Desintegração ou Dissolução da Iugoslávia (português brasileiro) ou Jugoslávia (português europeu) foi uma série de conflitos e irregularidades políticas que resultaram na desintegração da Iugoslávia (a República Socialista Federativa da Iugoslávia, RSF da Iugoslávia, ou simplesmente RFSI). A RSF da Iugoslávia foi um país que ocupou uma porção de terras que atualmente vai desde a Europa Central até os Bálcãs, uma região com um conflito étnico histórico. O país era um conjunto de seis repúblicas regionais e duas províncias autônomas, que estava dividida segundo as etnias e que na década de 1990 separou-se em vários países independentes. Estas oito unidades federais passaram a ser seis repúblicas: Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro, Sérvia, e as duas províncias autônomas ficaram com a Sérvia: Kosovo e Vojvodina. A Bósnia e Herzegovina não havia existido como um estado mesclado etnicamente desde 1465, e além disso não tinha uma maioria étnica clara, com 44% de bósnios muçulmanos, 33% de sérvios bósnios , 18% de bósnios croatas e outras minorias. A distribuição geográfica dos grupos étnicos que compunham a Iugoslávia representava o feito de que cada nação tinha uma população em cada uma das seis repúblicas. A Iugoslávia passou a ser um país com sete fronteiras, seis repúblicas, cinco nacionalidades, quatro idiomas, três religiões, dois alfabetos e um líder.
Já que a estrutura demográfica da Bósnia compreendia uma população de sérvios e croatas em cerca de 50% e com ideias de independência baseadas mais nas etnias do que na nação, o controle do território, a abrir-se a diferentes interpretações, e grandes zonas da Bósnia, Croácia e Sérvia foram consideradas zonas em disputa. Os elementos mais importantes que fomentaram a discórdia foram a formação do Reino da Iugoslávia, a guerra civil e o genocídio praticado pelo Estado Independente da Croácia durante a Segunda Guerra Mundial, a ideia da "Grande Sérvia", e as adaptações balcânicas do pan-eslavismo.
A guerra civil que seguiu a secessão terminou com grande parte da antiga Iugoslávia reduzida à pobreza, enormes perturbações económicas e persistente instabilidade em todo o território onde ocorreram os piores combates. Hoje existem seis frágeis repúblicas, a maioria delas empobrecida pelas perdas materiais e pela fuga da população, quando não entregues ao crime organizado, sem contar com um permanente clima de frustração, misturado ao ódio étnico sempre pronto para dar seu sinal de retorno. As guerras foram os conflitos mais sangrentos em solo europeu desde o final da Segunda Guerra Mundial. Foram também os primeiros conflitos desde a Segunda Guerra Mundial onde foram formalmente julgados genocídios de carácter fundamental e muitos participantes individuais foram posteriormente acusados de crimes. O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIJ) foi criado pela ONU para julgar esses crimes.
Após a Segunda Guerra Mundial, em 1945, foi formado a República Socialista Federativa da Jugoslávia um Estado socialista comandado por Josip Broz Tito. Tito tratou de diminuir a influência dos dois maiores grupos étnicos, os sérvios e os croatas, dando estatuto de maior representatividade para os outros. O incrível mosaico étnico dos Bálcãs foi, durante os quarenta anos seguintes, sedimentado pela ideologia titoísta, que se viu enormemente reforçada quando Tito, desobedecendo a Stalin, escolheu uma "via própria para o socialismo", totalmente independente dos quadros que os soviéticos impuseram no leste europeu por meio das "democracias-populares". Tito passou a desde então a gozar de um enorme respeito que transcendia as questões étnicas, sem dúvida era o único líder político da antiga Iugoslávia que tinha o apoio popular das diversas etnias. Uma anedota que sintetizava o sistema político-étnico da Iugoslávia sob Tito era: "Seis repúblicas, cinco etnias, quatro línguas, três religiões, dois alfabetos e um Partido". Ele ousara enfrentar os dois maiores tiranos da Europa do século XX, primeiro a Hitler e depois a Stalin, mantendo a Iugoslávia pacificada e coesa frente às pressões que sofreu durante a Guerra Fria. Ele, juntamente com Gamal Nasser do Egito e Jawaharlal Nehru da Índia, lançou as bases do Movimento Não Alinhado em 1961, projetando o seu nome internacionalmente.[carece de fontes?]
