Edwin van der Sar (Voorhout, 29 de outubro de 1970) é um ex-futebolista neerlandês que atuava como goleiro. Ídolo do Ajax e do Manchester United, é considerado um dos maiores e melhores goleiros da história do futebol.
Entrevistado por Maarten Arts, treinador de goleiros neerlandês, para o livro "The Soccer Goalkeeper Coach", Edwin revelou que, originalmente, não era goleiro. Entretanto, quando tinha oito anos, o goleiro do time em que jogava não compareceu a um jogo e o treinador pediu a Edwin que ocupasse o lugar do colega, dizendo "Você é o mais alto do time, então tente". A experiência deu certo e o neerlandês achou a posição na qual seguiria pelo resto da carreira.
Edwin começaria a jogar num clube amador de sua cidade natal, o Foreholte, onde passaria mais cinco anos, quando iria para o VV Noordwijk. Até que Louis van Gaal, então auxiliar técnico de Leo Beenhakker, treinador do Ajax, foi a Noordwijk, procurando um goleiro para o time de juniores. Lá, o treinador do time em que Van der Sar atuava, Ruud Bröring, sugeriu o nome de Van der Sar a Van Gaal, com quem Bröring jogava cartas num grupo de amigos. Começou aí a fase profissional da carreira do arqueiro, que iria para os times de base do clube de Amsterdã, aperfeiçoando-se na afamada escola De Toekomst (O Futuro), onde o Ajax forma jogadores para o elenco principal.
Não demoraria muito e Van der Sar subiria, em 1990, para o time principal do Ajax, inicialmente como reserva de Stanley Menzo, titular da equipe havia seis anos. Na temporada 1990–91 da Eredivisie (Campeonato Neerlandês), Edwin teria a primeira oportunidade jogando no time titular, entrando no lugar do contundido Menzo durante uma partida contra o Sparta Roterdã, no dia 23 de abril de 1991. Um ano mais tarde, ainda na reserva de Menzo, conquistaria seu primeiro título pelo Ajax, a Copa da UEFA, na qual o clube neerlandês venceu o Torino, da Itália, na final.
E em 1993, além do triunfo na Copa dos Países Baixos, Van der Sar finalmente conquistaria a titularidade no gol do Ajax. Tudo se deveu a uma terrível atuação de Stanley Menzo no jogo de ida das quartas de final da Copa da UEFA de 1992–93, entre o Ajax e o Auxerre, da França: Menzo marcou um gol contra e falhou em outro tento do Auxerre. E o mesmo Louis van Gaal que contratara Van der Sar, àquela altura já treinador do time, deu o posto de titular a ele. Desde então, Van der Sar foi titular numa fase de muitas conquistas do Ajax: os títulos holandeses de 1993–94 e 1994–95, além da Liga dos Campeões da UEFA de 1994–95. No time campeão europeu, além do já veterano Frank Rijkaard, toda uma geração de jogadores que desenvolveram-se junto do goleiro também seria titular, destacando-se Marc Overmars, Edgar Davids, Patrick Kluivert, os irmãos De Boer (Ronald e Frank) e os nigerianos Nwankwo Kanu e Finidi George.
Van der Sar foi, então, considerado um dos pilares do título, por ter aliado a segurança debaixo das traves à habilidade em jogar com os pés, chegando mesmo a iniciar jogadas de ataque e a trocar passes com os zagueiros, como se fosse um líbero. Tal estilo de jogo rendeu a ele o troféu de "Melhor Goleiro Europeu" de 1995, dado pela UEFA. E a lista de triunfos em 1995 continuou: além do bicampeonato neerlandês e da Supercopa da UEFA — esta última, vencendo o Zaragoza, da Espanha —, o Ajax também voltou a ser campeão mundial, vencendo a Copa Intercontinental ao derrotar o Grêmio, nos pênaltis, por 4–3, após um empate sem gols nos 120 minutos de jogo. Van der Sar exerceu papel decisivo na partida em Tóquio, ao defender a cobrança de Dinho e ver Francisco Arce errar a dele.
Na temporada seguinte, 1995–96, apesar da conquista do tricampeonato neerlandês pelo Ajax, Van der Sar fez parte da equipe que foi novamente à final da Liga dos Campeões da UEFA, mas que foi derrotada pela Juventus, em outra disputa por pênaltis. Seria o início do fim do longo período do goleiro no Ajax: em 1999, após quatro prêmios de melhor goleiro da Eredivisie e um troféu de melhor jogador do ano, chegava a hora de Van der Sar sair dos Países Baixos. E, logo após conquistar seu quarto título neerlandês, ao cabo de 226 partidas com a camisa 1 do Ajax (e um gol, num pênalti convertido na goleada de 8–1 aplicada pelo time contra o De Graafschap, em jogo válido pelo Campeonato Neerlandês 1997–98), ele se transferiu para a Juventus, sendo o primeiro goleiro não-italiano a jogar pelo time de Turim.
