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Emily Davison

Militante britânica

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Emily Wilding Davison (Londres, 11 de outubro de 1872 – Epsom, 8 de junho de 1913) foi uma sufragista britânica que lutou pelo direito de voto das mulheres no Reino Unido no início do século XX. Era membro da União Social e Política das Mulheres (WSPU) e militante da causa, tendo sido presa em nove ocasiões, feito sete greves de fome e alimentada à força em 49 vezes. Davison morreu depois de ser atropelada pelo cavalo do rei Jorge V no Derby de Epsom ao entrar na pista durante a corrida.

Davison cresceu em uma família de classe média e estudou na Faculdade Real Holloway em Londres e na Faculdade St Hugh's em Oxford, em seguida trabalhando como professora e governanta. Juntou-se à WSPU em novembro de 1906, tornando-se uma oficial na organização e comissária chefe durante suas marchas. Davison logo ficou conhecida dentro da organização por sua militância; suas táticas incluíam quebrar janelas, arremessar pedras, incendiar caixas de correio, plantar bombas e, em pelo menos três ocasiões, esconder-se durante a noite dentro do Palácio de Westminster. Seu funeral em 14 de junho de 1913 foi organizado pela WSPU e contou com uma procissão de cinco mil sufragistas e apoiadores, enquanto cinquenta mil pessoas alinharam-se ao longo do percurso por Londres; seu caixão foi em seguida levado de trem para a sepultura da família em Morpeth, em Northumberland.

Davison era uma feminista ferrenha e cristã devota, também considerando que o socialismo era uma força moral e política para o bem. Boa parte de sua vida foi interpretada a partir do modo que morreu. Ela não deu explicações sobre o que planejava fazer no derby e esta incerteza sobre seus reais motivos e intenções afetaram o modo como Davison foi julgada pela história. Várias teorias já foram apresentadas, incluindo acidente, suicídio ou uma tentativa de prender uma bandeira sufragista no cavalo do rei.

Emily Wilding Davison nasceu em 11 de outubro de 1872 na Casa Roxburgh em Greenwich, sudeste de Londres, Reino Unido. Seus pais eram Charles Davison, um comerciante aposentado, e Margaret Caisley, ambos de Morpeth, Northumberland. Charles, na época de seu casamento em 1868, tinha 45 anos e ela dezenove. Emily era a terceira de quatro filhos do casal, com sua irmã mais nova tendo morrido de difteria em 1880 aos seis anos. Este casamento foi o segundo de Charles; o primeiro tinha gerado nove filhos antes da morte de sua esposa em 1866.

A família se mudou para Sawbridgeworth, em Hertfordshire, quando Davison ainda era uma bebê. Até os onze anos estudou em casa. Seus pais voltaram para Londres e ela foi para uma escola, em seguida passou um ano estudando em Dunquerque, na França. Aos treze anos foi estudar no Colégio de Kensington e depois conseguiu em 1891 uma bolsa de estudos para estudar literatura na Faculdade Real Holloway. Seu pai morreu em 1893 e ela foi forçada a abandonar seus estudos porque sua mãe não podia arcar com os honorários de vinte libras esterlinas por semestre.

Davison tornou-se uma governanta, mas continuou estudando durante o período da noite. Conseguiu economizar dinheiro suficiente para se matricular na Faculdade St Hugh's em Oxford por um semestre para fazer suas provas finais; ela alcançou honras de primeira classe em inglês, mas não conseguiu se formar porque diplomas de Oxford eram proibidos para mulheres. Davison trabalhou brevemente em uma escola de igreja em Edgbaston entre 1895 e 1896, mas achou difícil e então foi trabalhar em Seabury, uma escola particular em Worthing, onde estava melhor estabelecida; se mudou em 1898 e se tornou uma professora particular e governanta para uma família de Northamptonshire. Começou em 1902 a estudar para um diploma da Universidade de Londres, onde formou-se em 1908 com honras de terceira classe.

