Elizabeth Helen Blackburn (Hobart, 26 de novembro de 1948) é uma Australiana-Americana, laureada com um prêmio Nobel, e foi Presidente do Salk Institute for Biological Studies. Anteriormente, ela foi uma pesquisadora na área de biologia na University of California, San Francisco, e estudou o telômero, uma estrutura localizada no final dos cromossomos que protege o cromossomo. Em 1984, Blackburn participou da descoberta da telomerase, a enzima que preenche o telômero, juntamente com Carol W. Greider. Por esse trabalho, ela recebeu o Prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina de 2009, em conjunto com Greider e Jack W. Szostak, se tornando a única pessoa nascida na Tasmânia a receber um prêmio Nobel. Ela também trabalhou em Ética na Medicina, e foi demitida do Conselho Presidencial de Bioética da Administração Bush em meio a uma grande controvérsia.
Elizabeth Helen Blackburn nasceu em Hobart, Tasmania, no dia 26 de Novembro de 1948 e seus pais eram ambos médicos de família. Sua família se mudou para a cidade de Launceston quando ela tinha 4 anos de idade, e lá ela cursou a Broadland House Church of England Girls' Grammar School (que mais tarde se juntou a Launceston Church Grammar School) até os 16 anos de idade. Quando sua família se mudou para Melbourne, ela cursou a University High School, e recebeu notas altíssimas no exame estadual realizado no final do ano. Ela se tornou Bacharel em Ciências em 1970 e obteve o título de Mestre em Ciências em 1972, ambos na University of Melbourne no campo da bioquímica. Blackburn então recebeu o seu título de Doutora (PhD) em 1975 na University of Cambridge, onde ela trabalhou com Frederick Sanger desenvolvendo métodos para sequenciar DNA usando RNA, assim como estudou o bacteriófago Phi X 174. Foi também no Medical Research Council (MRC), Laboratório de Biologia Molecular da Universidade, onde Blackburn conheceu seu marido John Sedat. Seu noivo havia aceitado um trabalho na Universidade de Yale, então Blackburn decidiu realizar seu pós-doutorado naquela Universidade. “Portanto, foi o amor que me levou a mais afortunada escolha: o laboratório de Joe Gall em Yale.” Então, Elizabeth foi para a Yale University para completar o seu pós-doutorado.
Durante seu pós-doutorado em Yale, Blackburn estava realizando pesquisa no protozoário Tetrahymena thermophil e notou um codon repetitivo no final de um rDNA que variava em tamanho. Blackburn então notou que esse hexanucleótidio no final do cromossomo continha uma sequencia TTGGGG que era aleatoriamente repetida, e a terminação dos cromossos é palindríca. Essas características permitiram a Blackburn e seus colegas desenvolver novas pesquisas no protozoário. Usando o final repetido telomérico de Tetrahymena, Blackburn e seu colega Jack Szostak mostraram os plasmídeos replicadores instáveis de levedura eram protegidos da degradação, provando que essas sequências continham características de telômeros. Essa pesquisa também provou que a repetição telomérica de Tetrahymena eram conservados evolucionariamente entre as espécies. Através dessa pesquisa, Blackburn e seus colaboradores notaram que o sistema de replicação dos cromossomos não deveria adicionar ao comprimento do telômero, e que a adição desses hexanucleotídeos aos cromossomos foi provavelmente devida à atividade da enzima capaz de transferir grupos funcionais específicos.
A proposição de uma possível enzima semelhante à transferase levou a estudante de Blackburn e PhD Carol W. Greider à descoberta de uma enzima com atividade de transcriptase reversa que era capaz de preencher as extremidades terminais dos telômeros sem deixar o cromossomo incompleto e incapaz de se dividir sem perda do fim do cromossomo. Essa descoberta de1985 levou à purificação dessa enzima em laboratório, mostrando que a enzima semelhante à transferase continha ambos RNA e componentes de proteína. A porção RNA da enzima serviu como um template para adicionar os repetidores telerômicos (repetição telomérica) ao telômero incompleto, e a proteína adicionou função enzimática para adição desses repetidores. A partir dessa descoberta, o nome “telomerase” foi dado à enzima, resolvendo o problema do processo de replicação final que instigava os cientistas da época.
