Ricardo Lucas Figueredo Monte Raso (São Paulo, 2 de maio de 1974), mais conhecido como Dodô, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como centroavante. Atualmente é comentarista esportivo na Record e faz parte do elenco do programa Esporte Record.
Foi duas vezes artilheiro do Campeonato Carioca (2006 e 2007), sendo premiado com a Medalha de Mérito Esportivo Pan-Americano, pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Além disso, recebeu da imprensa esportiva o apelido de Artilheiro dos Gols Bonitos, pelos belos gols que fez ao longo de sua carreira.
Dodô foi revelado pelo Nacional-SP em 1992. Teve ainda uma rápida passagem pelo Fluminense entre 1994 e 1995, antes chegar ao São Paulo em 1995.
Após ser emprestado ao Paraná no ano de 1996, o atacante retornou ao São Paulo e assumiu a titularidade. No tricolor paulista, formou ao lado do colombiano Víctor Aristizábal uma dupla de ataque perigosa. Dodô foi artilheiro do Campeonato Paulista de 1997 e do Torneio Rio-São Paulo de 1998, com 19 e cinco gols, respectivamente. Ajudou o São Paulo a conquistar o Estadual de 1998. No total, pelo clube homônimo de sua cidade natal, Dodô fez 94 gols.
Em 1997, ano em que viveu o seu auge, o atacante marcou 54 gols em 69 jogos, sagrando-se recordista de gols em uma mesma temporada pelo São Paulo. Chegou a ser convocado pelo técnico Zagallo para a Seleção Brasileira, marcando dois gols.
Deixou o tricolor paulista em 1999 e passou a defender o Santos até 2001. No segundo semestre daquele ano, foi contratado pelo Botafogo com ajuda da Golden Cross, empresa que se interessou em patrocinar o clube a partir da contratação do atacante. Dodô ajudou o alvinegro a escapar do rebaixamento no Brasileirão de 2001 e a fazer uma boa campanha no Torneio Rio-São Paulo de 2002.
Porém, o Botafogo encontrava-se em má fase financeira, e teve que dispensar vários jogadores para o Campeonato Brasileiro de 2002, onde o clube acabou rebaixado. Dodô acertou sua volta ao estado de São Paulo para atuar pelo Palmeiras. Contudo, naquele ano, não obstante as inúmeras contratações de impactos que o Verdão fez para o Campeonato Brasileiro, a equipe também acabou sendo rebaixada. Dodô pouco atuou naquela competição pois estava frequentemente lesionado.
Já que o Palmeiras tentava ajustar-se para uma nova realidade, Dodô então resolveu ir para o futebol asiático. Jogou, entre 2003 e 2004, no Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul e, em 2005, no Oita Trinita, do Japão. Enquanto estava na Ásia, Dodô deu diversas entrevistas declarando sua vontade de voltar para o Brasil, dizendo que gostaria de atuar novamente pelo Botafogo.
Volta ao Brasil e boa fase no Botafogo
Retornou ao Brasil no segundo semestre de 2005 para defender o Goiás. Contudo, era reserva no time goiano. Este fato o fez acertar sua volta ao Botafogo no início de 2006. No Glorioso, Dodô ajudou a equipe a vencer a Taça Guanabara e o Carioca de 2006 sendo artilheiro da competição com nove gols. No Campeonato Brasileiro, Dodô era o artilheiro da competição com nove gols quando decidiu transferir-se para o futebol árabe. O contrato do jogador com o clube carioca tinha uma cláusula que permitia sua saída sem qualquer tipo de ressarcimento caso houvesse uma proposta de um clube não-brasileiro.
Dodô foi defender o Al Ain dos Emirados Árabes Unidos, mas, em 2007, voltou para o Botafogo. Foi campeão da Taça Rio e vice-campeão do Campeonato Carioca.
