As eleições autárquicas portuguesas de 1976 foram realizadas a 12 de dezembro.
Foram as primeiras eleições para eleger os órgãos locais depois da Revolução dos Cravos. Foram eleitos 304 presidentes de câmara municipais, 1 906 vereadores municipais, 5 130 deputados municipais, 4 035 presidentes de junta de freguesia (787 dos quais em plenário de cidadãos eleitores) e 26 286 membros de assembleias de freguesia.
Os resultados destas eleições deram a vitória ao Partido Socialista (PS), que conseguiu cerca de 33% dos votos, apesar de ter empatado com o Partido Popular Democrático (PPD) em número de presidentes de câmara: 115. De realçar, também, a abstenção, que rondou os 35%, número alto tendo em conta que nas eleições legislativas portuguesas de 1976 a abstenção havia sido de aproximadamente 16%.
Em relação às capitais de distrito e de região autónoma o PS venceu em dez. Em Lisboa, com Aquilino Ribeiro Machado e no Porto, com Aureliano Capelo Veloso, bem como em Braga (Francisco Mesquita Machado), Castelo Branco (Armindo Ramos), Coimbra (Judite Mendes de Abreu), Faro (Joaquim Lopes Belchior), Guarda (Vítor Cabeço), Portalegre (Fernando Soares), Santarém (Ladislau Botas) e Setúbal (Ernesto Victorino). O PPD conseguiria seis: Bragança (José Luís Pinheiro), Leiria (Carlos Pimenta), Viana do Castelo (António Cunha) e Vila Real (Armando Moreira), além das capitais das regiões autónomas Funchal (Virgílio Pereira) e Ponta Delgada (Carlos Bettencourt). A FEPU conquistaria Beja (José dos Reis Colaço) e Évora (Abílio Dias Fernandes) e o CDS Aveiro (José Girão Pereira) e Viseu (Eduardo Leal Loureiro).
Nos vinte maiores municípios, o PS venceu em treze: os já referidos Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Setúbal, além de Oeiras (Carlos Alberto Andrade Neves), Loures (António Riço Calado), Vila Nova de Gaia (António Coutinho da Fonseca), Sintra (Júlio Batista dos Santos), Cascais (António Gonçalves Ferreira), Matosinhos (Mário Maia), Guimarães (Edmundo Campos) e Gondomar (José Luís Araújo). O PPD, além de Funchal e Leiria, ganharia na Vila da Feira (Aurélio Gonçalves Pinheiro), Vila Nova de Famalicão (José Carlos Marinho) e Barcelos (João Baptista Machado). A FEPU sairia vencedora em Almada (José Martins Vieira) e Barreiro (Hélder Madeira).
Partidos e coligações candidatas
Na noite eleitoral transmitida na RTP1, teve lugar um debate, moderado por Joaquim Letria, sobre o poder local, que contou com a participação dos líderes dos quatro principais partidos à época: Mário Soares (Partido Socialista), Francisco Sá Carneiro, (Partido Popular Democrático), Diogo Freitas do Amaral (Partido do Centro Democrático Social) e Álvaro Cunhal (Frente Eleitoral Povo Unido, coligação entre o Partido Comunista Português, o Movimento Democrático Português e a Frente Socialista Popular).
Câmaras e vereadores municipais
Nota: Portugal tinha 4 035 freguesias na data das eleições. Realizaram-se eleições em 3 238 freguesias, contudo em 16 ocorreram empates, impedindo a eleição do presidente da junta e obrigando à realização de novas eleições em data posterior, sendo eleitos nesta data apenas 3 222 presidentes de junta. Não se realizaram eleições para a assembleia de freguesia em 797 freguesias, em 10 por não terem sido apresentadas listas candidatas e em 787 por serem freguesias com menos de 301 eleitores inscritos, as quais não têm assembleia de freguesia e elegem os membros da junta (presidente, tesoureiro e secretário) em plenário de cidadãos eleitores. Em relação aos membros das assembleias de freguesia, existiam à partida 26 286 mandatos por atribuir. Devido a empates, foram eleitos apenas 26 165, ficando por atribuir 121 mandatos (118 nas 16 freguesias em que ocorreu empate no vencedor, e outros 3 em 3 freguesias em que o empate se deu nas listas que não venceram).
Resultados por distrito (câmara municipal)
Eleições autárquicas intercalares: 1976–1979
No período entre as eleições autárquicas de 1976 e as eleições autárquicas de 1979, quatro câmaras municipais e 33 assembleias de freguesia foram dissolvidas, obrigando a eleições intercalares.
No caso das câmaras municipais, tal aconteceu em Mirandela (10 de setembro de 1978), Évora (19 de novembro de 1978) e em Valença e Belmonte (ambas a 29 de abril de 1979).