David Randolph Scott (San Antonio, 6 de junho de 1932) é um ex-oficial militar, piloto, piloto de teste e astronauta norte-americano que foi para o espaço três vezes e tornou-se em 1971 a sétima pessoa a pisar na superfície da Lua. Ele se formou na Academia Militar dos Estados Unidos em 1954 e entrou para a Força Aérea, servindo como piloto de caça na Europa. Scott cursou a Escola Experimental de Pilotos de Teste da Força Aérea em 1963 e passou a trabalhar como piloto de teste, alcançando a patente de coronel e acumulando mais de cinco mil horas de voo em diferentes aeronaves de última geração.
Scott foi selecionado astronauta em 1963 como parte do Grupo 3 da NASA. Ele foi para o espaço pela primeira vez em março de 1966 junto com Neil Armstrong a bordo da Gemini VIII, com a missão precisando ser abortada depois de dez horas por problemas nos propulsores da capsula espacial. Seu voo seguinte foi em março de 1969 na Apollo 9, quando passou dez dias em órbita junto com James McDivitt e Russell Schweickart realizando vários testes na espaçonave Apollo. Seu terceiro e último voo espacial foi como comandante da Apollo 15 em julho de 1971 ao lado de Alfred Worden e James Irwin, permanecendo três dias na superfície da Lua realizando experimentos científicos e colhendo amostras geológicas na região de Hadley–Apennine.
A Apollo 15 foi considerada um grande sucesso, porém a imagem dos três astronautas foi manchada após seu retorno quando foi descoberto que eles tinham levado quatrocentos envelopes postais não-autorizados para a Lua. Scott, Worden e Irwin foram repreendidos e nunca mais voaram para o espaço. Scott depois disso tornou-se diretor do Centro de Pesquisa de Voo Dryden até se aposentar da NASA em 1977. Desde então ele trabalhou em vários projetos e corporações relacionadas com o espaço, também atuando como consultor em algumas obras de ficção sobre o programa espacial dos Estados Unidos.
David Randolph Scott nasceu no dia 6 de junho de 1932 na Base Aérea Randolph, da qual recebeu seu nome do meio, perto de San Antonio, Texas, Estados Unidos. Seu pai era Tom William Scott, um piloto de caça do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos que chegou a patente de general de brigada; enquanto sua mãe era Marian Davis. Scott passou seus primeiros anos em Randolph, onde seu pai estava servindo, em seguida mudando-se para uma base em Indiana e depois em 1936 para Manila, nas Filipinas, que na época estava sob controle norte-americano. Scott descreveu seu pai como um grande disciplinador. A família voltou para os Estados Unidos em dezembro de 1939. Eles estavam morando em San Antonio de novo na época do Ataque a Pearl Harbor no final de 1941; Tom Scott foi designado para servir fora do país pouco depois.
Scott foi para o Instituto Militar do Texas, pois achou-se que precisaria de mais disciplina do que receberia em casa com seu pai na guerra. Passou seus verões em Hermosa Beach, Califórnia, na casa de David Shattuck, amigo de seu pai, de quem foi nomeado em homenagem. Scott ficou determinado em também tornar-se piloto, tendo construído miniaturas e assistido filmes de guerra sobre aviação. Scott, na época do retorno de Tom Scott, já estava velho o bastante para ter permissão de entrar em uma aeronave militar junto com o pai; décadas depois ele lembrou o momento como "a coisa mais excitante que eu já tinha experimentado".
Foi um membro ativo dos Escoteiros da América, tendo alcançado sua segunda maior posição hierárquica, Águia Escoteira. Seu pai foi designado para Base Aérea March perto de Riverside na Califórnia e Scott foi estudar na Escola Superior Politécnica de Riverside, onde fez parte da equipe de natação e quebrou vários recordes locais e estaduais. Seu pai foi transferido para Washington, D.C. antes de terminar o colegial; houve certas discussões na família sobre a possibilidade permitir que Scott permanecesse na Califórnia até se formar, porém ele acabou transferindo-se para a Escola Superior Ocidental em Washington, formando-se em junho de 1949.
