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Dunshee de Abranches (dirigente esportivo)

Futebolista brasileiro

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Antônio Augusto Dunshee de Abranches (Rio de Janeiro, 25 de outubro de 1936 – Rio de Janeiro, 7 de setembro de 2025) foi um jornalista, advogado e dirigente esportivo brasileiro que exerceu a função de presidente do Clube de Regatas do Flamengo.

Nascido no Rio de Janeiro, Dunshee de Abranches era filho de Hilda Dunshee de Abranches e de Carlos Alberto Dunshee de Abranches, professor catedrático de Direito Internacional Público da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OEA.

Era neto de Clóvis Dunshee de Abranches, considerado um dos maiores criminalistas brasileiros de sua época e famoso por atuar como advogado de defesa no caso Sílvia Serafim Thibau, no assassinato de João Suassuna e na defesa do atleta vascaíno Mingote no caso que ocasionaria na Resposta Histórica. Antônio Augusto era, ainda, sobrinho-neto do poeta e deputado João Dunshee de Abranches Moura, trineto do jornalista e político português João António Garcia de Abranches e sobrinho de Heloísa Dunshee de Abranches Sabin e Albert Sabin.

Por indicação de sua tia, a Condessa Pereira Carneiro, trabalhou, ainda jovem, como pauteiro ao lado de Armando Nogueira no Jornal do Brasil.

Carreira como dirigente esportivo

Em 1976, fez parte da Frente Ampla pelo Flamengo, ao lado de nomes como George Helal, Walter Clark, Kléber Leite e Marilene Dabus, entre outros executivos da Rede Globo, Som Livre, banqueiros e empresários, com o objetivo de fazer mudanças radicais na gestão do clube. Apesar de serem vistos como pessoas que não sabiam o suficiente sobre gestão no futebol, a Frente Ampla pelo Flamengo conseguiu eleger o tabelião Marcio Braga para a presidência já na temporada seguinte.

Após as conquistas do tricampeonato carioca em 1978, 1979-I e 1979-II e do Campeonato Brasileiro em 1980, a Frente Ampla pelo Flamengo elegeu Dunshee de Abranches como presidente na temporada de 1981. A gestão Dunshee de Abranches é considerada um dos períodos mais vitoriosos da história rubro-negra, quando o clube conquistou a Copa Intercontinental, a Copa Libertadores e o Campeonato Carioca em 1981, além do Campeonato Brasileiro em 1982.

Apesar dos títulos expressivos, a gestão de Antônio Dunshee ficou marcada negativamente pela venda de Zico, principal jogador do time e um dos principais da Seleção Brasileira, para a Udinese Calcio, em 1983. Ao Flow Sport Club, Zico afirmou que não queria sair do Flamengo, mas que Dunshee de Abranches insistiu em sua saída para que pudesse arrecadar dinheiro com a venda. O valor estipulado foi de 2 bilhões de cruzeiros, que seriam utilizados para comprar o terreno onde hoje funciona o Ninho do Urubu.

Mesmo após a conquista do Campeonato Brasileiro de 1983, a desaprovação da venda de Zico por parte da torcida gerou inúmeras tensões na política interna do clube, com Marcio Braga afirmando que a venda de Zico havia ocorrido apenas para cobrir uma diferença de caixa. A publicação pelo jornal O Globo de uma fotografia de Dunshee rindo enquanto segurava uma camisa 10 do Flamengo ofendeu Zico e deteriorou ainda mais a imagem do presidente com a torcida.

No dia 14 de agosto de 1983, após uma derrota por 3 a 0 para o Botafogo, Dunshee de Abranches foi confrontado por Eugênio Onça, líder da Torcida Jovem, ainda no vestiário do Maracanã e precisou ser escoltado pela polícia para conseguir sair do estádio. No mesmo dia, anunciou que renunciaria à presidência do Flamengo. O vice-presidente de futebol, Eduardo Fernando de Mendonça Motta, assumiu interinamente a presidência para os meses finais do mandato.

Após a presidência do Flamengo

A Frente Ampla pelo Flamengo seria encerrada junto à renúncia de Dunshee. Ainda assim, as eleições seguintes teriam como vencedores dois ex-componentes da coalisão, George Helal e Marcio Braga.

Nos anos seguintes e até o final de sua vida, Dunshee de Abranches se dedicou ao direito, dirigindo um escritório de advocacia sediado no bairro do Castelo, no Rio de Janeiro, e um blog na internet. Chegou a relançar a Frente Ampla pelo Flamengo com Márcio Braga no começo de 1998, mas abandonou o movimento poucas horas antes da solenidade, em abril daquele ano, e nunca mais voltaria a assumir um cargo na política do Flamengo.

Em 2016, o então presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, organizou uma festa em homenagem a Dunshee de Abranches, à ocasião de seu aniversário de 80 anos. O evento contou com a presença de vários jogadores que fizeram parte do time campeão em 1981, como Júnior, Tita, Andrade, Leandro e Nunes. Zico não estava presente. Em 2025, Zico reconheceu a importância de Dunshee para o Flamengo, mas externou que teve problemas pessoais com ele.

Seu filho, Rodrigo Villaça Dunshee de Abranches, atuou como vice-presidente do Flamengo durante a gestão de Rodolfo Landim e concorreu à presidência em 2024, quando perdeu para Luiz Eduardo Baptista. Assim como Antonio Dunshee, Rodrigo recebeu o apoio de diversos jogadores da geração de 1981 em sua campanha, mas não o de Zico, que declarou apoio a Baptista.

Morreu em 7 de setembro de 2025, aos 88 anos.

Antonio Augusto Dunshee de Abranches no Museu Flamengo

1983 - A venda de Zico para a Udinese no YouTube — reportagem do Globo Esporte

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