Eduardo Alberto Duhalde (Pronúncia espanhola: [eˈðwardo alˈβerto ˈðwalde]; Lomas de Zamora, 5 de outubro de 1941) é um advogado e político argentino que serviu como presidente de seu país de 2002 a 2003. Nascido na Grande Buenos Aires, foi eleito para a legislatura local e nomeado prefeito em 1973. Foi deposto durante o golpe de Estado de 1976 e eleito novamente quando a democracia foi restaurada em 1983. Foi o vice-presidente da Argentina de 1989 a 1991, no governo de Carlos Menem.
Duhalde renunciou como vice-presidente e foi eleito governador da província de Buenos Aires em 1991, sendo reeleito em 1995. Concorreu à presidência em 1999, mas foi derrotado por Fernando de la Rúa. De la Rúa renunciou à presidência em meio aos protestos de dezembro de 2001, e o Congresso nomeou o governador da província de San Luis, Adolfo Rodríguez Saá, como presidente. Quando Rodríguez Saá também renunciou, o Congresso nomeou Duhalde. Durante seu mandato, uma enorme desvalorização da moeda e um aumento da taxa de câmbio levaram a uma recuperação gradual. Duhalde apoiou, de forma bem-sucedida, o candidato Néstor Kirchner contra Menem, que tentou um novo mandato presidencial. Teve disputas políticas com Kirchner nos últimos anos e está em grande parte aposentado da política desde a sua derrota na eleição presidencial de 2011.
Eduardo Alberto Duhalde nasceu em Lomas de Zamora, na Grande Buenos Aires. Graduou-se em direito em 1970. Foi eleito para a legislatura da cidade no ano seguinte e a presidiu. Juntou-se ao Partido Justicialista (PJ), e logo se tornou o líder de seu partido local. Foi eleito para a legislatura local de Lomas de Zamora, e indicado seu presidente. A legislatura cassou o prefeito Ricardo Ortiz, bem como Pedro Turner, que foi nomeado prefeito depois. Isso fazia parte de uma reorganização política promovida pelo presidente Juan Perón. Com isso, Duhalde foi nomeado prefeito em 1973. Muitos membros da juventude peronista foram mortos em Lomas de Zamora durante o massacre de Pasco, o qual Duhalde culpou da Aliança Anticomunista Argentina. Foi removido do cargo com o avento do golpe de Estado argentino de 1976. Nos anos seguintes, trabalhou como corretor de imóveis.
O regime democrático foi restaurado em 1983, e Duhalde concorreu para prefeito de Lomas de Zamora. Sendo um centrista, o PJ nomeou-lhe seu candidato em um acordo entre as facções internas opostas. As eleições terminaram com um empate técnico com o candidato da União Cívica Radical (UCR), Horacio Devoy; Duhalde ganhou por apenas setecentos votos. Houve um empate nas eleições para a legislatura local, já que tanto o PJ quanto o UCR elegeram onze legisladores. Duhalde reportou que um coronel procurou seu apoio para um possível golpe contra o recém-eleito presidente Raúl Alfonsín. Duhalde se recusou e denunciou o ocorrido diretamente ao próprio Alfonsín. Foi eleito deputado nacional em 1987 e tornou-se vice-presidente da Câmara dos Deputados argentina. Também estabeleceu uma comissão para combater a dependência de drogas.
O PJ realizou eleições primárias para a eleição presidencial de 1989 entre Carlos Menem, governador de La Rioja, e Antonio Cafiero, governador da província de Buenos Aires. Menem ganhou a primária e escolheu Duhalde como seu companheiro de chapa; ambos foram eleitos na eleição geral. Duhalde não gostava do trabalho legislativo, e preferia trabalhar com a administração de um distrito. Menem sugeriu ao vice que concorresse ao governo da populosa província de Buenos Aires, o que Duhalde aceitou com a condição do governo repassar grandes quantidades de recursos. Esta proposta foi apoiada no Congresso por Alfonsín, que levou a uma aliança constante entre ambos os políticos. Duhalde foi eleito governador, encerrando a influência política do governador Antonio Cafiero.
Duhalde pretendia concorrer à presidência em 1995, após o primeiro mandato de Menem no cargo. Menem promoveu a alteração de 1994 da Constituição argentina que lhe permitiu concorrer a um segundo mandato consecutivo como presidente. Incapaz de derrotar Menem nas eleições primárias, Duhalde promoveu uma emenda na constituição provincial, para também permitir sua reeleição como governador. O PJ não conseguiu garantir a maioria da câmara constituinte, e os três partidos opositores (UCR, Frente Grande e MODIN) uniram forças em uma "tripla aliança" para evitar a sanção da reeleição. Eventualmente, o MODIN mudou de lado e apoiou a reeleição, com a condição de que um referendo provincial aprovasse a proposta. O referendo permitiu a reeleição de Duhalde, que também ganhou as eleições gerais. Menem também foi reeleito na eleição presidencial de 1995, e Duhalde aumentou suas críticas ao presidente, afirmando que ele deveria deixar as políticas neoliberais e liderar um governo mais perto das doutrinas peronistas.