Quando Tito morreu, em 1980, entrou em prática uma constituição, preparada anteriormente, que tinha por objetivo alcançar a rotatividade do poder executivo para que desse modo nenhuma das etnias se sentisse excluída do poder central. Assim, a cada período legislativo, seria escolhido um representante de uma das seis maiores etnias, que assumiria a chefia do governo. Era impossível adotar o sistema da eleição direta para a chefia do executivo porque, se assim fosse feito, sempre seria sufragado um sérvio, uma vez que eles eram a maioria entre as etnias que compunham a Iugoslávia. O ponto fraco desse sistema era que nenhum dos presidentes escolhidos pelo parlamento da federação tinha a estatura de Tito, nem estava respaldado pelo voto majoritário da população, o que foi um ponto decisivo para o fracasso desse sistema.
Colapso econômico e contexto internacional
A Iugoslávia foi, em uma determinada época, uma nação com um grande poder industrial e uma economia próspera. Vinte anos antes de 1970, o crescimento anual do produto interno bruto (PIB) foi em média de 6,1%, a assistência médica era gratuita, o índice de alfabetização era de 91% e a expectativa de vida alcançava os 72 anos. Mas depois de uma década de má administração econômica e cinco anos de desintegração, guerra e boicotes, a economia iugoslava entrou em colapso.[carece de fontes?]
A Iugoslávia era um estado unitário, o qual abrangia tanto terras do Oriente como do Ocidente. Além disso, seu presidente, Josip Broz Tito, era um dos principais membros do "Terceiro Mundo" ou o "grupo dos sete", o qual era uma alternativa ante os países mais poderosos. E o mais importante, a Iugoslávia atuou como um estado-tampão entre o Ocidente e a União Soviética e também evitou que a URSS tivesse uma saída para o Mar Mediterrâneo. A população utilizava a frase de que a Iugoslávia tinha sete fronteiras, seis repúblicas, cinco nacionalidades, quatro idiomas, três religiões, dois alfabetos e um líder.[carece de fontes?]
No entanto, depois da morte de Tito, com a ascensão de Mikhail Gorbachev, a perestroika e a glasnost na União Soviética, o Ocidente se sentiu tão seguro de saber as intenções da URSS que a Iugoslávia já não significava uma central de importância estratégica. Não obstante Belgrado não fomentou alianças e apesar das suas importantes relações com a Comunidade Econômica Europeia e com os Estados Unidos, a administração de Ronald Reagan, especificamente, mencionou à economia iugoslava em uma operação secreta em 1984 (NSDD 133), "A política estadunidense rumo à Iugoslávia." Na Europa Oriental elaborou-se uma versão censurada descartada em 1990, criada em 1982. O último preconizou por "estender os esforços para promover uma 'revolução calada' para derrotar os governos e partidos comunistas", enquanto os países da Europa Oriental eram reintegrados a uma economia de mercado.
O status quo externo, do qual dependia o Partido Comunista para ser viável, estava começando a desaparecer. Além disso, a queda do socialismo real na Europa Central e Ocidental novamente havia causado conflitos, contradições e discórdias etno-religiosas na Iugoslávia. Seu estatuto sem alianças resultou em uma série de empréstimos de ambos os blocos (o capitalista e o socialista). Este contato com os Estados Unidos no Ocidente abriu os mercados da Iugoslávia antes do restante do continente.[carece de fontes?]
A crise do petróleo de 1973 se somou às barreiras do comércio com o Ocidente, dificultando dramaticamente seus trinta anos de crescimento econômico expressivo. Para neutralizar este efeito, o país solicitou empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e posteriormente mergulhou em uma dívida externa muito elevada. Como condição para receber empréstimos, o FMI ordenou a liberação do mercado no país. Em 1981, a Iugoslávia tinha uma dívida acumulada de US$ 19,9 milhões. Outra preocupação era a taxa de desemprego, de um milhão em 1980. Este problema se agravou com a "improdutividade geral do sul", a qual não só submergiu a Iugoslávia mais ainda na catástrofe, mas que também irritou a Eslovênia e a Croácia. Uma década de pobreza resultou em uma frustração e ressentimento crescente contra a "classe alta" sérvia e a favor das minorias que se viam beneficiadas pela legislação governamental. Os verdadeiros lucros da Iugoslávia caíram 25% de 1979 a 1985. Em 1988 a dívida chegou aos 4,5 bilhões de dólares, e em 1989 alcançou os 6,2 bilhões, sendo 19% da dívida total do mundo.