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Dira Paes

Atriz e apresentadora brasileira

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Ecleidira Maria "Dira" Fonseca Paes (Abaetetuba, 30 de junho de 1969), é uma atriz e apresentadora brasileira. Artista versátil, tornou-se conhecida nacionalmente por seus papéis cômicos e dramáticos no cinema e televisão. Paes recebeu vários prêmios ao longo de sua carreira, incluindo três Prêmios Grande Otelo, dois Prêmios APCA, três Prêmios Guarani e dois Prêmios Qualidade Brasil. Seu desempenho no cinema a fez ser ganhadora de cinco estatuetas do Festival de Brasília e quatro no Festival de Gramado, os dois festivais mais tradicionais do cinema brasileiro.

Graduada em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, iniciou sua carreira em 1985 antes mesmo de sua formação em uma participação no filme britânico The Emerald Forest no papel da indígena Kachiri. Em 1987 atuou em seu primeiro filme nacional, Ele, o Boto, como Corina. É uma das atrizes mais premiadas do cinema brasileiro. Em 1996 teve seu primeira papel como protagonista, atuando como a cangaceira Dadá no filme Corisco e Dadá. Por sua performance dramática, recebeu muitos elogios e adquiriu sua primeira de seis indicações ao Prêmio Guarani de Cinema. Em 1997 esteve no elenco do filme histórico Anahy de las misiones, que lhe rendeu seu primeiro Prêmio APCA, um dos mais tradicionais prêmios do Brasil. Em 2001 protagonizou o filme O Casamento de Louise, como a doméstica Luiza. Pela atuação cômica, foi novamente indicada ao Prêmio Guarani e recebeu sua primeira de treze indicações da Academia Brasileira de Cinema ao Grande Otelo, dessa vez como Melhor Atriz.

Paes, ao longo de mais de três décadas de carreira, também se popularizou por outros trabalhos na cinema. Conquistou ainda indicações ao Grande Otelo por suas atuações nos filmes Amarelo Manga (2002), Noite de São João (2003), 2 Filhos de Francisco(2005), Mulheres do Brasil (2006), Baixio das Bestas (2007), A Festa da Menina Morta (2008), Estamos Juntos (2011) e Sudoeste (2012). Em 2013, por sua atuação no filme À Beira do Caminho, foi premiada como Melhor Atriz pela Academia, após nove nomeações, além de ter vencido o Prêmio Guarani de melhor atriz coadjuvante pela terceira vez. Ela voltou a receber elogios por seu desempenho nos filmes Órfãos do Eldorado (2015), Redemoinho (2016) e Divino Amor (2020), recebendo indicações ao Grande Otelo de Melhor Atriz por todos eles. Em 2021 se destacou como a sonhadora Rita no filme dramático Veneza, dirigido por Miguel Falabella, pelo qual ela venceu seu segundo troféu Grande Otelo de Melhor Atriz. Em 2022 estreou nos cinemas o filme biográfico Pureza, onde ela dá vida a protagonista que luta por salvar trabalhadores em condições análogas a escravidão, incluindo seu próprio filho.

Na televisão, Dira começou a trabalhar nas novelas em 1990 atuando em Araponga, da TV Globo. Entretanto, ganhou maior destaque em 1995 na novela Irmãos Coragem, onde atuou como a indígena Potira. Entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, ela atuou em minisséries, como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998), Chiquinha Gonzaga (1999) e Um Só Coração (2004). Mas foi em 2004 que se consolidou nacionalmente ao interpretar Solineuza no seriado A Diarista, exibido pela TV Globo entre 2004 e 2007. Por seu forte desempenho cômico, recebeu um Prêmio APCA de melhor atriz de humor. Em 2009 voltou a atuar em novela como a perua Norminha em Caminho das Índias, personagem que a popularizou mais ainda no país. Recebeu inúmeros prêmios por esse trabalho, como o Prêmio Qualidade Brasil, Prêmio Extra e Melhores do Ano. Em seguida, passou a se destacar em papéis mais dramáticos nas novelas, como a costureira Marta em Ti Ti Ti (2010), a dona de casa Celeste em Fina Estampa (2011) e a batalhadora Lucimar em Salve Jorge (2012). Em 2014 protagonizou a minissérie Amores Roubados. Desde 2015, é uma das principais mobilizadoras do Criança Esperança. Esteve ainda no elenco principal das novelas Velho Chico (2016), Verão 90 (2019) e Pantanal (2022). Em 2025, se destaca em Três Graças como Lígia Maria das Graças, mãe da protagonista Gerluce.

