Dejan Petković (em sérvio: Дејан Петковић) (Majdanpek, 10 de setembro de 1972) é um comentarista esportivo e ex-futebolista sérvio que atuava como meio-campista.
Especialista em cobranças de faltas, escanteios, lançamentos, passes e chutes precisos, foi reconhecido como um dos jogadores mais técnicos a atuarem no Brasil nos anos 1990 e 2000, e, por conseguinte, um dos melhores jogadores estrangeiros que já jogaram no país. Não por menos, recebeu por três vezes o troféu Bola de Prata da ESPN.
Um raro exemplo de jogador europeu a vir jogar no Brasil no século XX, virou ídolo no Vitória e destacou-se também em três rivais cariocas: Flamengo, Vasco da Gama e Fluminense, tendo mais identificação, porém, com o rubro-negro carioca, clube pelo qual fez 57 gols em 196 partidas oficiais, sendo 15 de falta, 14 de pênaltis e quatro olímpicos. É o estrangeiro que mais jogou e também o que mais marcou gols no Campeonato Brasileiro, em que atuou 268 vezes e marcou 83 gols.
Em 2020, em um ranking elaborado por especialistas dos jornais O Globo e Extra, figurou na 9ª posição entre os maiores ídolos de futebol da história do Clube de Regatas do Flamengo, sendo o estrangeiro mais bem ranqueado.
Esse sucesso no país, porém, não seria reconhecido pelas diversas comissões técnicas que foram se passando pelas Seleções Iugoslava, Servo-Montenegrina e Sérvia — sucesso este que, todavia, acabaria reconhecido pelo próprio governo da Sérvia em junho de 2010, quando o Ministro das Relações Exteriores de sua terra natal, Vuk Jeremić, anunciou Petković como cônsul honorário da Sérvia no Brasil.
Foi comentarista do canal SporTV, do grupo Globosat, de 2018 até agosto de 2022.
Em maio de 2026, Dejan Petković tornou-se Embaixador Global da Marca da Meridian Holdings.
Nascido em Majdanpek, cedo mudou-se para Niš para jogar nas categorias de base do clube da cidade, o Radnički Niš; seguia os passos do irmão mais velho, Boban, e do pai, Dobrivoje, que também foram jogadores. Admirava Pelé, Zico, Careca e Diego Maradona. Nos juvenis, seu talento já o fazia desde os quinze anos ser chamado para a seleção de cadetes da Iugoslávia.
Petković tornou-se o mais jovem jogador da história do futebol iugoslavo a atuar numa partida oficial, estreando em 25 de setembro de 1988 (quando tinha 16 anos e 15 dias de idade) em vitória por 4 a 0 sobre a equipe bósnia do Željezničar Sarajevo. Na ocasião, superou em um dia marca que pertencia a Mitar Mrkela. O recorde não seria derrubado na vigência do Campeonato Iugoslavo. No Campeonato Sérvio, foi superado somente por Slavko Perović e Danijel Aleksić.
No Radnički, ganhou o apelido pelo qual é conhecido em sua terra natal, Rambo, em referência ao personagem de Sylvester Stallone, por seu físico robusto à época. Ao todo, foram 34 gols em 53 partidas pela equipe, a despeito de ela não ir além do décimo lugar nas temporadas de 1989–90 (15º de dezoito times), 1990–91 (10º de dezenove) e 1991–92 (11º de dezoito times, no primeiro torneio sem clubes croatas e eslovenos e no último a conservar equipes bósnias e macedônias), disputado já em meio à Guerra Civil Iugoslava.
Ainda como jogador do Radnički, Petković foi convocado às seleções de base da Iugoslávia, participando do Torneio Internacional de Toulon em 1992. Também foi chamado à Eurocopa 1992 como atleta do Radnički, embora o país posteriormente viesse a ser banido da competição a menos de duas semanas do início da mesma, em sanção decorrente da Guerra da Bósnia. Petković, ao fim daquela temporada, terminou contratado pelo Estrela Vermelha, da capital Belgrado. Continuou realizando nos anos seguintes contribuições ao seu primeiro clube, como arranjar material esportivo, dinheiro e até mesmo intermediando transferência de jogadores brasileiros.
