Djavan Caetano Viana (Maceió, 27 de janeiro de 1949) é um cantor, compositor, arranjador, produtor musical, empresário e violonista brasileiro. Aclamado pela crítica e músicos, principalmente por sua criatividade, Djavan é conhecido por sua versatilidade e originalidade musical. Suas canções mesclam inúmeros estilos, entre eles o jazz, o Soul, o blues, o samba, a bossa nova e a música flamenca, com grande influência da MPB e a música regional nordestina.
Dentre suas canções mais conhecidas, destacam-se: "Sina", "Flor de Lis", "Lilás", "Pétala", "Se", "Nem um dia", "Serrado", "Eu Te Devoro", "Oceano", "Açaí", "Samurai" e "Meu bem querer".
Tornou-se um dos artistas brasileiros mais importantes de todos os tempos, lançando diversos sucessos, em seus quase 30 discos na carreira. Djavan também conquistou quatro Grammys latinos em seus 50 anos de carreira, completados em 2025.
Djavan é filho de uma mãe negra chamada Virginia e de um pai branco chamado Virgílio que de origem neerlandesa era caixeiro-viajante e foi embora quando ele tinha apenas 3 anos. Sua mãe, lavadeira, entoava canções de Angela Maria, Dalva de Oliveira e Orlando Silva. Também tinha o hábito de fazer músicas para os filhos. Sendo para ele sua maior influência musical desde a infância.
Djavan por pouco não se tornou um jogador de futebol. Entre os 11 e 12 anos, dividia seu tempo e sua paixão entre o jogo de bola nas várzeas de Maceió e o equipamento de som quadrifônico da casa de Dr. Ismar Gatto, pai de um amigo de escola. Da primeira paixão, despontava como meio-campo no time juvenil do CSA (Maceió), onde poderia ter feito até carreira profissional. Djavan começou a tocar violão aos 16 anos e, aos 18, integrou o grupo vocal Luz, Som, Dimensão, com o qual se apresentava em clubes, praças, igrejas e palanques, interpretando músicas dos Beatles. Aos 23 anos, chega ao Rio de Janeiro para tentar a sorte no mercado musical. Trabalhou como crooner de boates famosas como a Number One e 706. Com a ajuda de Edson Mauro, radialista esportivo e conterrâneo da Rádio Globo, é apresentado a Adelzon Alves e logo em seguida a João Araújo, presidente da Som Livre, que o leva para a TV Globo. Passa a cantar trilhas sonoras de novelas, para as quais grava canções de compositores consagrados como "Alegre Menina" (Dori Caymmi, com letra de Jorge Amado), da novela Gabriela, "Qual é" (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), da novela Os Ossos do Barão, e "Calmaria e Vendaval" (Toquinho e Vinícius de Moraes).
1975-1976: "Fato Consumado", o abre-alas
Em três anos, nas horas vagas do microfone, compõe mais de 60 canções, de variados gêneros; com uma delas, "Fato Consumado", tira segundo lugar no Festival Abertura de 1975, idealizado pela Rede Globo, passa a ganhar reconhecimento e chega ao estúdio da Som Livre. Lá grava o seu primeiro disco, que contou com a produção de Aloysio de Oliveira, mítico produtor de Carmen Miranda e Tom Jobim. "A voz, o violão, a música de Djavan" de 1976 é um disco de samba sacudido, sincopado e diferente de tudo que se fazia na época. Visto hoje, este trabalho não marca apenas a estréia de Djavan mas o torna figura incontornável na história da música brasileira. O seu primeiro álbum trouxe o "carro-chefe": "Flor de Lis" que se torna um grande hit nas rádios. Além do sucesso ''Fato Consumado", o álbum mostra outras composições que ganharam reconhecimento entre críticos e fãs como: "Maria das Mercedes", "Embola Bola" e "Para-Raio".
Depois de algum tempo fez shows solo durante três meses para a boate 706, e posteriormente sairia da Som Livre integrando-se à Odeon Records (EMI-Odeon). Que ofereceu a ele uma estrutura de produção mais sólida, maior investimento em divulgação e liberdade para desenvolver o seu trabalho autoral. Djavan grava seu segundo disco, de título Djavan, lançado em novembro de 1978, que posteriormente receberia o subtítulo de "Cara de Índio" (nome da primeira faixa do álbum). Empolgada com seu novo artista, a EMI-Odeon investe pesado no álbum. Com uma orquestra dos melhores músicos da praça de 1978, como Tito Livio (baterista) José Roberto Bertrami (teclados) , Milton banana (percussão), Luizão (baixo).Djavan tocado pela descoberta das grandes canções de amor e desamor, consagra-o como um compositor completo.
