Diogo Pinto de Freitas do Amaral GCC • GCSE • GCIH (Póvoa de Varzim, Póvoa de Varzim, 21 de julho de 1941 – Cascais e Estoril, Cascais, 3 de outubro de 2019) foi um professor universitário, jurisconsulto, dirigente político e governante português.
De uma família da alta burguesia, Diogo Freitas do Amaral realizou os estudos secundários no Liceu Pedro Nunes e ingressou aos 18 anos na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde em 1963 se licenciou em Direito.
Em declarações à imprensa, afirmou a certa altura: «Fui educado para ser um bom português e um bom católico», revelando que, nos primeiros anos de vida, foi sobretudo mãe que acompanhou a sua formação: «Foi uma educação segundo padrões estritos de moralidade e integridade.».
Durante a juventude, praticou equitação, desporto em que se iniciou aos 9 anos, numa escola hípitca então existente na Avenida Alexandre Herculano, em Lisboa, levado pelo tio Gaspar Freitas do Amaral (rmão do pai e futuro coronel de artilharia no Exército).
Participando em provas a partir dos 14, aos 17, venceu pela primeira vez uma prova de obstáculos, na festa anual da mesma escola hípica que frequentava frequentou.
Uma hérnia discal impedi-lo-ia, porém, de montar a cavalo a partir dos 35 anos.
Outro dos seus interesses passou pelo automobilismo. Aos 14 anos, teve a iniciativa de criar um rali automóvel para os amigos que, como a sua família, passavam férias de verão na Quinta da Marinha, em Cascais. Inventou e escreveu então o regulamento, estabeleceu o percurso (Guincho, Malveira, Sintra e Cascais), selecionou o júri (constituído apenas por membros da sua idade) e foi a Lisboa comprar as taças com o dinheiro das inscrições (entregando ao último classificado, numa nota de humor, o livro Como Aprender a Conduzir de Automóvel).
A primeira das quatro edições da prova é ganha pelo tio Gaspar. Ainda sem ter tirado a carta de condução, o próprio Diogo participaria numa delas, ao volante do carro do oficial. «Guiou brilhantemente», lembraria Augusto Ferreira do Amaral, então jurado, e amigo de infância.
Quando era estudante finalista da licenciatura presidiu à Mesa da RGA (Reunião Geral de Alunos) da AAFDL - Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, entre 1961 e 1962.
Testemunhos de contemporâneos seus da Faculdade de Direito davam nota de que o futuro professor e dirigente político confraternizava sobretudo com colegas mais associados à Direita, numa altura em que se agudizava a oposição com a esquerda, então maioritária nos atos eleitorais para os corpos gerentes da AAFDL.
Também colaborou na revista Quadrante (1958-1962), publicada pela AAFDL.
Discípulo de Marcello Caetano, viria a dedicar-se à carreira académica na mesma Faculdade, especializando-se em Direito Administrativo — em 1964 concluía o Curso Complementar de Ciências Político-Económicas, com a dissertação A utilização do domínio público pelos particulares; em 1967 obtinha o doutoramento em Ciências Jurídico-Políticas, com a tese A execução das sentenças dos tribunais administrativos.
Prestou provas de agregação com um estudo intitulado Conceito e Natureza do Recurso Hierárquico (1983).
Chegou a professor catedrático em 1984 e cumpriu também cinco mandatos como presidente do Conselho Científico da Faculdade de Direito de Lisboa.
Em 1977 iniciou a sua colaboração com a Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa.
Em 1998, depois de ter estado entre os fundadores da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, abandonou a Clássica, dedicando-se exclusivamente ao ensino na Nova, onde também presidiu à Comissão Instaladora, até 1999. No dia 22 de Maio de 2007 lecionou nesta Faculdade a sua última aula, com o tema Alterações do Direito Administrativo nos últimos 50 anos.
A partir de 2011 regeu, na Faculdade de Direito da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias a disciplina de Direito Público da Economia, coordenando também o Centro Português de Estudos Lusófonos.
Autor de um Curso de Direito Administrativo, com diversas edições desde 1986 Freitas do Amaral é considerado, um dos principais doutrinários do Direito Administrativo da Escola de Lisboa, estando à cabeça de uma nova geração de cultores dessa disciplina, posteriores à Escola de Marcello Caetano, em que se encontram nomes como Maria da Glória Garcia, Luís Fábrica, Vasco Pereira da Silva, Maria João Estorninho, Paulo Otero e Carla Amado Gomes.