Elomar Figueira Mello (Vitória da Conquista, 21 de dezembro de 1937) é um compositor, escritor, violonista e cantor brasileiro. As canções de Elomar já foram regravadas e interpretadas por diversos músicos, tais como Raimundo Fagner, Elba Ramalho, Xangai, Dércio Marques, Marlui Miranda, Jurema Paes e Teca Calazans, além de influenciar compositores como Caetano Veloso.
Sua obra é marcada pela forte presença de variantes dialetais, arcaísmos e neologismos, formando uma linguagem muito característica fundada na oralidade sertaneja. Suas letras abrangem uma ampla gama de temas, na maior parte das vezes vinculado ao imaginário rural do sertanejo nordestino, ainda que com elementos medievais, cristãos e ibéricos. A obra de Elomar vem sendo objeto de amplos estudos linguísticos, antropológicos e musicais.
Elomar nasceu na Fazenda Boa Vista pertencente aos seus avós, Sr. Virgílio Figueira e Sra. Dona Maria Gusmão Figueira, "Maricota".
A formação cristã foi herdada da família. Sua avó "mãe Neném" era católica, enquanto a outra avó "Maricota" era batista. Citações sobre a Virgem Maria e sobre os Santos, assim como passagens do Velho Testamento estão sempre presentes nas letras de sua obra, como na música "Ecos de uma Estrofe de Abacuc". Seus pais eram Ernesto Santos Mello, filho de tradicional família da zona da mata de Itambé (Bahia), e Eurides Gusmão Figueira Mello.
Dos três aos sete anos de idade Elomar viveu na cidade de Vitória da Conquista, passando depois a morar nas fazendas de seus parentes como a Fazenda São Joaquim que tanto lhe inspirou músicas, a as Fazendas Brejo, Coatis e Palmeira. Estudou entre o sertão e a capital e mais tarde, no final da década de 1960, formou-se em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia. Teve também uma passagem rápida pela Escola de Música dessa mesma Universidade. Como arquiteto, Elomar concebeu mais de quatrocentos projetos na área da SUDENE, dentre eles as casas das fazendas Duas Passagens e Gameleira, mais conhecida como Casa dos Carneiros e o segundo templo da Igreja Batista de Vitória da Conquista.
Enquanto estudava na UFBA, em Salvador, foi descoberto pelo produtor musical Roberto Sant'Ana, que relata o encontro assim:
[O] maestro Carlos Lacerda, do piano, me convidou para jantar em um restaurante que tinha ali na Joana Angélica e lá eu conheci Elomar. Eu digo: “O que é isso?!”. Foi a primeira coisa: “O que é isso?!”. Perguntei a Lacerda como era que se classificava aquilo e Lacerda me disse que não tinha classificação. Bom, eu pensei, isso tem que ser registrado. Aí propus à Polygram, que na hora aceitou.
A originalidade da obra de Elomar foi rapidamente notada por Vinicius de Moraes, que sobre seu primeiro disco, Das Barrancas do Rio Gavião, escreveu:
A mim me parece um disparate que exista mar em seu nome, porque um nada tem a ver com o outro. No dia em que ‘o sertão virar mar’, como na cantiga, minha impressão é que Elomar vai juntar seus bodes, de que tem uma grande criação em sua fazenda ‘Duas Passagens’, entre as serras da Sussuarana e da Prata, em plena caatinga baiana, e os irá tangendo até encontrar novas terras áridas, onde sobrevivam apenas os bichos e as plantas que, como ele, não precisam de umidade para viver, e ali fincar novos marcos e ficar em paz entre suas amigas, as cascavéis e as tarântulas, compondo ao violão suas lindas baladas e mirando sua plantação particular de estrelas que, no ar enxuto e rigoroso, vão se desdobrando à medida que o olhar se acomoda ao céu, até penetrar novas fazendas celestes, além, sempre além, no infinito latifúndio
Casado com Adalmária de Carvalho Mello é o pai de Rosa Duprado, João Ernesto e do violonista e maestro João Omar.
Elomar prefere viver a maior parte do seu tempo nas suas fazendas. A Fazenda Gameleira, que ele chama de Casa dos Carneiros, imortalizada na música Cantiga do Amigo, está a 22 Km de Vitória da Conquista, na Fazenda Duas Passagens que se localiza na bacia do Rio Gavião e na Fazenda Lagoa dos Patos, na Chapada Diamantina.
Elomar, assim como o cantor de Itapebi Xangai, é descendente direto do Bandeirante e Sertanista João Gonçalves da Costa, fundador em 1783 do Arraial da Conquista, hoje a cidade de Vitória da Conquista.
Orlando Celino, pintor conquistense, o único que Elomar permitiu retratá-lo, recebeu em 2003 a encomenda para pintar um quadro de João Gonçalves da Costa que iria integrar ao monumento de Jacy Flores, em Vitória da Conquista. Não existindo gravura deste personagem histórico, Elomar, como descendente, permitiu que as suas feições fossem usadas para a representação deste seu ancestral. Este quadro, denominado Capitão-Mor João Gonçalves da Costa, está hoje na Casa Régis Pacheco, em Vitória da Conquista, um museu político e casa de eventos inaugurado em 05 de abril de 2007.
De 2000 a 2004 viveu na pequena cidade de Lagoa Real, contratado pela Prefeitura local, para formar um coral e criar um projeto de ópera sertaneja.
Depois que gravou seu primeiro disco …Das Barrancas do Rio Gavião, passou a investir mais na sua carreira musical, bastante influenciada pela tradição ibérica e árabe que a colonização portuguesa levou ao nordeste brasileiro, mas foi só no final dos anos 1970 e início dos 80 que deu menos ênfase à arquitetura para dedicar-se à peregrinação pelos teatros do país, de palco em palco, tocando e interpretando o seu cancioneiro e trechos do que viriam a ser suas composições de formato erudito, como autos.
O álbum “Dos Confins do Sertão” gravado em 1986 e publicado na Alemanha Ocidental, a convite especial do governo dali (na época em que se aplicava o "Ocidental"). Este trabalho foi o resultado de uma apresentação em um Festival de música Ibero-Americana, do qual o autor recebeu o Primeiro Prêmio Internacional de melhor disco estrangeiro não europeu no festival Ibero-americano de 1987, na Alemanha
De acordo com a professora Jerusa Pires Ferreira, as músicas de Elomar "Ajuntam céus e terras, crenças e vivências, coisas grandes e pequenas, e se organiza a recriação do grande texto oral, sertanejo, Ibérico e universal. É como se ouvisse um canto de milênios, os gêneros da poesia medieval, do grande relato épico, o mundo misterioso, mais a captação de flagrantes da vida sertaneja".
Boa parte dos textos musicais e obras de Elomar são escritos em linguagem dialetal sertaneza (sic), título que lhe foi dado pelo próprio Elomar.