Enchentes e deslizamentos de terra atingiram o estado do Rio de Janeiro em janeiro de 2011. Os municípios mais afetados foram Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro, São José do Vale do Rio Preto, Bom Jardim e Cachoeiras de Macacu, na Região Serrana, e Areal, na Região Centro-Sul do estado. Os serviços governamentais contabilizaram 916 mortes e em torno de 345 desaparecidos. A Secretaria de Estado da Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, reportou que 428 pessoas morreram em Nova Friburgo, 382 em Teresópolis, 71 em Petrópolis, 21 em Sumidouro, 4 em São José do Vale do Rio Preto e 1 em Bom Jardim. Já as desaparecidas foram 180 em Teresópolis, 85 em Nova Friburgo, 45 em Petrópolis e duas em Sumidouro. Ainda de acordo com o MP, outras 32 pessoas não foram encontradas em outras localidades da Região Serrana, até aquele momento, nos quatro municípios. Por último, cerca de 35 mil pessoas ficaram desalojadas em consequência dos desastres naturais.
A tragédia foi considerada como o maior desastre climático da história do país, superando os 463 mortos do temporal que atingiu o município paulista de Caraguatatuba, em 1967. No entanto, a maior tragédia natural da história do Brasil ainda é a grande inundação ocorrida na Serra das Araras, em Janeiro de 1967, que, entre mortos e desaparecidos, vitimou cerca de 1 700 pessoas.
No dia 14 de janeiro, a notícia de queda de caixa de água causou pânico entre moradores de Nova Friburgo, assustando moradores da cidade, e da Região Serrana do Rio. Com medo, boa parte da população chegou a pensar que uma represa do município havia rompido. A região voltou a receber precipitação dias posteriores. Até mesmo a cidade do Rio de Janeiro entrou em estado de atenção no dia 15 de janeiro por fortes chuvas nas zonas norte e oeste, segundo o Centro de Operações Rio. Alerta para o dia 16 e 17 de janeiro foi repassado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), tendo a possibilidade de mais chuvas para toda a região, decorrente das condições favoráveis.
Após o tsunami do oceano índico de 2004 a ONU criou o Plano de Ação de Hyogo, de acordo com o qual os países ficam obrigados a enviar um relatório completo da capacidade interna de prevenção a desastres a cada dois anos. No relatório brasileiro enviado em novembro de 2010 Ivone Maria Valente, da Secretaria Nacional da Defesa Civil, aponta despreparo dos órgãos de Defesa Civil. O governo admite ainda que não avaliou nenhuma escola ou hospital para elaborar o documento. A falta de planejamento é apontada como principal fator para pôr em risco a população. No documento fica claro que o Brasil estaria economizando recursos financeiros se a prioridade fosse a prevenção. O documento do governo já previa o "aumento da ocorrência de desastres".
Entre 2007 e 2009 o Ministério do Meio Ambiente e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente elaboraram relatórios visando identificar os impactos ambientais da implantação, pela Petrobras, do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro no município de Itaboraí. Os documentos na época já apontavam como prioritárias a remoção de imóveis de áreas de preservação permanente em Teresópolis. Ainda segundo os relatórios, o problema é agravado pela "ausência de controle e rigor dos órgãos ambientais e falta de infraestrutura para treinar os fiscais ambientais". Apesar dos diagnósticos serem antigos, apenas no final de 2010 o prefeito de Teresópolis, Jorge Mário Sedlacek (PT), apresentou um Plano Local de Desenvolvimento Sustentável. De acordo com o prefeito 200 famílias foram removidas desde o início do seu governo.
Em Friburgo o relatório da Agenda 21 também apontava irregularidades como "loteamentos clandestinos ou aprovados sem o devido estudo". No entanto, o prefeito Demerval Barboza Moreira Neto (PMDB) afirmou que não havia como evitar a tragédia. Vale lembrar que a cidade de Nova Friburgo já passou por outros desastres de grandes proporções com enchente como em 1938, 1945, 1978, 1979, 1996 e 2007.
