Carlos Eduardo Taddeo (São Paulo, 24 de agosto de 1975), mais conhecido como Eduardo, é um rapper, compositor, ativista, advogado, palestrante e escritor brasileiro. Ele foi um dos líderes do grupo Facção Central, no qual era vocalista e principal letrista. Deixou o grupo em 18 de março de 2013.
Carlos Eduardo Taddeo é filho de uma faxineira que teve quatro filhos em dois casamentos. Moravam em Santos, no litoral de São Paulo, antes de mudarem para a região central da capital paulistana, especificamente nos bairros do Glicério e Cambuci. Seu pai biológico era empresário da noite, mas casado oficialmente com outra mulher, embora inicialmente desse assistência a mãe de Eduardo.
No entanto, as dificuldades se agravaram com o afastamento gradativo do pai, que fizeram com que a mãe e os quatro filhos fossem morar em pensões, com banheiros coletivos. Aposentada por invalidez, com o mal de Chagas, “às vezes ela pedia esmola ou cesta básica na igreja”. Segundo depoimento pessoal, “às vezes, só tinha arroz e o feijão era aquela água”, o que o obrigava a ajudar a mãe pegando frutas e legumes nos fins de feira.
Estudou em escola pública até a quinta série do ensino fundamental, tendo abandonado os estudos logo depois. Míope, tinha vergonha de usar óculos. Suas roupas eram surradas e os tênis, velhos. Ganhava alguns trocados tomando conta de carro na rua.
Convivendo com o cotidiano do crime, a violência despertava nele um desejo de ser bandido. “Eu via os caras com tênis novos e queria ser criminoso”. Aos sete anos, "Carlos Eduardo Taddeo" furtou um toca-fitas e roubou dólares de um japonês. Noutra situação, foi parar na delegacia para averiguação de furto em um supermercado, mas saiu sem maiores consequências. Aos nove anos, começou a se envolver com outros criminosos, levando e trazendo armas. Odiava álcool, mas não benzina, maconha e cocaína e experimentou até crack. Com 16 anos, praticou assaltos à mão armada.
Eduardo atribui sua salvação do mundo do crime a um sujeito cujo apelido era Equipado, que era namorado de sua irmã e um pouco mais velho. Tinha esse apelido porque ia para a escola cheio das tralhas que roubava. Uma vez, Equipado mostrou um gravador com uma fita cassete da música "Corpo Fechado", de Thaíde & DJ Hum, que Eduardo escutou. “Aquilo me pegou”, ele conta. “Era uma coisa de falar rimando, que eu achei que podia fazer. Escrevi uma letra, mostrei para o Equipado, e ele disse que eu mandava bem. Daí não parei mais.”
Dessa brincadeira, Eduardo perseguiu o sonho de ser rapper e, no fim da década de 1980, formou um grupo integrado por garotos de rua chamado "Esquadrão Menor". Sem conseguir engrenar, o grupo se desfez e Eduardo aceitou um convite do sogro, então maître do Hotel Hilton, para trabalhar como ajudante de cozinha. Passou dois anos nessa função.
Sob o vulgo de "F7", Eduardo entrou para o Facção Central no início dos anos 90 após receber convite de Washington Roberto Santana, mais conhecido como Dum-Dum. Os integrantes do grupo eram Nego (atualmente conhecido como Mag, que deixou o grupo em 1994 alguns meses antes do lançamento do primeiro disco oficial do Facção), Eduardo, Dum-Dum e DJ Garga.
O grupo gravou o seu primeiro álbum de estúdio, o "Juventude de Atitude". Após firmar o grupo com Eduardo, Dum-Dum e Erick 12, em 1998, foi lançado o disco "Estamos de Luto" e, no ano seguinte, o álbum "Versos Sangrentos". Eduardo ainda aliava o rap com outros trabalhos informais neste período. Somente nos anos 2000, Taddeo passou a se dedicar totalmente à música, muito pela censura ao clipe "Isso Aqui é Uma Guerra" que fez o Facção Central ser reconhecido nacionalmente. Entre 2001 e 2006, o Facção teve seu maior auge no Rap, com quatro discos lançados: A Marcha Fúnebre Prossegue, Direto do Campo de Extermínio, Ao Vivo e O Espetáculo do Circo dos Horrores.
Eduardo manteve-se no Facção Central até 18 de Março de 2013, quando comunicou oficialmente em um vídeo no Youtube que anunciava sua saída do grupo, devido a algumas desavenças pessoais e divergências ideológicas. Um ano após a saída do grupo lançou um disco duplo solo intitulado "A Fantástica Fábrica de Cadáver". Em 2020, Taddeo lançou seu segundo álbum duplo solo, chamado "O Necrotério dos Vivos".
Eduardo faz palestras por todo Brasil e periodicamente visita a Fundação Casa. Apesar de inicialmente não ter tido educação formal, ele incentiva, em entrevistas, shows e palestras, os jovens da periferia a estudarem alegando que "ter um diploma e estar bem informado é mais audacioso que portar metralhadoras". Em 2012, ele lançou A Guerra Não Declarada na Visão de um Favelado, seu primeiro livro. Em 2016 lançou o segundo volume. A Guerra Não Declarada na Visão de Um Favelado Vol. 2. Em 2022, formou-se em Direito e passou na prova da OAB, segundo postagem em redes sociais do próprio.
Taddeo, Carlos Eduardo (2012–2018). A Guerra Não Declarada na Visão de um Favelado: Vol.1, 616 Páginas. Editora Saraiva ISBN 978-85-914040-0-1.
Taddeo, Carlos Eduardo (2016). A Guerra Não Declarada na Visão de um Favelado Vol.2, 668 Páginas. Editora Saraiva: Carlos Eduardo Taddeo. ISBN 978-85-914040-0-1.
(2001) A Marcha Fúnebre Prossegue
(2003) Direto do Campo de Extermínio
(2005) Facção Central - Ao Vivo
(2006) O Espetáculo do Circo dos Horrores
(2014) A Fantástica Fábrica de Cadáver