A canção título "Cara de Índio" apresenta uma reflexão sobre a condição histórica dos povos indígenas no Brasil, abordando temas como identidade, pertencimento e exclusão social, uma crítica mais ampla às desigualdades e à invisibilização de grupos sociais na sociedade brasileira. Outras canções de destaque foram "Álibi" que na mesma época seria gravada por Maria Bethânia, tornando-se um enorme sucesso no país, e foi a faixa-título do álbum de maior sucesso da cantora, Álibi (que foi o primeiro álbum de uma intérprete feminina na história da música brasileira cuja venda ultrapassou 1 milhão de cópias. Outras canções do mesmo álbum também seriam regravadas: "Dupla Traição", por Nana Caymmi, e "Samba Dobrado", por Elis Regina no Montreux Jazz Festival. Ainda em 1979 Djavan grava um videoclipe da canção "Serrado" para o programa Fantástico da Rede Globo e, mesmo não estando mais na Som Livre, torna-a em mais um sucesso do artista. Dentre outras canções importantes do álbum está "Nereci", constando em várias coletâneas internacionais, sendo classificada na maioria como uma "canção dançante".
Dois anos depois, em 1980, Djavan lança o álbum Alumbramento e mostra que, além de completo, dialoga bem com seus pares.De sonoridade sofisticada e diversificada, o álbum mescla influências de música popular brasileira, jazz e elementos africanos. O disco inaugura parcerias com Aldir Blanc, Cacaso (em "Triste Baía de Guanabara") e Chico Buarque (em "A Rosa"), agora definitivamente colegas de primeiro time da MPB. A esta altura, talento reconhecido por crítica e público, Djavan vê algumas de suas canções ganharem outras vozes: Roberto Carlos grava "A Ilha"; Gal Costa grava "Açaí" e "Faltando um Pedaço"; e Caetano Veloso, retribuindo a homenagem do verbo "caetanear", substitui-o por "djavanear" em sua versão de "Sina". A canção "Meu Bem Querer" foi trilha sonora de três telenovelas da Rede Globo: Coração Alado, como tema da personagem Vívian, interpretada por Vera Fischer; A Indomada, na versão original; e ainda foi tema de abertura da novela Meu Bem Querer, em nova versão. A canção se tornou um dos maiores sucessos da carreira do cantor.
Em 1981 e 1982, Djavan leva o prêmio de melhor compositor pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. O ciclo vitorioso de lançamentos pela EMI-Odeon encerra-se em 1981, com o álbum Seduzir. Um disco de afirmação, como o próprio Djavan escreveria em seu encarte: "O pouco que aprendi está aqui. Pleno. Dos pés à cabeça". Depois de uma viagem de Djavan à cidade de Luanda na Angola, acompanhado de Marieta Severo, Chico Buarque, Zezé Motta, Gonzaguinha, Paulinho Nogueira e Walter Franco surgem as primeiras canções a falar da África e o início das turnês pelo Brasil, guiadas pela produtora Monique Gardenberg e o diretor Paulinho Albuquerque. O álbum Seduzir foi avaliado pela Allmusic com nota máxima, onde o crítico Alex Henderson compara as composições e estilo musical de Djavan aos do Beatles e Stevie Wonder, além de citar como significantes faixas musicais como "Seduzir", "Morena de Endoidecer", "Jogral" e "Faltando um Pedaço". Outra herança do Seduzir foi a primeira banda própria, de nome "Sururu de Capote", composta por Luiz Avellar no piano, Sizão Machado no baixo, Téo Lima na bateria e Zé Nogueira nos sopros.
1982-1983: "Luz" e o reconhecimento internacional
Em 1982, "Flor de Lis", hit instantâneo do disco inaugural, tornou-se o primeiro sucesso de Djavan no disputado mercado norte-americano, na voz da diva Carmen McRae, com o título de "Upside Down". Chega o convite da gravadora CBS, futura Sony Music, e Djavan embarca para Los Angeles para gravar, sob a produção de Ronnie Foster, um dos principais nomes da música soul norte-americana, o disco Luz, que tem a participação de Stevie Wonder na canção "Samurai", além de outros grandes sucessos que se eternizariam como "Sina", "Pétala", "Açaí" e "Capim". O trabalho resulta em uma mescla da musicalidade brasileira típica de se exportar com a influência jazzy americana.