Neste Dia

Deus

Entidade concebida como onipotente, onipresente e onisciente

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Nos sistemas de crenças monoteístas, Deus é geralmente visto como o ser supremo, criador e principal objeto da fé. Nos sistemas de crenças politeístas, um deus é "um espírito ou ser que se acredita ter criado, ou que controla alguma parte do universo ou da vida, motivo pelo qual tal divindade é frequentemente adorada". A crença na existência de pelo menos um deus é chamada de teísmo.

As concepções de Deus variam consideravelmente. Muitos teólogos e filósofos notáveis desenvolveram argumentos a favor e contra a existência de Deus. O ateísmo rejeita a crença em qualquer divindade, enquanto o agnosticismo é a crença de que a existência de Deus é desconhecida ou incognoscível. Alguns teístas veem o conhecimento sobre Deus como derivado da fé. Deus é frequentemente concebido como a maior entidade existente.

Muitas vezes acredita-se que Deus é a causa de todas as coisas e, portanto, é visto como o criador, sustentador e governante do universo. Frequentemente considerado incorpóreo e independente da criação material, enquanto o panteísmo sustenta que Deus é o próprio universo. Deus às vezes é visto como onibenevolente, enquanto o deísmo sustenta que ele não está envolvido com a humanidade, sendo separado da sua criação.

Algumas tradições atribuem significado espiritual à manutenção de alguma forma de relacionamento com Deus, muitas vezes envolvendo atos como adoração e oração, e o vêem como a fonte de toda obrigação moral. Deus às vezes é descrito sem referência ao gênero, enquanto outros usam terminologia específica de gênero. Deus é referido por nomes diferentes dependendo do idioma e da tradição cultural, às vezes com diferentes nomes usados em referência aos seus vários atributos.

O termo deus tem origem no termo latino deus, que significa divindade ou deidade. Os termos latinos Deus e divus, assim como o grego διϝος = "divino", descendem do Proto-Indo-Europeu *deiwos = "brilhante/celeste", termo esse encerrando a mesma raiz que Dyēus, a divindade principal do panteão indo-europeu, igualmente cognato do grego Ζευς (Zeus).

A existência de Deus é tema de debate na teologia, filosofia da religião e cultura popular. Em termos filosóficos, a questão envolve as disciplinas da epistemologia (a natureza e o âmbito do conhecimento) e da ontologia (estudo da natureza do ser ou da existência) e da teoria do valor (uma vez que algumas definições de Deus incluem "perfeição"). Argumentos ontológicos referem-se a qualquer argumento a favor da existência de Deus baseado em raciocínio a priori, sendo seus principais defensores Anselmo e René Descartes. Argumentos cosmológicos,usam conceitos em torno da origem do universo para defender a existência de Deus.

O argumento teleológico, também chamado de “argumento da criação”, usa a complexidade do universo como prova da existência de Deus. Críticos desta linha de pensamento dizem que o ajuste fino necessário para um universo estável com vida na Terra é ilusório, pois os humanos só são capazes de observar a pequena parte deste universo que conseguiu tornar possível tal observação, chamado de princípio antrópico, e assim não aprenderiam sobre, por exemplo, vida em outros planetas que não ocorreram devido a diferentes leis da física. Os não-teístas argumentam que processos complexos que têm explicações naturais ainda a serem descobertas são referidos ao sobrenatural, fenômeno chamado de deus das lacunas. Outros teístas, como John Henry Newman, que acreditava que a evolução teísta era aceitável, também criticaram versões do argumento teleológico.

O argumento da beleza afirma que este universo contém uma beleza especial e que não haveria nenhuma razão particular para isto em relação à neutralidade estética além de Deus. Este ponto de vista é contestado pela existência de feiúra no universo e também pelo argumento de que a beleza não tem realidade objetiva e, portanto, o universo poderia ser visto como feio.