A telomerase funciona adicionando pares de bases à saliência do DNA na extremidade 3', estendendo o filamento até que a DNA polimerase e um primer de RNA possam completar a cadeia complementar e sintetizar com sucesso o DNA de filamento duplo. Como a DNA polimerase sintetiza apenas o DNA na direção da fita principal, os telômeros são encurtados. A partir de sua pesquisa, Blackburn e seus colaboradores foram capazes de mostrar que o telômero é eficientemente preenchido pela enzima telomerase, a qual conserva a divisão celular a partir da prevenção da rápida perda de informação genética interna ao telômero, o que leva ao envelhecimento celular.
Em 1 de Janeiro de 2016, Blackburn foi entrevistada sobre seus estudos na descoberta da telomerase e sobre suas pesquisas atuais. Quando perguntada se poderia relembrar o momento em que a telomerase foi descoberta ela respondeu: :Carol tinha feito esse experiment, e nós estávamos parados, no laboratório, e eu me lembro de estar ali, parada, e ela tinha isso – nós chamamos isso de gel. É um autoradiograma porque havia traços de radioatividade que eram suados para gerar uma imagem dos produtos do DNA separados do que acabou se tornando a reação da enzima telomerase. Eu me lembro de olhar para isso e pensar, 'Ah! Isso pode ser muito grande. Me parece perfeito.' Havia um padrão no que víamos. Havia algo que não era simplesmente um lixo, e que era realmente algo se tornando realidade, apesar de que agora olhamos para trás, e poderíamos dizer, tecnicamente, que também tinha isso e aquilo, mas era um padrão que despontava, e tivemos essa sensação, 'Ah! Tem algo real aqui.' Mas então, naturalmente, um bom cientista tem que sempre duvidar e imediatamente dizer 'Okay, nós vamos conduzir testes por todos os lados, e vamos conseguir cravar isso de uma maneira ou de outra.' Se isso vai ser real, você tem que ter certeza que é real, porque você pode encontrar muitas pistas falsas, especialmente se você quer muito encontrar algo que funcioneEm 1978, Blackburn se juntou ao corpo docente da University of California, Berkeley, no Department de Biologia Molecular. Em 1990, ela se mudou para o Departamento de Microbiologia e Imunologia da University of California, San Francisco (UCSF), do outro lado da Baía de São Francisco, onde ela foi chefe de departamento de 1993 até 1999 e foi a Professora Morris Herzstein de Biologia and Fisiologia na UCSF. Blackburn se tornou Professora Emérita na UCSF no final de 2015.
Em 2015, Elizabeth Blackburn foi anunciada como a nova Presidente of the Salk Institute for Biological Studies em La Jolla, California. “Poucos cientistas conseguem reunir esse tipo de admiração e respeito que a Dra. Blackburn recebe de seus pares por suas descobertas científicas e por sua liderança, serviços e integridade,” disse Irwin M. Jacobs, Presidente do Conselho do Salk's Board of Trustees, quando Blackburn foi anunciada como Presidente do Instituto. “Sua percepção profunda como cientista, sua visão como lider, e sua personalidade acolhedora serão de um valor incalculável durante sua gestão do Salk Institute em sua jornada contínua de descobertas.” Em 2017, ela anunciou seus planos para se aposentar do Salk Institute no ano seguinte.
Pela sua pesquisa e contribuições para o entendimento de telômeros e da enzima telomerase, Elizabeth Blackburn, Carol Greider e Jack Szostaks receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 2009. A extensa pesquisa sobre os efeitos da proteção do cromossomo a partir da telomerase, e o impacto que isso causa da divisão celular tem sido um catalisador revolucionário no campo da biologia molecular. Por exemplo, a adição de telomerase a células que não possuem essa enzima mostrou ultrapassar o limite de envelhecimento celular naquelas células, criando, portanto, um vínculo entra essa enzima com a redução do envelhecimento celular.