Scott queria uma nomeação para a Academia Militar em West Point, Nova Iorque, porém não tinha as conexões necessárias para conseguir uma. Ele entrou em um concurso público e aceitou uma bolsa de natação para a Universidade de Michigan, onde foi um estudante de destaque na escola de engenharia. Scott conseguiu seu convite para estudar na Academia Militar em 1950, aceitando de imediato. Ele ainda queria voar e ser comissionado na recém criada Força Aérea. A Academia da Força Aérea só foi fundada em 1954, ano em que Scott se formou da Academia Militar; um arranjo temporário tinha sido feito para que um quarto dos formandos da Academia Militar e da Academia Naval pudessem se voluntariar para a Força Aérea. Scott formou-se em quinto de uma classe de 633 como bacharel em ciência militar, sendo comissionado na Força Aérea.
Scott passou seis meses, a partir de julho de 1954, treinando como piloto na Base Aérea de Mariana no Arizona. Ele completou em 1955 mais treinamentos de formação na Base Aérea Webb no Texas, em seguida passando por treinamento de artilharia na Base Aérea Laughlin no Texas e Base Aérea Luke no Arizona.
Ele voou de abril de 1956 até julho de 1960 como parte do 32º Esquadrão de Operações Aéreas, localizado na Base Aérea de Soesterberg, em Soesterberg, Utreque, nos Países Baixos, pilotando o North American F-86 Sabre e North American F-100 Super Sabre. O clima local era frequentemente ruim, o que testou as habilidades de Scott como piloto. Certa vez, precisou pousar seu avião em um campo de golfe por problemas em seu motor. Em outra ocasião ele conseguiu por pouco alcançar uma base holandesa próxima do Mar do Norte. Scott serviu na Europa durante a Guerra Fria e as relações entre Estados Unidos e União Soviética eram frequentemente tensas. Seu esquadrão foi colocado no mais alto nível de alerta por semanas durante a Revolução Húngara de 1956, porém nunca precisaram entrar em combate.
Scott se casou pela primeira vez em 1959, com Ann Ott, com quem teve dois filhos: Tracy em 1961 e Douglas em 1963. Ele esperava poder se tornar um piloto de teste a fim de avançar em sua carreira, com os treinamentos ocorrendo na Base Aérea Edwards, na Califórnia. Scott foi aconselhado que conseguir um diploma superior em aeronáutica seria a melhor maneira para conseguir entrar em uma escola de pilotos de teste. Dessa forma, candidatou-se para uma vaga no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e foi aceito. Ele conquistou em 1962 dois mestrados, o primeiro em aeronáutica/astronáutica e o segundo em engenharia aeronáutica/astronáutica.
Apresentou-se na Escola de Pilotos de Teste da Força Aérea dos Estados Unidos em Edwards em julho de 1962. O comandante da escola era Charles Yeager, a primeira pessoa a quebrar a barreira do som, quem Scott idolatrava; os dois voaram juntos várias vezes. Scott se formou como o melhor piloto de sua classe. Foi depois selecionado para a Escola de Pilotos de Pesquisa Aeroespacial, que também ficava em Edwards, onde treinavam aqueles que tinham a intenção de tornarem-se astronautas da Força Aérea. Foi lá que ele aprendeu como controlar aeronaves, por exemplo o Lockheed F-104 Starfighter, em altitudes superiores a trinta quilômetros.
Scott candidatou-se em 1963 para fazer parte do Grupo 3 de Astronautas da NASA, que na época estava em processo de seleção. Ele inicialmente achava que a carreira de astronauta seria apenas um desvio temporário de sua carreira militar normal; Scott esperava que fosse para o espaço algumas vezes e em seguida retornasse para a Força Aérea. Ele acabou sendo escolhido em outubro para fazer parte do Grupo 3, junto com outros treze homens. Sua primeira designação foi na capacidade de representante no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, supervisionando o desenvolvimento do Computador de Orientação Apollo. Ele passou a maior parte de seu tempo entre 1964 e 1965 morando em Cambridge, Massachusetts. Scott atuou como CAPCOM reserva da Gemini IV e como CAPCOM na Gemini V.
Após a finalização da Gemini V, Donald Slayton, o Diretor de Operações de Tripulações de Voo, informou Scott que ele iria para o espaço junto com Neil Armstrong na Gemini VIII. Isto fez dele o primeiro astronauta do Grupo 3 a tornar-se membro de uma tripulação principal, sem nunca ter servido como reserva. Scott era muito bem visto por seus colegas devido suas credenciais como piloto; Michael Collins, outro astronauta do Grupo 3, escreveu depois que a seleção de Scott para voar com Armstrong o convenceu de que a NASA sabia o que estava fazendo.