Débora Lamm (Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1978) é uma atriz e diretora brasileira. Iniciou sua carreira no Teatro O Tablado, no entanto tornou-se conhecida por seus trabalhos em programas humorísticos. Lamm já recebeu diversos prêmios e indicações em sua carreira, incluindo nomeações para um Prêmio Guarani, um Prêmio Qualidade Brasil e dois Prêmios APTR.
Lamm fez sua estreia profissional na peça infantil A Bruxinha que Era Boa (1999) no papel de "Bruxinha Caolha". Desde então, passou a ser recorrente em diversos espetáculos, destacando-se em produções voltadas para o público infantil, como A Alma Boa de Setsuan (2001), Camaleão na Lua (2002), Leonce e Lena (2004), e O Alfaiate e o Rei (2005). No teatro adulto, esteve em Os Mamutes (2008) e A Ponte (2018), sendo indicada ao Prêmio APTR de melhor atriz em ambas.
Na televisão, seu primeiro trabalho foi na telenovela Um Anjo Caiu do Céu (2001), na TV Globo. Teve destaque em produções como Sabor da Paixão (2002), Celebridade (2003), Correndo Atrás (2004) e Avassaladoras: A Série (2006), nesta última no papel de protagonista. No entanto, seu maior sucesso ocorreu com suas participações em programas humorísticos, como Cilada (2006), Junto & Misturado (2010), pelo qual foi indicada ao Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Atriz em Programa de Humor, e Zorra (2015–18). Ainda é reconhecida pelos trabalhos em Geração Brasil (2014), Amor de Mãe (2019) e Todo Dia a Mesma Noite (2023).
No cinema, sua estreia ocorreu na comédia dramática Seja o que Deus Quiser! (2002), trabalho que lhe rendeu a nomeação como Melhor Revelação no Prêmio Guarani de Cinema. Nos anos seguintes, popularizou-se em filmes de comédia, com destaque para Muita Calma Nessa Hora (2010), Cilada.com (2011), Muita Calma Nessa Hora 2 (2014), Como É Cruel Viver Assim (2018), O Palestrante (2022) e L.O.C.A. (2021).
1997—05: Início no Tablado e projeção nacional
Débora começou sua carreira no renomado curso de atuação do teatro O Tablado, onde permaneceu por alguns anos chegando a realizar diversas peças de Maria Clara Machado, fundadora do Tablado. Sua estreia em uma peça profissional ocorreu em 1999 em A Bruxinha que Era Boa, onde interpretou a "Bruxinha Caolha" sob a direção de Cacá Muorthé. Na peça infantil de Maria Clara Machado, ela interpreta a bruxa descrita como a melhor da classe, ou seja, a "pior de todas as bruxas". Dois anos mais tarde, em 2001, retorna aos palcos sendo dirigida por Guida Vianna em uma montagem de A Alma Boa de Set-Suan, texto original do escritor alemão Bertolt Brecht que aborda a dificuldade de ser cruel, destacando que a bondade e a generosidade são inerentes ao ser humano.
O ano de 2001 também marcou a estreia de Lamm na televisão. Ela foi escalada para o elenco da novelas Um Anjo Caiu do Céu, de autoria de Antônio Calmon para o horário das sete da TV Globo. Na trama, interpreta "Alice Maciel", personagem que contrasta com suas amigas Carol (Mariana Hein) e Jô (Janaína Lince) em termos de beleza e ambições. Alice não busca seguir carreira como modelo, vindo de uma família de classe média e estudando Estilismo na Faculdade de Moda. Ela é influenciada por suas amigas em várias áreas de sua vida e é insegura quanto ao seu talento. Apaixonada por Dé (Rodrigo Edelstein), suas emoções mudam quando Adolfinho (Caio Junqueira) entra em cena, transformando sua vida.
Em 2002, Débora Lamm estreou no cinema com a comédia dramática Seja o que Deus Quiser!, dirigida por Murilo Salles. O filme acompanha um grupo de jovens durante um fim de semana repleto de confusões, com Lamm interpretando a personagem "Ruth", viciada em internet. Além de Débora, o elenco é composto por Rocco Pitanga, Caio Junqueira e Ludmila Rosa. O filme recebeu elogios da crítica, ganhando o Troféu Redentor de melhor filme popular no Festival do Rio, e rendeu a Marina uma indicação como Melhor Revelação Feminina no Prêmio Guarani de Cinema. Ainda no cinema, atua no curta-metragem Suspiros Republicanos ao Crepúsculo de um Império, de Rosane Svartman, que aborda a história de se fazer cinema no Brasil. No mesmo ano, em agosto, retorna aos palcos novamente em um texto de Maria Clara Machado, Camaleão na Lua, repetindo parceria com Cacá Mourthé, onde interpretou "Lúcia". Em setembro, volta às novelas em Sabor da Paixão, escrita por Ana Maria Moretzsohn, no papel da jornalista "Paula".
