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Erasmo de Roterdão

Teólogo e filósofo humanista

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Erasmo de Roterdão (português europeu) ou Roterdã (português brasileiro) (Roterdão, 28 de outubro de 1466 – Basileia, 12 de julho de 1536), nascido Gerrit Gerritszoon ou Herasmus Gerritszoon (em latim: Desiderius Erasmus Roterodamus), foi um teólogo e filósofo humanista neerlandês que viajou por toda a Europa, como Portugal, Inglaterra, Itália, Espanha, Croácia, Bulgária, Dinamarca e outros.

Erasmo cursou o seminário com os monges agostinianos e realizou os votos monásticos aos 25 anos, vivendo como tal, sendo um grande crítico da vida monástica e das características que julgava negativas na Igreja Católica. Frequentou o Collège Montaigu, em Paris, e continuou seus estudos na Universidade de Paris, então o principal centro da escolástica, apesar da influência crescente do Renascimento da cultura clássica, que chegava de Itália, Erasmo optou por uma vida de acadêmico independente.

Os principais centros da sua atividade foram Paris, Lovaina, Inglaterra e Basileia. No entanto, nunca pertenceu firmemente a nenhum destes locais. O tempo passado na Inglaterra foi frutífero, tendo feito amizades para a vida com os líderes ingleses John Colet, Thomas More, John Fisher, Thomas Linacre e Willian Grocyn. Na Universidade de Cambridge foi o professor de Teologia de Lady Margaret e teve a opção de passar o resto de sua vida como professor de inglês.[carece de fontes?] Esteve no Queens' College, em Cambridge, e é possível que tenha sido alumnus. Foram-lhe oferecidas várias posições de honra e proveito através do mundo acadêmico, mas declinou-as todas, preferindo a incerteza, tendo no entanto receitas suficientes da sua atividade literária independente. Entre 1506 e 1509 esteve em Itália. Passou ali uma parte do seu tempo na casa editorial de Aldus Manutius, em Veneza. De acordo com suas cartas,[carece de fontes?] esteve associado com o filósofo natural veneziano, Giulio Camillo, mas, além deste, teve uma associação com acadêmicos italianos menos ativa do que se esperava.

A sua residência em Lovaina expôs Erasmo a muitas críticas por parte daqueles que eram hostis aos princípios do progresso literário e religioso aos quais ele devotava a vida. Interpretava esta falta de simpatia como uma perseguição e procurou refúgio em Basileia, onde, sob abrigo de hospitalidade suíça, pôde expressar-se livremente e estava rodeado de amigos. Foi lá que esteve associado por muitos anos com o editor Froben, e onde uma multidão de admiradores de (quase) todos os cantos da Europa o vieram visitar.

Erasmo nasceu em 28 de outubro na década de 1460. O ano exato de seu nascimento é debatido, com a maioria dos biógrafos citando o ano de 1467. Algumas evidências podem ser encontradas nas próprias palavras de Erasmo: de 23 declarações feitas sobre sua idade, boa parte indica 1466. Foi batizado de "Erasmo" após o santo de mesmo nome. Embora associado ao Roterdão, ele morou lá por apenas quatro anos, e nunca mais voltou. Informações sobre sua família e início da vida vêm principalmente de referências vagas em seus escritos. Seus pais quase certamente não eram casados legalmente. Seu pai, Gerard, era um padre e pároco católico em Gouda. Pouco se sabe de sua mãe se não o seu nome que era Margaretha Rogers e ela era a filha de um médico; ela pode ter sido governanta de Gerard. Embora tenha nascido fora de um casamento, Erasmo foi cuidado por seus pais até a morte precoce de peste negra em 1483.

A produtividade literária de Erasmo começou relativamente tarde na sua vida. Apenas quando dominou o latim é que começou a escrever sobre os grandes temas contemporâneos, nomeadamente sobre literatura e teologia.

A sua revolta contra as formas de vida da igreja não resultou tanto de dúvidas quanto à verdade da doutrina tradicional, nem de alguma hostilidade para com a organização da Igreja. Sentiu antes a necessidade de aplicar os seus conhecimentos na purificação da doutrina e na liberalização das instituições do cristianismo.