Como a nova constituição permitiu a reeleição uma única vez, o PJ iniciou uma discussão interna sobre a liderança do partido após a presidência de Menem. Duhalde anunciou suas intenções de concorrer à presidência em 1999 pouco depois das eleições de 1995, levando a uma ferrenha disputa com Menem. O presidente promoveu uma campanha publicitária denominada "Menem '99", apesar dos limites de mandato, para evitar ser considerado um "pato manco." Também encorajou o governador de Tucumán, Palito Ortega, a concorrer à presidência. A imagem política de Duhalde foi manchada por uma série de escândalos que ocorreram e questões reveladas por jornalistas investigativos. Alguns dos escândalos foram relacionados ao governo nacional, como o escândalo sobre as vendas de armas argentinas ao Equador e à Croácia, e prejudicou a reputação de todo o PJ. Outros escândalos envolveram Duhalde mais diretamente, como os casos de corrupção na polícia provincial de Buenos Aires e o assassinato do fotógrafo de notícias José Luis Cabezas. O PJ perdeu as eleições de meio de mandato de 1997, e Menem renovou a campanha "Menem '99". Entretanto, a Suprema Corte decidiu que sua tentativa de concorrer a outro mandato presidencial era inconstitucional. Ortega concorreu a vice-presidente na chapa com Duhalde, mas ambos foram derrotados pelo radical Fernando de la Rúa.
O governo de de la Rúa enfrentou uma crise econômica e os protestos de 2001, e o presidente renunciou dois anos depois de assumir. De la Rúa pensou que Duhalde havia organizado um golpe de Estado contra ele. Rodolfo Terragno, chefe do Gabinete dos Ministros de de la Rúa, pensou, em vez disso, que a crise era o resultado exclusivo da manutenção da paridade peso-dólar apesar dos custos gerados. Duhalde e outros peronistas entrevistados por Ceferino Reato para o livro Doce noches disseram que o PJ não tinha interesse em remover de la Rúa do poder, uma vez que ele era tão impopular que o partido ganharia a eleição presidencial de 2003 sem grandes problemas.
De la Rúa liderou o país durante uma crise econômica e renunciou em meio aos protestos de dezembro de 2001. Como seu vice-presidente já havia renunciado meses antes, o Congresso foi convocado a nomear um novo presidente. Onze províncias pouco populadas e governadores peronistas formaram um bloco, a "Frente Federal", e reuniram os votos necessários para nomear o governador da província de San Luis, Adolfo Rodríguez Saá. As primeiras ações administrativas de Rodríguez Saá provocaram novos protestos, e o PJ não o apoiou totalmente. Ele pediu uma reunião com governadores em Chapadmalal, mas apenas seis dos 23 governadores participaram. Ele renunciou alguns dias depois, e acusou Duhalde de conspirar contra ele, juntamente com o governador de Córdoba, José Manuel de la Sota.
O Congresso foi convocado novamente para nomear um novo presidente. A "Frente Federal" foi enfraquecida pelo fracasso de Rodríguez Saá, e as províncias com maiores populações aumentaram sua influência. Os prováveis candidatos eram Duhalde, de la Sota e Carlos Ruckauf, o governador da província de Buenos Aires na época. Menem, que ainda tinha legisladores leais a ele, queria evitar que Duhalde se tornasse presidente e propôs nomear o governador de Misiones, Ramón Puerta. Puerta era o presidente interino enquanto o Congresso deliberou pela primeira vez, mas ele se recusou a ser nomeado presidente ou mesmo a servir como presidente interino pela segunda vez (Eduardo Camaño tornou-se o presidente interino em seu lugar). Puerta conversou com Duhalde e opinou que, sem de la Rúa e Álvarez, ele era o político com a maior legitimidade para ser nomeado presidente, uma vez que ficou em segundo lugar na eleição de 1999 e ganhou as eleições legislativas de 2001 na província de Buenos Aires, o distrito da Argentina com a maior população. Alfonsín deu a Duhalde um apoio decisivo, instruindo os legisladores radicais a votarem nele e dando-lhe dois ministros, os radicais Horacio Jaunarena e Jorge Vanossi. Os legisladores leais a Menem acabaram votando em Duhalde. O apoio dos radicais permitiu que Duhalde governasse o país pelo restante do mandato de de la Rúa, em vez de governar por noventa dias e exigindo nova eleição, como foi o caso de Rodríguez Saá. Duhalde foi nomeado presidente em 2 de janeiro de 2002.