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Donald Woods Winnicott

Donald Woods Winnicott (Plymouth, 7 de abril de 1896 — 28 de janeiro, 1971) foi um pediatra e psicanalista inglês influe

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Donald Woods Winnicott (Plymouth, 7 de abril de 1896 — 28 de janeiro, 1971) foi um pediatra e psicanalista inglês influente no campo das teorias das relações objetais e do desenvolvimento psicológico. Foi líder da Sociedade Britânica de Psicanálise Independente, e Presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise duas vezes (1956-1959 e 1965-1968).

Winnicott é melhor conhecido por suas ideias relacionadas ao verdadeiro e falso self, a teoria dos pais "suficientemente bons", e em parceria com sua segunda esposa, Clare Winnicott, desenvolveu a noção de objeto transicional. Descreveu diversos livros, incluindo o "Brincar e a Realidade", assim como outros 200 artigos.

Winnicott era filho de Elizabeth Martha (Woods) Winnicott e do Sr. John Frederick Winnicott, um comerciante que se tornou cavaleiro em 1924 após servir duas vezes como prefeito de Plymouth.

A família era próspera e aparentemente feliz, mas atrás desse verniz, Winnicott se viu como oprimido por uma mãe com tendências depressivas como também por duas irmãs e uma babá. Foi a influência do seu pai, que era um livre-pensador e empreendedor que o encorajou em sua criatividade. Winnicott se descreveu como um adolescente perturbado, reagindo contra a própria auto-repressão que adquirindo sua capacidade de cuidar ao tentar suavizar os sombrios humores de sua mãe. Estas sementes de autoconsciência se tornaram a base do interesse dele trabalhando com pessoas jovens e problemáticas.

A primeira vez que Winnicott pensou em estudar medicina foi enquanto ainda estava estudando na "The Leys School", um internato em Cambridge, após fraturar sua clavícula, registrou em seu diário que possuía o desejo de poder curar a si mesmo. Começou a realizar estudos clínicios em biologia, fisiologia e anatomia na "Jesus College" em Cambridge em 1914 mas, com o início da Primeira Guerra Mundial, seus estudos foram interrompidos quando ele se tornou um estagiário temporário no hospital de Cambridge. Em 1917, entrou para a Marinha Real Britânica como médico chefe em um dos navios de guerra da Marinha Real Britânica.

Graduado em Cambridge como um dos alunos com menor nota, ele começou a estudar medicina clínica no hospital "St Bartholomew" em Londres. Durante este período, ele aprendeu a partir de seu mento a arte de escutar cuidadosamente enquanto estiver coletando o histórico médico de seus pacientes, uma habilidade que posteriormente ele identificaria como fundamental para sua prática como psicanalista.

Winnicott finalizou seus estudos em medicina em 1920, mesmo ano em que se casou com a artista plástica Alice Buxton Winnicott (anteriormente, Taylor). Se casaram na igreja de "Saint Mary" em Frensham. Alice teve "diversas dificuldade psicológicas", a partir disso, Winnicott providenciou o início de terapia para ela, assim como para o mesmo para resolver as questões criadas por esse problema. Ele obteve um cargo como médico-cirurgião no "Green Children's Hospital" em Paddington, Londres, onde começou a atuar como pediatra e psicanalista infantil por 40 anos. Em 1923 ele começou sua terapia com James Strachey, que durou 10 anos. Strachey discutiu o caso de Winnicott com sua esposa, Alix Strachey, aparentemente compartilhando que a vida sexual de Winnicott era afetada por suas ansiedades. A segunda análise de Winnicott começou em 1936, com Joan Riviere.

Um acontecimento relevante da vida de Winnicott foi a chegada em Londres, no ano 1926, de Melanie Klein (1882-1960), uma das mais importantes analistas infantis da sua época, logo fazendo escola e seguidores. A convicção do Kleinianos na importância suprema, para saúde psíquica, do primeiro ano da vida da criança, foi compartilhada por Winnicott. Contudo esta visão diverge um pouco da de Freud e de sua a filha Anna Freud (1895-1982) - ela mesma uma analista de crianças, que também vieram para Londres em 1938, refugiados do Nazismo na Áustria. Esboçando-se uma divisão dentro da Sociedade Psicanalítica Britânica entre os Freudianos ortodoxos e o Kleinianos; mas ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, um acordo tipicamente britânico estabeleceu três cordiais grupos: os Freudianos, o Kleinianos e um grupo “conciliador" ao qual Winnicott pertenceu juntamente com Michael Balint (1896-1970) e John Bowlby (1907–1990).