Van der Sar chegou à Juventus tendo a seu lado colegas como Zinédine Zidane e Edgar Davids, sendo o último ex-companheiro de Ajax. Todavia, sua passagem pela equipe foi considerada decepcionante: no primeiro torneio disputado como titular do alvinegro turinês, a Serie A da temporada 1999–00, o neerlandês viu seu time perder o título para a Lazio na última rodada. A situação não melhoraria na temporada seguinte, 2000–01: na Liga dos Campeões da UEFA, a Juventus seria eliminada logo na primeira fase, e novamente seria vice-campeã italiana. Van der Sar foi criticado por algumas falhas cometidas.
O fim da passagem pela Juventus chegou na metade de 2001. Após o fim da temporada, os diretores do clube italiano asseguraram-lhe a permanência entre os titulares e descartaram a contratação de outro goleiro. Mas a pressão da torcida pelos maus resultados fez com que voltassem atrás em sua decisão, contratando Gianluigi Buffon e dando ao arqueiro italiano a vaga de titular. Sentindo-se traído pelo clube italiano, e com propostas de clubes como Manchester United, Arsenal e Liverpool, o neerlandês aceitou a proposta feita pelo Fulham, da Inglaterra, através do então técnico do clube, o francês Jean Tigana, transferindo-se para o clube britânico em agosto de 2001.
Na primeira temporada pelo Fulham, Van der Sar foi dos principais jogadores a ajudar o time a chegar às semifinais da Copa da Inglaterra. Na temporada seguinte, 2002–03, encerrou seu jejum pessoal de títulos, vencendo a Copa Intertoto de 2002 e voltando a notabilizar-se por várias defesas de pênaltis: se, na temporada anterior, já havia defendido uma cobrança de Alan Shearer, durante uma partida contra o Newcastle, pela Premier League, defenderia três em 2002, também pela Liga Inglesa, sendo uma novamente cobrada por Shearer. As outras foram cobradas pelos trinitários Stern John — em uma partida contra o Birmingham City — e Dwight Yorke — quando o Fulham enfrentou o Blackburn Rovers, clube pelo qual atuava Yorke. Entretanto, na metade do campeonato, sofreu uma contusão que o deixaria fora de boa parte das partidas.
De volta aos campos na Premier League de 2003–04, Van der Sar teve seu melhor campeonato em muito tempo. Já na primeira partida, contra o Middlesbrough, Van der Sar defendeu seu quarto pênalti com a camisa do Fulham, ajudando o clube londrino a vencer por 1–0. No dia 25 de outubro de 2003, teria outra performance excelente no triunfo contra o então campeão inglês, o Manchester United. Um mês e cinco dias mais tarde, com defesas milagrosas, foi decisivo no empate que os Cottagers arrancaram contra o Arsenal, que se sagraria campeão inglês ao final da temporada, de modo invicto. E, no dia 17 de abril de 2004, teria outra performance espetacular, na partida entre e Liverpool, fora de casa, segurando o empate sem gols — que seria decisivo para a permanência do Fulham na Premier League — e defendendo mais uma cobrança de pênalti, feita por Steven Gerrard. Ao final da temporada, foi considerado o melhor jogador do Fulham em 2004. Na temporada seguinte, Van der Sar novamente fez um campeonato considerado bom pelo Fulham, tendo como principal performance o jogo contra o Aston Villa no dia 2 de fevereiro de 2005, quando defendeu dois pênaltis, ambos cobrados por Juan Pablo Ángel. E, ao fim daquela temporada, finalmente o interesse de longa data que o Manchester United tinha pelo goleiro foi correspondido: buscando encerrar a procura que o clube fazia por um arqueiro confiável após a saída de Peter Schmeichel, em 1999, Alex Ferguson fechou negócio com Van der Sar.
No Manchester United, Van der Sar teve uma das passagens mais vitoriosas da carreira. Titular absoluto na equipe comandada por Alex Ferguson, o goleiro holandês conquistou vários troféus, com destaque a quatro títulos da Premier League (2006–07, 2007–08, 2008–09 e 2010–11), uma Liga dos Campeões da UEFA (2007–08) e um Mundial de Clubes (2008). No título da Liga dos Campeões, Van der Sar foi considerado o destaque da final: na decisão por pênaltis contra o Chelsea, após 1–1 no tempo normal e na prorrogação, o goleiro defendeu a cobrança decisiva de Nicolas Anelka, definindo o triunfo do Manchester United na série de cobranças, por 6–5. Com tal feito, não só foi escolhido o melhor jogador daquela final, mas também o melhor goleiro da temporada europeia de futebol em 2007–08.