Em 2003, foi escalada para fazer parte do elenco da novela das nove Celebridade, escrita por Gilberto Braga, o que a proporcionou uma maior visibilidade nacional devido à grande audiência da produção. Na trama, que se tornou um marco na teledramaturgia devido aos confrontos entre as personagens das protagonistas Malu Mader e Cláudia Abreu, interpretou "Vitória Souto", uma repórter simpática da revista Fama, o cenário principal da história. Com os términos das gravações da novela, voltou aos palcos com a peça Leonce e Lena, em 2004, uma comédia romântica escrita por Georg Büchner e dirigida por Ricardo Kosovski, onde encarna a "Governanta". No mesmo ano, estrela o especial de fim de ano Correndo Atrás, como a psicóloga "Solange", personagem que compõe o grupo de oito amigos recém formados que não conseguem ingressar no mercado de trabalho. Débora atuou ao lado de Danton Mello, Taís Araújo, Luana Piovani, Pedro Neschling, Miguel Thiré, Fernando Caruso e Rocco Pitanga nos papéis principais. Em 2005, interpreta uma tecelã no espetáculo O Alfaiate e o Rei, texto inédito Maria Clara Machado, adaptação do conto A Roupa Nova do Imperador de Hans Christian Andersen.
2006—13: Prosseguimento da carreira na televisão e cinema
Em 2006, transfere-se para a RecordTV para protagonizar a série Avassaladoras. Na produção, que é baseada no filme homônimo de 2002, ela interpreta "Betty", originalmente defendido por Paula Cohen, uma das quatros amigas protagonistas da série. Sua personagem é uma mulher que experimentou um casamento breve e fracassado, marcado por traição. Após retornar à vida de solteira, ela se transforma em uma mulher sedutora e sem limites, devorando homens. A produção conta ainda com Vanessa Lóes, Giselle Itié e Virgínia Cavendish nos demais papéis principais. Neste mesmo ano, retorna aos cinemas no romance 1972, de José Emílio Rondeau, que se passa no período da ditadura militar e tem como pano de fundo o cenário musical daquela década. Ainda em 2006, entra para o elenco principal da série Cilada, criada e protagonizada por Bruno Mazzeo, no Multishow, como "Débora". Permaneceu na série entre a terceira e a sexta temporada, que chegou ao fim em 2009.
Em dezembro de 2007, fez uma participação especial em Malhação como "Clara". No mesmo ano, gravou o documentário O Tablado e Maria Clara Machado em homenagem aos feitos do teatro. Em 2008, Débora realizou participações especiais em seriados da TV Globo, incluindo Faça Sua História, A Grande Família, Guerra e Paz e Casos e Acasos. Em 2009, aparece na novela das seis Negócio da China, de Miguel Falabella, em uma participação especial como "Mariete Gonçalves", sobrinha de "Violante" (Cláudia Jimenez). Em 2010, retorna ao cinema produzindo e estrelando a comédia Muita Calma Nessa Hora, de Felipe Joffily, onde interpreta "Estrella Terra", uma hippie que está a procura de seu pai e acaba encontrando o trio de amigas Mari (Gianne Albertoni), Aninha (Fernanda Souza) e Tita (Andréia Horta), com quem pega uma carona e passa por momentos de grande diversão. Ainda em 2010, estrela a primeira temporada do seriado Junto & Misturado, da TV Globo, onde interpretou diversos personagens em esquetes que retratavam crônicas diárias de forma exagerada. A série teve uma segunda temporada em 2013 e foi cancelada pela emissora.
No mesmo ano, é dirigida por Márcio Garcia na comédia romântica Amor por Acaso, uma coprodução entre Brasil e Estados Unidos protagonizada por Juliana Paes e Dean Cain, atuando em uma participação especial como "Gabriela". Em 2010, criou a companhia de teatro Cia Omondé, realizando diversos trabalhos. Em 2011, volta aos cinemas com a comédia Cilada.com, filme derivado da série Cilada dirigido por José Alvarenga Júnior, interpretando umas das ex-namoradas do protagonista Bruno (Bruno Mazzeo). Em 2012, Lamm volta aos palcos com a peça infantil Coisas que a Gente Não Vê, interpretando a protagonista Yasmin. Sua personagem é uma menina que tem tudo o que quer, mas não consegue parar de chorar. Seus pais, Clara (interpretada por Kelzy Ecard) e Manoel (interpretado por Alexandre Moffati), não entendem o motivo de tanto choro, demonstrando inconscientemente a falta de compreensão sobre algo tão significativo: a importância do carinho como expressão máxima do afeto.