Em 1927 Winnicott foi aceito como iniciante na Sociedade Britânica de Psicanálise, qualificado como analista em 1934 e como analista de crianças em 1935. Ele ainda estava trabalhando no hospital infantil e posteriormente comentou que... "naquele momento nenhum outro analista era também um pediatra, assim durante duas ou três décadas eu fui fenômeno isolado…" O tratamento de crianças mentalmente transtornadas e das suas mães lhe deu a experiência com a qual ele construiria a maioria das suas originais teorias. E o curto período de tempo que ele poderia dedicar-se a cada caso o conduziu ao desenvolvimento das suas "inter - consultas terapêuticas" outra inovação da prática clínica que introduziu.

Para Freud, ao brincar, a criança tem prazer na aparente onipotência que adquire ao manipular os objetos cotidianos associando-os a símbolos imaginários como no jogo fort-da que evocava a presença da mãe na análise infantil que realizou. Não há dúvidas, porém que foi Melanie Klein quem efetivamente trouxe a brincadeira para o trabalho psicanalítico com crianças. Klein reconhecera uma similitude entre (1) a atividade lúdica infantil e o sonho do adulto, e (2) as verbalizações da criança ao brincar e a associação livre clássica. Discípulo de Klein, Winnicott redimensiona a brincadeira, situando o brincar do analista e o valor que essa atividade possui em si, instituída como uma atividade infantil, e que também faz parte do mundo adulto. Para ele os analistas infantis por se ocuparem tanto dos possíveis significados do brincar não possuíam um claro enunciado descritivo sobre o brincar. Para ele "Brincar é algo além de imaginar e desejar, brincar é o fazer".

Durante a Segunda Guerra Mundial, Winnicott trabalhou como consultor em pediatria no programa de evacuação de crianças. Neste período, ele conheceu e trabalhou com "Clare Britton", uma psiquiatra e assistente social que virou sua colega no tratamento de crianças seriamente transtornadas que foram afastadas de suas casas na evacuação por conta da guerra. Winnicott após a guerra, realizou uma série de encontros junto a "Janet Quigley" e "Isa Benzie" para a rádio BBC, mais de sessenta programas entre "1943 e 1966". Os programas iniciais em 1943 possuíam o título de "Happy Children." Como resultado do sucesso desses programas, Janet Quigley ofereceu a ele controle total sobre o conteúdo do programa.

Após o fim da guerra, Winnicott também estava tratando pacientes de forma privada. Entre os contemporâneos influenciados por ele, R. D. Laing, escreveu para ele agradecendo e reconhecendo sua ajuda em 1958.

Winnicott tornou-se um médico contratado do Departamento Infantil do Instituto de Psicanálise, onde trabalhou durante 25 anos. Foi presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise por duas gestões, membro da UNESCO e do grupo de especialistas da OMS. Atuou como professor no Instituto de Educação e na London School of Economics, da Universidade de Londres. Dissertou e escreveu amplamente como atividade profissional independente.

Ele divorciou-se de sua primeira esposa em 1951 e, nesse mesmo ano, casou-se com Elsie Clare Nimmo Britton, assistente social psiquiátrica e psicanalista.

Exceto por um único livro publicado em 1931 (Clinical Notes on Disorders of Childhood), todos os livros de Winnicott foram publicados depois de 1944, incluindo "The Ordinary Devoted Mother and Her Baby" (1949), The Child and the Family (1957), O Brincar e a Realidade, (1971), e Holding e Interpretação: Fragmento de uma Análise (1972).

Winnicott morreu em 28 de janeiro de 1971, após uma série de ataques cardíacos, sendo cremado em Londres. Clare Winnicott posteriormente publicou diversos trabalhos de Winnicott.

Teoria sobre importância e efeitos do cuidado materno

Para Winnicott, cada ser humano traz um potencial inato para amadurecer, para se integrar; porém, o fato dessa tendência ser inata não garante que esse potencial será efetivado. Isto dependerá de um ambiente facilitador que forneça os cuidados essenciais, sendo que, no início, esse ambiente é representado pela mãe. Winnicott define que essa mãe, para garantir o devido amadurecimento da criança, deverá ser o que chama de uma mãe suficientemente boa. É importante ressaltar que esses cuidados dependem da necessidade de cada criança, pois cada ser humano responderá ao ambiente de forma própria, apresentando, a cada momento, condições, potencialidades e dificuldades diferentes.

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