Uma crise socioeconômica e política em curso teve início na Venezuela durante a presidência de Hugo Chávez e se agravou durante a presidência do sucessor Nicolás Maduro.
Essa crise tem sido marcada por hiperinflação, fome crescente, doenças, criminalidade e altas taxas de mortalidade, resultando em emigração massiva.
É a pior crise econômica na história da Venezuela e a pior enfrentada por um país em tempo de paz desde meados do século XX. Frequentemente, a crise é considerada mais severa do que a Grande Depressão nos Estados Unidos, a crise econômica brasileira de 1985–1994 ou a hiperinflação no Zimbábue ocorrida entre 2008 e 2009.
Escritores compararam aspectos como o desemprego e a contração do PIB aos ocorridos na Bósnia e Herzegovina após a Guerra da Bósnia (1992–1995), bem como aos de Rússia, Cuba e Albânia após as Revoluções de 1989.
Em junho de 2010, Chávez declarou uma "guerra econômica" devido ao aumento das escassezes na Venezuela. A crise intensificou-se sob o governo de Maduro, agravando-se em razão de preços baixos do petróleo em 2015, e da queda na produção de petróleo devido à falta de manutenção e investimento.
Em janeiro de 2016, a Assembleia Nacional, liderada pela oposição, declarou uma "crise humanitária de saúde".
O governo não conseguiu reduzir os gastos diante da queda das receitas do petróleo, negou a existência de uma crise, e reprimiu violentamente a oposição.
Assassinatos extrajudiciais pelo governo tornaram-se comuns, com a ONU relatando 5.287 homicídios pelas Forças de Ação Especial em 2017, e pelo menos outros 1.569 homicídios nos primeiros seis meses de 2019, afirmando que alguns desses crimes foram "realizados como retaliação pela participação das vítimas em manifestações antigovernamentais".
A corrupção política, as crônicas escassezes de alimentos e medicamentos, o fechamento de empresas, o desemprego, a deterioração da produtividade, o autoritarismo, as violações dos direitos humanos, a má gestão econômica e a alta dependência do petróleo contribuíram para a crise.
Em resposta às violações dos direitos humanos, à degradação do estado de direito e à corrupção, a União Europeia, o Grupo de Lima, os EUA e outros países aplicaram sanções contra autoridades governamentais e membros das forças militares e de segurança.
Os EUA estenderam suas sanções ao setor petrolífero.
Apoiadores de Chávez e Maduro afirmam que os problemas resultam de uma "guerra econômica" contra a Venezuela, da queda dos preços do petróleo, das sanções internacionais, e da elite empresarial, enquanto críticos do governo apontam a má gestão econômica e a corrupção como causas.
A maioria dos observadores atribui o problema à governança antidemocrática,
Além disso, a corrupção, e a má gestão econômica também têm sido apontadas como causas.
Outros atribuem a crise ao socialismo,
Também é atribuída à natureza populista – ou "hiper-populista" – das políticas do governo, e ao uso dessas políticas para manter o poder político.
Analistas nacionais e internacionais, bem como economistas, afirmam que a crise não é resultado de um conflito, desastre natural ou sanções, mas sim das consequências das políticas populistas e práticas corruptas iniciadas sob a Revolução Bolivariana da administração Chávez e que se perpetuaram sob Maduro.
A crise afetou a vida do venezuelano médio em todos os níveis. Em 2017, a fome intensificou-se a tal ponto que quase 75% da população perdeu, em média, mais de 8 kg (mais de 19 libras) e mais da metade não dispunha de renda suficiente para suprir suas necessidades alimentares básicas.