Dia dos Fiéis Defuntos (em Portugal); Dia de Finados ou Dia dos Mortos (no Brasil), é uma celebração instituída pela Igreja Católica em sufrágio de todas as almas que ainda passam pelo processo de purificação após a morte. É comemorado no dia 2 de novembro, logo após a Solenidade de Todos os Santos, e encerra o ciclo litúrgico conhecido como Estação de Todos os Santos.
A origem da data remonta às mais antigas práticas cristãs. Desde o século II, os fiéis já tinham o costume de rezar pelos falecidos, especialmente quando visitavam os túmulos dos mártires. No século V, a Igreja passou a dedicar um dia específico às orações por todos os mortos, inclusive os esquecidos. Essa tradição foi consolidada pelo abade Santo Odilo de Cluny, no final do século X, ao ordenar que todos os mosteiros da Ordem de Cluny celebrassem, no dia 2 de novembro, uma Missa especial por todos os defuntos.
A celebração espalhou-se rapidamente pela cristandade ocidental e foi confirmada pelos Papas Silvestre II, João XVII e Leão IX, no século XI. Fundamenta-se em diversas passagens bíblicas (Tobias 12,12; Mateus 12,32; I Coríntios 3,12-15; e II Macabeus 12,43-46), que sustentam a prática de orar pelos falecidos.
A data recorda a comunhão entre a Igreja Peregrina (os fiéis na Terra), a Igreja Padecente (as almas no Purgatório) e a Igreja Triunfante (os santos no Céu), convidando os fiéis a oferecer orações, missas e sacrifícios em favor das almas em purificação, para que possam logo alcançar a visão eterna de Deus.
Após a Reforma Protestante, a celebração do Dia de Finados foi fundida ao da Festa de Todos os Santos na Igreja Anglicana, posteriormente desmembrada no século XIX. A observância da comemoração foi restaurada em 1980, como "festividade menor" intitulada "Comemoração dos Fiéis Defuntos".
Para a Igreja Metodista, são santos todos os fiéis batizados, de modo que no Dia de Todos os Santos a congregação local honra e recorda seus membros falecidos.
No México é comemorada a festa do dia dos mortos, bem característica da cultura nacional e que atrai muitos turistas de todo mundo.
DENIS, Léon. O Gênio Céltico e o Mundo Invisível. União Espiritualista Francesa e Francófona, 1927.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Segunda, Capítulo VI, item Comemoração dos mortos. Funerais, questões 320 à 329