Em 2001 temporais e enchentes mataram 60 pessoas no Estado do Rio de Janeiro, sendo 45 delas em Petrópolis. Em 2010 ocorreram 473 mortes por deslizamentos ou inundações no Brasil, sendo 316 no Rio de Janeiro. Em abril de 2010 morreram 47 pessoas e mais de 3 mil ficaram desabrigadas na tragédia do Morro do Bumba. Segundo moradores, até janeiro de 2011, as medidas preventivas como contenção das encostas não foram realizadas e após o acidente nunca mais a Defesa Civil retornou ao local. De acordo com o presidente da Associação de Vítimas do Bumba, apenas 93 famílias ganharam casas do programa Minha Casa, Minha Vida enquanto 800 ainda esperam para receber o aluguel social.
Causas do fenômeno meteorológico
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o sistema meteorológico que causou as chuvas foi a Zona de Convergência de Umidade, que parte com vapor de água da Amazônia e segue afunilando até a Região Sudeste. Em Nova Friburgo, a quantidade de chuva em 24 horas variou entre 166mm a 281mm, a depender da região do município.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) previu o temporal que atingiu a região Serrana do Rio e emitiu um aviso meteorológico especial às 16h23min de terça-feira, dia 11 de janeiro, para as Defesas Civis estaduais e municipais. As prefeituras de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis receberam os alertas mas declararam que não houve tempo pra tomar as medidas necessárias para se evitar a tragédia. A Defesa Civil estadual do RJ ignorou os avisos de alerta emitidos pelo Inmet e também pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) e seguiu as recomendações do Serviço de Meteorologia do Estado do Rio (Simerj), que não previa nenhum temporal.
Fortes chuvas, com enchentes, deslizamentos e perdas materiais e de vidas humanas, são recorrentes nas regiões tropicais brasileiras, a cada verão. O estado do Rio de Janeiro também enfrentou enchentes em janeiro e em abril de 2010, mas o governo federal contingenciou a maior parte dos recursos destinados à prevenção de acidentes naquele ano. Em resposta aos acontecimentos de 2011, a presidente Dilma Rousseff anunciou a destinação de 780 milhões de reais para reconstruir as cidades afetadas. O governo do estado do Rio de Janeiro concentrou seus recursos no resgate das vítimas soterradas e na desobstrução das estradas, e pediu o auxílio da Marinha e de órgãos da administração pública federal nos trabalhos.
O Governo disponibilizou ajuda rogada pelos municípios, porém os municípios contestaram que as dimensões do caos foram de grandes proporções, onde faltava até vacinas, por exemplo. O atendimento as vítimas foram iniciadas, as autoridades também precisam com urgência de itens de saúde, além de remédios, materiais básicos de higiene e kits de alimentação. Na região central da cidade de Teresópolis, o comércio permaneceu dias fechado. Comércio e supermercados foram alvo de saques, culminando num lastimável transtorno.
Em Areal, um aviso de "alerta máximo" feito por um carro de som impediu que os efeitos da cheia do Rio Piabanha, que corta a cidade, provocasse estragos ainda maiores. Segundo a prefeitura, na quarta-feira, dia 12 de janeiro, as autoridades do município foram avisadas da abertura das comportas da Represa do Morro Grande. Em função disso, um carro de som circulou pela cidade, alertando a população sobre a subida do nível do rio.
Grupos que atuaram no Haiti e no Chile tentavam chegar até as localidades mais atingidas, dificuldade na acessibilidade complicava cada vez mais o andamento das atividades de resgates.
Empresas, condomínios e personalidades também contribuem coletando doações e usuários do serviço de microblog Twitter, Orkut e Facebook demonstraram o poder da mobilização em redes sociais e organizaram um comboio para levar mantimentos, roupas e medicamentos para a população afetada na serra.
No dia 27 de janeiro, o governo federal anunciou a construção de 6 mil casas populares para as vítimas das chuvas na região Serrana e os empresários se comprometeram na construção de outras 2 mil casas.