Como acadêmico, tentou libertar os métodos da Escolástica da rigidez e do formalismo das tradições medievais, mas não ficou satisfeito. Ele viu-se como o pregador da retidão. A sua convicção em toda a vida foi que o que era necessário para regenerar a Europa era uma aprendizagem sã, aplicada liberalmente e sem receios pela administração de assuntos públicos da Igreja e do Estado. Esta convicção confere unidade e consistência a uma vida que, de outra forma, pode parecer plena de contradições. Erasmo viu-se livre e distante de quaisquer obrigações comprometedoras; no entanto, Erasmo foi, num sentido singularmente verdadeiro, o centro do movimento literário do seu tempo. Ele se correspondeu com mais de quinhentos homens da maior importância no mundo da política e do pensamento, e o seu conselho em vários assuntos era procurado avidamente, se bem que nem sempre seguido.

Aquando da sua estadia em Paris, Erasmo iniciou a examinação sistemática dos manuscritos do Novo Testamento, por forma a preparar uma nova edição e uma tradução para Latim. Esta edição foi publicada por Froben de Basileia em 1516 e foi a base da maioria dos estudos científicos da Bíblia durante o período da Reforma. Erasmo também escreveu sobre o guerreiro frísio Pier Gerlofs Donia, embora com muito mais críticas do que elogios aos feitos dele, chamando-o de "bruto estúpido que preferia a força à sabedoria".

Publicou uma edição crítica do Novo Testamento Grego em 1516 — Novum Instrumentum omne, diligenter ab Erasmo Rot. Recognitum et Emendatum. A edição incluiu uma tradução em Latim e anotações. Baseou-se também em manuscritos adicionais recentemente descobertos.

Na segunda edição, o termo mais familiar "Testamentum" foi usado em vez de "Instrumentum". Esta edição foi usada pelos tradutores da versão da Bíblia do Rei Jaime I de Inglaterra. O texto ficou conhecido mais tarde como o textus receptus. Erasmo publicou mais três edições — 1522, 1527 e 1535. Foi a primeira tentativa por parte de um académico competente e liberal de averiguar aquilo que os escritores do Novo Testamento tinham efectivamente dito. Erasmo dedicou o seu trabalho ao Papa Leão X, como patrono da aprendizagem, e considerou o seu trabalho como o seu principal serviço à causa do Cristianismo. Imediatamente depois, começou a publicação das suas paráfrases do Novo Testamento, uma apresentação popular do conteúdo de vários livros. Este, como todos os seus livros, foi publicado em Latim, mas as suas obras eram imediatamente traduzidas noutras línguas, com o seu encorajamento.

O movimento de Martinho Lutero começou no ano seguinte à publicação do Novo Testamento, e foi um teste ao caráter de Erasmo. A discussão entre a sociedade europeia e a Igreja Católica Romana tinha-se tornado tão aberta que poucos se podiam furtar a um pedido de uma opinião. Erasmo, no auge da sua fama literária, foi inevitavelmente chamado a tomar partido por um dos lados, mas partidarismo era algo de estranho à sua natureza e hábitos.

Em toda a sua crítica às tolices clericais e aos abusos, ele tinha sempre afirmado que não estava a atacar as instituições da Igreja em si e não era um inimigo do clero. O mundo inteiro tinha rido com as suas sátiras, mas poucos interferiram com as suas actividades. Ele acreditava que o seu trabalho até então o recomendava às melhores mentes e aos poderes dominantes no mundo religioso.

Erasmo tinha uma simpatia pelos pontos principais da crítica luterana à Igreja. Tinha um grande respeito pessoal por Martinho Lutero e Lutero sempre falava de Erasmo com reverência pelo seu conhecimento. Lutero esperava obter a sua cooperação num trabalho que parecia o resultado natural do seu próprio. Na sua troca de correspondência inicial, Lutero expressou uma intensa admiração por tudo o que Erasmo tinha feito pela causa de um cristianismo saudável e razoável e encorajou-o a unir-se ao movimento. Erasmo, porém criticou duramente a doutrina luterana que negava ao homem o livre-arbítrio.

Erasmo declinou qualquer compromisso, argumentando que ao o fazer estaria a colocar em risco a sua posição como líder de um movimento por uma sabedoria pura, o que ele via como o objectivo de sua vida. Apenas como um acadêmico independente poderia ele aspirar a influenciar a reforma da religião. A obra de Lutero foi a de providenciar uma nova base doutrinal para as tentativas até então dispersas de iniciar uma reforma. Ao reavivar os princípios quase esquecidos da teologia de Agostinho, Lutero tinha fornecido o necessário impulso para o interesse pessoal na religião, o que é a essência da Reforma Protestante. Erasmo, no entanto, temia qualquer mudança na doutrina e acreditava que não havia espaço dentro das fórmulas existentes para o tipo de reforma que ele apreciava tanto.

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