A Encyclopædia Britannica é uma enciclopédia generalista de língua inglesa publicada pela Encyclopædia Britannica, Inc., uma editora privada. É amplamente considerada como a mais acadêmica das enciclopédias.
A Britannica foi inicialmente publicada entre 1768 e 1771, em Edimburgo, Reino Unido, e depressa aumentou em popularidade e tamanho, com a sua terceira edição, em 1801, alcançando os vinte volumes. O aumento de tamanho implicou a contratação de colaboradores, e as suas 9.ª (1875–1889) e 11.ª edições (1911) são consideradas como marcos no que toca a enciclopédias acadêmicas e de estilo literário. Começando com a 11.ª edição, a Britannica foi gradualmente diminuindo e simplificando os seus artigos a fim de os tornar mais acessíveis, e alargar a sua expansão ao mercado nos Estados Unidos. Em 1933, a Britannica tornou-se a primeira enciclopédia a adotar a política "em contínua revisão", que resulta em que a enciclopédia seja continuamente reimpressa e cada verbete seja atualizado regularmente.
A edição atual (a 15.ª) tem uma única estrutura dividida em três partes: a Micropædia, de 12 volumes, contém verbetes menores (geralmente tendo menos de 750 palavras), a Macropædia, de 17 volumes, com longos artigos (tendo de duas a 310 páginas cada) e a Propædia, num só volume, que pretende fornecer um esboço do conhecimento humano, de modo hierárquico. A Micropædia é destinada a pesquisa rápida e a servir como guia para a Macropædia; os leitores são aconselhados a estudar o esboço da Propædia a fim de entender o contexto do assunto e para encontrar outros artigos, mais detalhados. O tamanho da Britannica tem-se mantido muito constante ao longo dos últimos 70 anos, com cerca de 40 milhões de palavras e meio milhão de tópicos. Embora a sua publicação tenha sede nos Estados Unidos desde 1901, a Britannica manteve a ortografia inglesa tradicional.
Ao longo da História, a Britannica tem tido dificuldade em permanecer rentável — um problema enfrentado por muitas enciclopédias. Alguns verbetes, em determinadas edições anteriores da Britannica, foram acusados de imprecisão, viés ou falta de qualificação dos colaboradores. A precisão de partes da edição mais recente (de 2005) tem sido igualmente questionada, embora tais críticas tenham sido contestadas pela gestão da Britannica. Apesar disso, a Britannica mantém a sua reputação como fonte de pesquisa confiável. Em 3 de março de 2012, foi anunciado que a Encyclopædia Britannica, agora com sede em Chicago, não iria publicar mais versões impressas em papel focando-se apenas na sua versão online.
A Britannica foi impressa em 15 edições oficiais, com suplementos multi-volumes da 3.ª a 5.ª edições (ver a Tabela abaixo). Estritamente falando, a décima edição foi apenas um suplemento da 9.ª, assim como as edições 12.ª e 13.ª foram suplementos da 13.ª edição. A 15.ª edição sofreu uma mudança drástica, em termos de organização, em 1985, mas a atualização, versão corrente, continuou conhecida como 15.ª edição.
Ao longo de sua história, a Britannica foi desenvolvida com dois objetivos: ser um excelente livro de referências e providenciar material educacional para quem tenha desejo de estudar. Em 1974, a 15.ª edição adotou um terceiro alvo: sistematizar todo o conhecimento humano.