No início de julho de 2007, o atacante foi pego no exame antidoping por apresentar em sua urina a substância femproporex, que constava em uma cápsula de cafeína manipulada por uma farmácia, dada pelo departamento nutricional do clube. O atacante foi suspenso por 120 dias inicialmente, mas entrou com recurso e foi absolvido por não ter sido considerada a sua culpa. Após sua volta, Dodô marcou seu 300º gol na carreira profissional. No fim da temporada, faltando seis rodadas para acabar o Campeonato Brasileiro, Dodô anunciou que não renovaria seu contrato com o alvinegro carioca para 2008. Dodô recebeu a Chuteira de Ouro da revista Placar pelo seu desempenho em 2007, sendo o principal goleador daquele ano no futebol brasileiro e o troféu de prata do Prêmio Craque do Brasileirão, por ter sido escolhido o segundo melhor centroavante do Campeonato Brasileiro.
Em 2008 foi uma das principais contratações do Fluminense. No novo clube, passou a concorrer pela titularidade com Leandro Amaral e Washington, os chamados "três tenores". Quando começava a jogar com frequência no time titular, como na goleada por 6–0 contra o Arsenal de Sarandí pela Libertadores, sofreu uma fratura de um osso frontal da face e foi informado que ficaria dois meses parado. Com a saída de Leandro Amaral do clube, Dodô recebeu a chance de ser titular. No entanto, nunca foi visto com bons olhos pela torcida tricolor, tendo em vista o fato de não ter comemorado um gol contra o Boca Juniors se mostrando insatisfeito na equipe, então comandada por Renato Gaúcho. Foi dispensado do Fluminense no final de agosto de 2008, após uma conversa com o treinador Cuca, o mesmo com quem trabalhara no Botafogo. Poucos dias após se desligar do Fluminense, Dodô recebeu do Tribunal Arbitral do Esporte o resultado do processo sobre seu doping, resultando na sua suspensão por dois anos. A sentença levou em conta parte do tempo do processo e, assim, o jogador só poderia voltar a atuar em 7 de novembro de 2009.
Após cumprir a suspensão, Dodô recebeu propostas de diversos clubes, porém muitos destes clubes desistiram de contratá-lo porque o atleta pediu um salário muito alto. No entanto, após diminuir sua pedida salarial, o atacante acertou com o Vasco em 16 de dezembro de 2009.
Demorou para Dodô marcar seu primeiro gol com a camisa cruzmaltina. Depois de passar em branco contra Tigres e America pelo Campeonato Carioca de 2010, o atacante teve boa atuação no dia 24 de janeiro; ao enfrentar pela primeira vez o Botafogo, Dodô marcou três gols no primeiro tempo. No segundo, sofreu a falta cobrada por Léo Gago que resultou no quarto gol e ainda deu o passe para o jovem Philippe Coutinho marcar o quinto. Além disso, o Vasco ainda fez mais um gol, fechando a goleada de 6–0 em pleno Engenhão.
Após o início promissor, o rendimento de Dodô foi caindo a cada jogo. Vieram muitas partidas em branco, e a torcida vascaína passou a execrá-lo depois da perda do título da Taça Guanabara para o Botafogo. Houve uma nova tentativa dele num clássico diante do Flamengo, no dia 14 de março. Mas os dois pênaltis desperdiçados na derrota por 1–0 para o arquirrival pioraram ainda mais a relação dele com a torcida vascaína.
No final da Taça Rio, ainda houve uma esperança sobre o atacante, quando ele marcou um dos gols da vitória por 3–0 sobre o Fluminense no Maracanã e anotou dois gols na vitória por 4–3 sobre o Duque de Caxias, no Estádio Raulino de Oliveira (ajudando o time a se classificar para as semifinais do segundo turno). O time acabou eliminado pelo Flamengo, com uma derrota por 2–1.
Dodô voltou para a reserva, e nos treinos era visível sua falta de ânimo. Desânimo que veio para os campos. Depois da derrota do Vasco para o Guarani por 1–0 em São Januário, Dodô (que entrara no primeiro tempo, substituindo Elton, contundido) deixou como última lembrança sua descida para o vestiário, em silêncio, ouvindo gritos, vaias e ofensas. No dia 4 de junho, de comum acordo entre ambas as partes, o atacante rompeu seu compromisso com o clube. Foram 28 jogos e 11 gols marcados nesta volta aos gramados (curiosamente, nenhum deles marcado em São Januário, palco de seu último jogo com a camisa do Vasco).