Nascida em Abaetetuba, no interior do estado do Pará, Ecleidira Maria é descendente de uma família de origem portuguesa com elementos indígenas e afro-brasileiros. Seu pai, Edir Cardoso Paes, trabalhava como fiscal no Departamento de Estradas e Rodagens do Pará e sua mãe, Flor Paes, era costureira. A atriz morou em Belém, capital do estado, com seus pais e seus sete irmãos, tendo uma infância simples com sua família. Ainda na adolescência, realizou testes para uma produção britânica no cinema, sendo aprovada com apenas catorze anos para o elenco do filme A Floresta das Esmeraldas, produção de 1985 dirigida por John Boorman. A participação na produção a impulsionou a seguir na carreira artística.

Mesmo com as dificuldades financeiras, ao terminar o ensino médio saiu do Pará e foi morar no Rio de Janeiro para realizar seus estudos de formação superior. Foi aprovada no vestibular da UNIRIO onde graduou-se em Artes Cênicas. Ela também estudou francês e realizou cursos de aperfeiçoamento de expressão corporal, focando em sua formação como atriz. Paes chegou a cursar a graduação de Filosofia por dois anos, mas não finalizou o curso. Estabelecida no Rio de Janeiro, passou a integrar o elenco de novas produções no cinema e na televisão.

Começo no cinema e desafios iniciais (1985—1999)

Paes sempre teve o sonho de trabalhar com arte dramática, mas tinha poucos recursos para conseguir se formar na área de atuação. Sua trajetória começou a mudar ao se inscrever na seleção de uma produção britânica dirigida pelo cineasta John Boorman, que estava à procura de uma jovem brasileira para um papel no filme que seria gravado no Brasil. Ela foi aprovada e convidada a integrar o elenco do filme The Emerald Forest, exibido em 1985, realizando sua estreia como atriz já em uma produção internacional. Em meio às 500 candidatas para o papel, destacou-se por responder o diretor em inglês e por seu biotipo específico. Ao mudar-se para o Rio de Janeiro, foi aprovada em novos testes e integrou o elenco da minissérie Carne de Sol, na TV Band, em 1986, e também foi escalada para o filme Ele, o Boto (1987), interpretando a jovem Corina que desaparece após se encantada pelo boto, interpretado por Carlos Alberto Ricceli. Este trabalho lhe rendeu o primeiro prêmio como Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Cinema e TV de Natal, e ela descreve como a primeira vez que se sentiu atriz.

Em 1990, fez sua estreia em telenovelas da TV Globo em Araponga, trama exibida no extinto horário das 22h, interpretando Ana Maria, jovem ingênua e meiga que acredita cegamente nas mentiras que o namorado Tuca (Taumaturgo Ferreira) lhe conta. Esteve ainda no elenco de algumas produções no cinema, como Corpo em Delito (1990) e O Filme da Minha Vida (1991). No início da década de 1990, com a extinção da Embrafilme, principal produtora de filmes nacionais, e sem contrato fixo com alguma emissora de televisão, Dira voltou a excursionar no teatro. A partir de 1992, viajou o Brasil ao longo de três anos com a peça Capitães da Areia, de Jorge Amado, dirigida por Roberto Bomtempo.

Somente com a retomada do cinema brasileiro, em meados de 1995, voltou a atuar nas telas com destaque em diversos filmes. Ela protagonizou o drama Corisco & Dadá, dirigido por Rosemberg Cariry, ao lado do ator Chico Díaz, onde interpretavam o real casal de cangaceiros Dadá e Corisco, respectivamente. Baseado nos acontecimentos reais, o filme acompanha a história desde o rapto de Dadá até sua integração no bando. O filme é considerado o grande destaque inicial da carreira de Dira, a elevando ao posto de Melhor Atriz em diversos festivais, mais notavelmente o Festival de Brasília, e também a fez ser indicada pela primeira vez ao Prêmio Guarani de Melhor Atriz. Com presença no cinema, surgiu o convite de Luiz Fernando Carvalho para testes na novela Irmãos Coragem (1995). Aprovada, foi escalada para interpretar a índia Potira, uma das principais personagens da trama. Ela é filha adotiva de Sebastião (Orlando Vieira) e Sinhana (Laura Cardoso), sendo irmã de criação dos irmãos Coragem.

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