O clube havia vencido no ano anterior a Liga dos Campeões da UEFA e o Mundial Interclubes, além de obter um tricampeonato na liga iugoslava entre 1990 e 1992, mas encontrava-se sob desmanche de suas principais estrelas, que em 1991 ainda incluíam o croata Robert Prosinečki e o bósnio Refik Šabanadžović. O título nacional de 1991-92, em meio ao agravamento da Guerra Civil Iugoslava, por sua vez, marcou a saída dos principais jogadores sérvios e montenegrinos, como Dejan Savićević, Siniša Mihajlović, Vladimir Jugović, além do macedônio Darko Pančev e do servo-romeno Miodrag Belodedici.
Do time campeão continental no ano anterior, restavam apenas três jogadores. Petković fez sua estreia oficial pelo Estrela justamente contra o ex-clube, marcando um dos gols em vitória de 4 a 0 sobre o Radnički Niš pela rodada inicial. Ao fim do mês, foi descrito como "ouro puro" pelo secretário do clube, em entrevista ao jornal espanhol Mundo Deportivo. O reforço logo se encaixou, chegando a marcar cinco gols em uma só partida do campeonato de 1992-93, na 31ª rodada. Venceu a Copa da Iugoslávia, marcando três gols em nova partidas nessa campanha, encerrada em decisão nos pênaltis no clássico com o Partizan.
Porém, o rival terminou vencendo a liga iugoslava naquela temporada. Na temporada seguinte, a de 1993-94, Petković marcou dez vezes em 29 partidas - incluindo em cada duelo com o arquirrival, em vitória por 2 a 1 e em empate em 1 a 1. A despeito do retrospecto desfavorável no clássico, o Partizan foi novamente campeão. Já na temporada 1994/95, Petković foi o grande nome no meio-campo do grupo que reconquistou a liga iugoslava, além de vencer novamente a Copa nacional. No campeonato, foi o único campeão a jogar as 36 rodadas, sobressaindo-se em relação a colegas que posteriormente teriam mais prestígio na Europa que ele, como Goran Đorović, Darko Kovačević e Dejan Stanković. Marcou oito gols, incluindo dois particularmente decisivos, que deram vitórias por 2 a 1 sobre o Vojvodina (líder inicial na temporada, depois terceiro colocado) e por 3 a 2 no clássico com o vice-campeão Partizan. O gol no dérbi ocorreu já no minuto 77. Na Copa, marcou duas vezes em oito partidas. Em paralelo, ele também marcou um dos gols em 13 de novembro de 1994 na vitória de virada por 4 a 1 em amistoso com o Olympiacos, no que foi a primeira partida internacional realizada na Iugoslávia após o fim das sanções esportivas. Na mesma época, o banimento à seleção iugoslava encerrou-se e Petković esteve nas primeiras convocações após o fim das sanções, ainda no fim de 1994, embora só viesse a estrear já no ano seguinte.
Após as conquistas da temporada, o jogador foi especulado em julho inicialmente no Real Oviedo, treinado pelo sérvio Ivica Brzić. Em agosto, divulgou-se que Petković já teria pré-contratado com o Real Madrid, embora negociasse com o Celta de Vigo, que já tinha Goran Milojević e Milorad Ratković. No início de setembro, divulgou-se que o clube da capital espanhola teria desistido do jogador, que só poderia atuar a partir do segundo turno, após a perda do prazo para inscrições. Ao fim do mês, porém, o negócio foi confirmado, embora já com a expectativa de que o sérvio, esperado para juntar-se ao Real apenas em 15 de dezembro, fosse inicialmente emprestado a outro clube.
Assim, Petković, já considerado uma das grandes promessas europeias, permaneceu por mais um semestre no Estrela Vermelha, que voltaria às competições europeias após o fim das sanções da FIFA (impostas ao futebol iugoslavo devido às guerras civis). O clube, porém, acabou eliminado precocemente. Petković declararia que o primeiro obstáculo a lhe atrapalhar no Real Madrid seria justamente esse semestre a mais no Estrela. Ele despediu-se da equipe exatamente em clássico com o Partizan em 25 de novembro. A partida terminou em 1-1, empatada a quinze minutos do fim pelo Estrela, com a atuação de Petkovic sendo descrita como "de sorte desigual" e presenciada pelo secretário madridista Ramón Martínez.
O Estrela Vermelha demoraria cinco anos sem ele para ser novamente campeão nacional.[carece de fontes?] O negócio não deixou de revoltar a torcida, que na mesma época viu-se órfã também de Darko Kovačević e Dejan Stefanović ao Sheffield Wednesday. Petković foi o terceiro jogador que o Real Madrid contratou do Estrela Vermelha, após Milan Janković em 1988 e Robert Prosinečki em 1991.