O argumento da moralidade defende a existência de Deus dada a suposição da existência objetiva da moral. Embora proeminentes filósofos não-teístas, como o ateu J. L. Mackie, concordassem que o argumento é válido, eles discordavam das suas premissas. David Hume argumentou que não há base para acreditar em verdades morais objetivas, enquanto o biólogo E. O. Wilson teorizou que os sentimentos de moralidade são um subproduto da seleção natural nos humanos e não existiriam independentemente da mente.

O argumento da consciência, de forma semelhante ao argumento da moralidade, defende a existência de Deus dada a existência de uma consciência que informa sobre o certo e o errado, mesmo contra os códigos morais prevalecentes. O filósofo John Locke, em vez disso, argumentou que a consciência é uma construção social e, portanto, poderia levar a contradições morais.

O ateísmo é, num sentido amplo, a rejeição da crença na existência de divindades. O agnosticismo, por sua vez, é a visão de que os valores de verdade de certas afirmações - especialmente afirmações metafísicas e religiosas, como a existência de Deus, do divino ou do sobrenatural - são desconhecidos e talvez incognoscíveis. O teísmo geralmente sustenta que Deus existe objetiva e independentemente do pensamento humano e às vezes é usado para se referir a qualquer crença em Deus ou deuses.

Alguns vêem a existência de Deus como uma questão empírica. Richard Dawkins afirma que “um universo com um deus seria um tipo de universo completamente diferente de um universo sem um deus, e seria uma diferença científica”. Carl Sagan argumentou que a doutrina de um "criador do universo" era difícil de provar ou refutar e que a única descoberta científica concebível que poderia refutar a existência de um criador (não necessariamente um Deus) seria a descoberta de que o universo é infinitamente antigo. Alguns teólogos, como Alister McGrath, argumentam que a existência de Deus não é uma questão que possa ser respondida utilizando o método científico.

O agnóstico Stephen Jay Gould argumentou que a ciência e a religião não estão em conflito e propôs uma abordagem que divide o mundo da filosofia no que chamou demagistérios não-interferentes, onde questões do sobrenatural, como aquelas relacionadas à existência e natureza de Deus, são consideradas não empíricas e são o domínio próprio da teologia. Os métodos da ciência deveriam então ser usados para responder a qualquer questão empírica sobre o mundo natural, enquanto a teologia deveria ser usada para responder a questões sobre o sobrenatural e o valor moral. Nesta visão, a aparente falta de qualquer pegada empírica do magistério do sobrenatural nos eventos naturais torna a ciência o único ator no mundo natural. Stephen Hawking e o co-autor Leonard Mlodinow afirmam em seu livro de 2010, The Grand Design, que é razoável perguntar quem ou o que criou o universo, mas se a resposta for Deus, então a questão seria meramente desviada para quem criou Deus. Ambos os autores afirmam, no entanto, que é possível responder a estas questões puramente dentro do domínio da ciência e sem invocar seres divinos.

Uma divindade, ou "deus" (com d minúsculo), refere-se a um ser sobrenatural. O monoteísmo é a crença de que existe apenas uma divindade, referida como “Deus” (com d maiúsculo). Comparar ou igualar outras entidades a Deus é visto como idolatria no monoteísmo e muitas vezes é algo fortemente condenado. O judaísmo é uma das tradições monoteístas mais antigas do mundo. O conceito mais fundamental do islamismo é tawhid, que significa "unidade" ou "singularidade". O primeiro pilar do Islã é um juramento que constitui a base da religião e que os não-muçulmanos que desejam declarar que “não há divindade exceto Deus”. No cristianismo, a doutrina da Trindade descreve Deus como um só Deus em Pai, Filho (Jesus) e Espírito Santo.

Deus no hinduísmo é visto de forma diferente por diversas vertentes da religião, sendo que a maioria dos hindus têm fé em uma realidade suprema (Brahman) que pode ser manifestada em várias divindades diferentes. Assim, a religião é por vezes caracterizada como monoteísmo polimórfico. O henoteísmo é a crença e adoração de um único deus por vez, ao mesmo tempo que aceita a validade de adorar outras divindades. A monolatria é a crença em uma única divindade digna de adoração enquanto aceita a existência de outras divindades.

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