Daniel Alberto Passarella (Chacabuco, 25 de maio de 1953) é um ex-futebolista e ex-técnico de futebol argentino. Considerado o melhor zagueiro produzido pelo futebol argentino.
Celebrizou-se como jogador, onde atuava na posição de zagueiro. Apesar da estatura considerada baixa para a posição (1,73 m), sabia cobrir a defesa de suas equipes devido à sua grande impulsão. Seu forte jogo aéreo também lhe possibilitou marcar muitos gols de cabeça, além de precisas cobranças de falta. É o segundo zagueiro que mais fez gols na história (está atrás apenas do holandês Ronald Koeman), marcando 175 gols oficiais, sendo 153 por clubes e 22 pela seleção.
Passarella também era veloz, cobrava faltas muito bem, era ótimo no desarme e realizava lançamentos longos precisos para contra-ataques. Além de ser o único jogador bicampeão mundial da Seleção Argentina (estava nos elencos das Copas do Mundo de 1978, erguida por ele como capitão, e 1986), é também bastante identificado com o River Plate, onde atuou nove anos como jogador, seis como treinador e ainda foi presidente por quatro anos.
A maestria na defesa, onde também atuaria como líbero, o fato de ter sido capitão campeão de uma Copa em casa e de treinar seu país lhe renderia comparações com Franz Beckenbauer. Posteriormente, como o alemão, tornou-se também presidente do clube onde se notabilizou.
Carreira como jogador em clubes
Após começar no pequeno Sarmiento, chegou ao River Plate em 1974. Curiosamente, era na infância torcedor do arquirrival Boca Juniors e chegou a tentar jogar no clube de La Bombonera, mas foi reprovado na peneira. Furioso, pediu a Néstor Rossi, ex-zagueiro do River que o havia trazido a Buenos Aires apostando em seu talento, que lhe arranjasse testes na equipe do Monumental de Núñez, onde foi aprovado.
Estreou na equipe principal do River quando o time vivia jejum de dezoito anos sem títulos expressivos. No segundo ano, a escrita seria quebrada em dose dupla: o clube foi campeão do campeonato argentino e do campeonato metropolitano, à época um torneio mais valorizado do que o próprio nacional.
O ano de 1976 foi o oposto: os dois títulos ficaram com o arquirrival Boca Juniors e, para piorar, o River perdeu a Taça Libertadores da América para o Cruzeiro, torneio que o Boca ainda por cima conquistaria em 1977 e 1978. Paralelamente, Passarella ia ganhando os metropolitanos de 1977, 1979 e 1980 e os argentinos de 1979 e 1981. Após a Copa do Mundo de 1982, quando trocou o clube pelo futebol italiano, o zagueiro havia levantado sete taças em oito anos como jogador do River.
No fim da carreira, voltou à antiga equipe, jogando a temporada argentina de 1988/89.
Passarella foi contratado pela Fiorentina. Na Itália, trocaria a posição na zaga esquerda pela de líbero. Na primeira temporada na Viola, o clube ficou a nove pontos da campeã Roma, mas em quinto, uma posição abaixo da última vaga para a Copa da UEFA. Na segunda, a de 1983/84, conseguiu um terceiro lugar. A de 1984/85 seria esquecível: a equipe de Florença terminou em nono e, na Copa da UEFA, foi eliminada após perder de 2 x 6 para o Anderlecht, da Bélgica.
Depois de uma recuperação na edição seguinte da Serie A, com um quarto lugar em 1985/86, Passarella foi contratado pela mais tradicional Internazionale. Nos nerazzurri, o zagueiro terminou o campeonato de 1986/87 na terceira colocação, a quatro pontos do campeão Napoli, do desafeto Diego Maradona. A segunda temporada na Inter não foi melhor: o time terminou em quinto, com o troféu indo para o arquirrival Milan e, na Copa da UEFA, foi eliminado nas oitavas-de-final de forma surpreendente pelo pequeno Español, de Barcelona.
Foi a última temporada de Passarella na Itália, tendo acertado um retorno ao River Plate. Se não ganhou troféus no duro futebol do país, sua passagem ali é bastante respeitada. Ironicamente, a Inter de Milão conseguiria o título italiano na primeira temporada sem o líbero.
Passarella estreou pela Argentina em 1974, em seu primeiro ano no River Plate. Tornar-se-ia capitão e o primeiro argentino a levantar a Copa do Mundo, após o país, anfitrião, sagrar-se vencedor, ainda que polemicamente, da edição de 1978. Marcou um gol na campanha, na primeira fase, convertendo um pênalti contra a França.
Na Copa do Mundo de 1982, a detentora do título foi à Espanha fortalecida, com a presença da promessa Diego Maradona. Passarella foi um dos poucos do elenco albiceleste que se salvaram no mundial: marcou duas vezes, em outro pênalti na primeira fase, contra El Salvador; e no final da partida contra a Itália, na segunda fase de grupos. O gol lhe valeria uma transferência para o futebol do país, sendo contratado pela Fiorentina. Foi também na Copa de 1982 que começaram suas desavenças com Maradona. Contra o Brasil, lesionou Zico em violenta e desnecessária falta.
Após classificações automáticas como anfitrião para 1978 e campeão para 1982, Passarella disputou para a Copa do Mundo de 1986 suas primeiras eliminatórias. A vaga veio no sufoco. Após vencer os quatro jogos, dentro e fora de casa, contra Colômbia e Venezuela, a Argentina decidiu a classificação contra o Peru. Ainda que derrotados em Lima, os argentinos necessitavam de apenas um empate em Buenos Aires para se garantirem no México.
A Argentina abriu o marcador, mas os peruanos, que já haviam desclassificado o país em Buenos Aires da Copa do Mundo de 1970, viraram para 2 x 1. A eliminação estava vindo até os 36 minutos do segundo tempo, em que Passarella foi herói: pegou a bola ainda no campo de defesa e puxou o ataque, avançando para a grande área após tabelar com Enzo Trossero. O defensor chutou, a bola passou entre as mãos do goleiro Eusebio Acasuzo e bateu na trave, sobrando livre de rebote para Ricardo Gareca concluir para as redes e classificar a Argentina.
Apesar de sua atuação decisiva, Passarella acabaria não sendo utilizado pelo técnico Carlos Bilardo na Copa, em razão da rixa com Maradona, que não queria sequer a convocação do desafeto. Único remanescente do elenco campeão de 1978, Passarella foi, ainda que na reserva em 1986, o único jogador presente nos dois títulos mundiais da Argentina.
Após aposentar-se no River Plate como jogador, Passarella seguiu no clube, agora como técnico, faturando o argentino de 1989/90. Ficaria seis anos em sua primeira passagem no cargo, montando equipes que demonstravam força nos torneios locais, ganhando os Aperturas de 1991 e 1993. Saiu em 1994 para tornar-se treinador da Seleção Argentina, substituindo Alfio Basile, após este ser eliminado na Copa do Mundo de 1994.