Davison juntou-se à União Social e Política das Mulheres (WSPU) em novembro de 1906. Esta organização tinha sido formada em 1903 por Emmeline Pankhurst e reunia mulheres que acreditavam que táticas de militância e confronto eram necessárias para alcançar seu objetivo final: sufrágio feminino. Davison juntou-se às campanhas da WSPU e tornou-se uma oficial da organização, bem como a comissária chefe de suas marchas. Ela abandonou seu trabalho como professora em 1908 ou 1909 para se dedicar em tempo integral à WSPU. Davison começou a tomar ações cada vez mais confrontadoras, fazendo com que Sylvia Pankhurst, filha de Emmeline e outra membro de tempo integral da união, a descrevê-la como "uma das militantes mais ousadas ​​e imprudentes". Davison foi presa pela primeira vez em março de 1909; era parte de um grupo de 21 mulheres que marcharam de Caxton Hall em Londres para encontrar o primeiro-ministro H. H. Asquith, mas a marcha terminou em uma briga com a polícia e ela foi presa por "agredir policiais no exercício de suas funções". Foi sentenciada a um mês na prisão. Ao ser libertada escreveu para o Votes for Women, o jornal oficial da WSPU, dizendo que "Por meio do meu humilde trabalho nesta nobre causa, encontrei uma plenitude de alegria e um interesse pela vida que jamais havia experimentado".

Foi presa de novo em julho de 1909 junto com as colegas sufragistas Mary Leigh e Alice Paul por interromperem um encontro público barrado para mulheres, realizado por David Lloyd George, o Chanceler do Tesouro; foi sentenciada a dois meses por obstrução. Ela fez uma greve de fome e foi liberada depois de cinco dias e meio, período durante o qual emagreceu 9,5 quilogramas; ela afirmou estar se sentindo "muito fraca" em consequência. Foi presa novamente em setembro do mesmo ano por arremessar pedras e quebrar janelas durante uma reunião política; esta reunião, que era para protestar o orçamento governamental de 1909, estava aberta apenas a homens. Foi sentenciada a dois meses na prisão de Strangeways. Davison fez outra greve de fome e foi libertada após dois dias e meio. Depois disso escreveu para o The Manchester Guardian para justificar ter arremessado as pedras, dizendo que "o objetivo era alertar o público em geral sobre o risco pessoal que correm no futuro caso compareçam a reuniões de Ministros do Gabinete em qualquer lugar". Também escreveu que isto era justificado por causa da "ação inconstitucional de Ministros do Gabinete ao falarem em 'reuniões públicas' das quais uma grande parcela do público é excluída".

Davison foi presa outra vez em outubro de 1909 enquanto se preparava para arremessar uma pedra contra sir Walter Runciman, o Presidente do Conselho de Educação; ela agiu acreditando erroneamente que no carro em que ele viajava estava Lloyd George. Constance Lytton, uma colega sufragista, arremessou a primeira pedra antes da polícia intervir. Davison foi acusada de tentativa de agressão, mas liberada; Lytton ficou presa por um mês. Davison usou suas audiências no tribunal para discursar, com trechos e citações suas sendo publicadas em jornais. Duas semanas depois arremessou pedras contra Runciman em uma reunião política em Radcliffe, na Grande Manchester; foi presa e sentenciada a uma semana de trabalho forçado. Fez outra greve de fome, mas o governo autorizou alimentação forçada nos prisioneiros. O historiador Gay Gullickson descreveu a tática como "extremamente dolorosa, psicologicamente angustiante e levantava a possibilidade de morte na prisão devido a erro médico ou julgamento equivocado por parte das autoridades". Davison afirmou que a experiência "Vai me assombrar com seu horror por toda a minha vida, e é quase indescritível. ... A tortura foi bárbara". Para impedir uma repetição do ocorrido, ela barricou-se em sua cela usando sua cama e um banquinho, impedindo a entrada das autoridades. Eles quebraram um dos painéis da janela e usaram uma mangueira de incêndio contra ela por quinze minutos ao mesmo tempo que tentavam abrir a porta. A cela estava com quinze centímetros de água quando a porta foi finalmente aberta. Davison foi levada para o hospital da prisão e aquecida com garrafas d'água quentes. Foi alimentada à força pouco depois e solta após oito dias. Seu tratamento na prisão fez com que Keir Hardie, um parlamentar do Partido Trabalhista, perguntasse na Câmara dos Comuns sobre a "agressão cometida em uma mulher prisioneira em Strangeways". Davison processou as autoridades da prisão pelo uso da mangueira e recebeu em janeiro de 1910 uma indenização de quarenta xelins.

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