A história da Britannica pode ser dividida em cinco fases principais em que se destacam mudanças maiores, tanto na gestão quanto na reorganização do seu conteúdo. Na primeira fase (edições 1 a 6, 1768–1826), a Britannica foi gerida por seus fundadores originais, Colin Macfarquhar e Andrew Bell, e por seus amigos e conhecidos, como Thomas Bonar, George Gleig e Archibald Constable. A Britannica foi primeiramente publicada entre 1768 e 1771 em Edimburgo como Encyclopædia Britannica, ou, Um Dicionário de Artes e Ciências, compilado sob um Novo Plano. Foi concebida como uma reacção conservadora à provocativa Encyclopédie francesa de Denis Diderot (publicada entre 1751 e 1766), que por sua vez havia sido inspirada pela anterior Chambers Cyclopaedia. A Britannica foi, primeiramente, uma empresa escocesa e tinha como símbolo o cardo, o emblema nacional da Escócia. A criação da enciclopédia é um dos mais famosos e perseverantes legados do Iluminismo Escocês. Nesta fase, a Britannica deixou de ser um conjunto de três volumes (1.ª edição) compilados por um jovem editor — William Smellie — para se tornar uma obra de vinte volumes escrita por numerosas autoridades. Embora várias outras enciclopédias tenham competido com a Britannica, como a Rees's Cyclopaedia e a Encyclopaedia Metropolitana, de Samuel Taylor Coleridge, estes rivais ou faliram, ou ficaram inacabados por desentendimentos entre os editores. No fim desta fase, a Britannica tinha constituído uma rede de ilustradores, primeiramente entre os conhecidos de seus editores, sendo os mais relevantes Constable e Gleig.
Durante a segunda fase (edições 7 a 9, 1827–1901), a Britannica foi gerida pela editora de Edimburgo, A & C Black. Embora alguns colaboradores fossem recrutados novamente através relacionamentos, sendo Macvey Napier o mais relevante, outros foram atraídos pela reputação sempre crescente da Britannica. Os colaboradores muitas vezes vinham de outros países e incluíam algumas das autoridades mais respeitadas nas suas áreas. Na sétima edição foi incluído, pela primeira vez, um índice geral de todos os artigos, prática que se manteve até 1974. O primeiro editor-chefe nascido em Inglaterra foi Thomas Spencer Baynes, que supervisionou a produção da famosa 9.ª edição; nomeada "Edição Acadêmica", a 9.ª edição é muitas vezes considerada como sendo a Britannica mais direcionada ao uso acadêmico alguma vez produzida. No entanto, no fim do século XIX, a 9.ª edição estava desatualizada e a Britannica enfrentava sérias dificuldades financeiras.
Na terceira fase (10.ª a 14.ª edições, 1901–1973), a Britannica foi gerida por negociantes estadunidenses, que introduziram técnicas de venda agressivas, tais como o marketing direto e venda porta a porta, a fim de aumentar os lucros. Os donos norte-americanos simplificaram, gradualmente, os verbetes da Britannica, fazendo-a menos acadêmica, mas mais inteligível para o mercado das massas. A décima edição foi rapidamente produzida, como suplemento da 9.ª, mas a 11.ª edição ainda é prezada pela sua excelência; o seu dono, Horace Everett Hooper, esforçou-se na busca da sua perfeição. Quando Hooper entrou em dificuldades financeiras, a Britannica passou a ser gerida por Sears Roebuck durante cerca de 18 anos (1920–1923, 1928–1943). Em 1932, a vice-presidente de Sears, Elkan Harrison Powell, assumiu a presidência da Britannica; em 1936, começou a política de revisão contínua (ainda praticada), que faz com que cada verbete seja verificado e possivelmente revisado pelo menos duas vezes em cada década. Esta foi uma grande mudança pois com a prática anterior, os artigos não eram alterados a não ser aquando de uma nova edição, com cerca de 25 anos de intervalo, com alguns artigos sendo transportados de edições anteriores sem alteração. Powell, agressivamente, desenvolveu novos produtos educacionais, que se baseavam na reputação da Britannica. Em 1943, a posse passou de Sears Roebuck para William Benton, diretor da Britannica até sua morte, em 1973. Benton fundou ainda a Fundação Benton, que geriu a Britannica até 1996. Em 1968, perto do fim desta fase, a Britannica celebrou o seu bicentenário.