por uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo estado de São Paulo, conquistando o cargo de deputada federal com 256 903 votos. No mandato parlamentar, foi contra a PEC da Blindagem, que ampliaria a proteção de parlamentares contra investigações e processos criminais e civis, e tem lutado a favor da PEC do Fim da Escala 6x1, proposta da qual é coautora ao lado do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
Foi reconhecida como uma das "100 mulheres mais inspiradoras e influentes do mundo" pela BBC em 2022. No ano seguinte, por votação do público, ficou em segundo lugar entre os melhores parlamentares no Prêmio Congresso em Foco, bem como em sexto lugar na escolha do júri especializado. Já em 2024, Erika se tornou a primeira pessoa trans a assumir a liderança de seu partido (Federação PSOL REDE) na Câmara, a deputada também venceu a votação popular da mesma premiação e foi eleita a melhor Deputada do Brasil. Em março de 2026, foi eleita para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Erika Santos Silva nasceu no município de Franco da Rocha, em 9 de dezembro de 1992, e cresceu na periferia de Francisco Morato, sendo os ambos municípios da região metropolitana da capital paulista. Aos 14 anos se mudou com a família para Itu, no interior de São Paulo, tendo sido criada pela mãe, tias e avós.
Quando adolescente, vivendo com seus tios evangélicos, sofreu violência por sua expressão de gênero, sendo forçada a frequentar a igreja, em busca de uma "cura divina". Aos quinze anos foi expulsa de casa, onde estando em situação de rua, recorreu à prostituição para sobreviver. Após seis anos foi resgatada por sua mãe, quem a apoiou para retomar os estudos.
Concluindo o ensino médio através do programa para Educação de Jovens e Adultos, ingressou na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde iniciou, mas não concluiu, o curso de gerontologia, mais tarde concluindo o curso de pedagogia. Foi em seu período de graduação que ingressou no movimento estudantil, dando o pontapé inicial para a carreira política que viria a consolidar.
Iniciou sua carreira política em 2015, após uma disputa com uma empresa de ônibus. Na ocasião, ao tentar comprar uma passagem de ônibus em Itu, a empresa se recusou a imprimir seu nome social feminino na passagem. A legislação em São Paulo que garante direitos de identidade às pessoas trans não se aplicava a empresas privadas. Hilton lançou petições online defendendo o direito de pessoas trans escolherem seus próprios nomes. Após grande engajamento, Hilton acabou obtendo êxito.
Com a repercussão do caso, Hilton ganhou reputação como defensora dos direitos de pessoas trans e começou a receber convites para dar palestras em universidades. Foi convidada a se filiar ao PSOL e em 2016 se candidatou a vereadora pelo município de Itu, onde não conseguiu se eleger.
Em 2018 Hilton recebeu o convite para integrar a Bancada Ativista. O grupo que reunia nove pessoas lançou uma candidatura coletiva para uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP). A Bancada Ativista, representada oficialmente por Mônica Seixas, foi eleita com 149 844 votos e Hilton, junto com Seixas e outras sete pessoas assumiram um mandato compartilhado, algo inédito na ALESP. Hilton foi nomeada como assessora e recebia salário correspondente à função, embora atuasse quase como parlamentar. Para comportar a estrutura diferente a ALESP abriu exceções, como permitir a foto de todos os membros do coletivo na porta do gabinete.
Deixou o mandato na ALESP em 2020 para lançar sua candidatura para vereadora em São Paulo. Foi eleita com 50 508 votos, se tornando a vereadora mais votada do Brasil e a primeira mulher trans a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo. No mesmo pleito Thammy Miranda (PL) foi o primeiro homem trans a ser eleito naquela casa com 43 321 votos, sendo o 9.º mais votado na cidade.
No dia 27 de dezembro de 2020, antes de assumir o mandato como vereadora de São Paulo, Hilton acionou o Ministério Público contra atos do prefeito Bruno Covas (PSDB) e do governador João Doria (PSDB) que retiraram a gratuidade para idosos acima de 60 anos no transporte público de São Paulo.
Assumiu o mandato de vereadora em 1.º de janeiro de 2021 na 18.ª legislatura da Câmara Municipal de São Paulo. Concorreu à presidência da Câmara e foi derrotada pelo vereador Milton Leite (DEM), por 49 votos a 6, recebendo apoio apenas de seu partido.
Em março de 2022, Erika Hilton anunciou que concorreria ao cargo de Deputada Federal pelo PSOL de São Paulo. "Minha pretensão de ir a Brasília é pela necessidade de refundação do Brasil", declarou à Folha de S.Paulo na ocasião. Ela logrou êxito, tendo sido eleita para ocupar o cargo de deputada federal com 256 903 votos.
No mandato como vereadora da cidade de São Paulo, Erika Hilton teve como prioridade as temáticas relacionadas à defesa e preservação dos Direitos Humanos, o combate à fome, a defesa da saúde pública e gratuita, bem como o foco nas políticas públicas para a população LGBT. Hilton debateu tais questões no âmbito da Câmara Municipal de São Paulo e teve ampla atuação e repercussão, sendo escolhida líder da bancada do PSOL na casa, a terceira maior da capital paulista, em 9 de agosto de 2022.
Foi eleita e reeleita, por unanimidade, a presidente da Comissão Extraordinária de Direitos Humanos e Cidadania, tornando-se a primeira representante do PSOL a presidir uma Comissão na cidade de São Paulo e uma das primeiras pessoas trans a alcançar tal feito no Brasil. Foi, ainda, membra titular da Comissão de Administração Pública e suplente da Comissão de Educação e Cultura.
Dentre os projetos de lei propostos por Erika Hilton cita-se a aprovação da Lei que criou o Fundo Municipal de Combate à Fome com o objetivo de financiar políticas públicas de segurança alimentar na cidade. Erika também é a responsável pela aprovação da Lei que criou o "Dia Municipal pela Vacinação e em Defesa das Trabalhadoras da Saúde". A vereadora ainda aprovou projetos homenageando mulheres trans e travestis da cidade de São Paulo.
No seu primeiro ano de mandato Erika Hilton propôs aproximadamente 116 projetos de lei, tornando-se a parlamentar com a maior produção de propostas legislativas da Câmara de SP. No total foram propostos até julho de 2022 aproximadamente 162 sugestões de leis.