Neste Dia

Creta

Ilha grega

Anúncio

Creta (em grego: Κρήτη; romaniz.: Krḗtе̄) é a maior e mais populosa ilha da Grécia. Situada no sul do mar Egeu, é a quinta maior ilha do Mediterrâneo e a segunda maior do Mediterrâneo Oriental. Administrativamente é uma região, com capital em Heraclião, que é também a maior cidade da ilha. Tem 8 336 km² e em 2020 tinha 636 504 habitantes (densidade: 76,4 hab./km²).

A ilha constitui uma parte significativa da economia e do património cultural da Grécia, ao mesmo tempo que conserva características culturais próprias, nomeadamente na música e poesia. Foi em Creta que floresceu a Civilização Minoica, entre os primeiros séculos do 3º milénio a.C. e meados do 2º milénio a.C., que é considerada a mais antiga civilização de que há registo na Europa. Segundo a mitologia grega, foi ali que cresceu Zeus e que viveu o Minotauro.

A primeira referência escrita à ilha, em textos da cidade síria de Mari datados do século XVIII a.C., é Captara, uma forma repetida por fontes neoassírias posteriores e na Bíblia, onde aparece como Caphtor. No Antigo Egito foi conhecida como Keftiu. Pensa-se que o nome minoico fosse semelhante simultaneamente aos nomes sírio e egípcio.

Em micénico aparece a forma ke-re-si-jo ("cretense") em textos escritos em Linear B, com as palavras ke-re-te (*Krētes; em grego posterior: Κρῆτες, plural de Κρής) e ke-re-si-jo (*Krēsijos; em grego posterior: Κρήσιος), "cretense". Em grego antigo o nome Creta (Κρήτη) aparece pela primeira vez na Odisseia de Homero. A sua etimologia é desconhecida. Uma proposta especulativa sugere que o nome deriva da palavra luvita hipotética *kursatta (cf. kursawar, ["ilha"], kursattar ["cortar" ou "lascar"]). Em latim tornou-se Creta.

O nome árabe original de Creta era Iqrīṭiš (اقريطش), mas depois do estabelecimento pelo Emirado de Creta no século IX da sua nova capital em Rabḍ al-Ḫanda (ربض الخند; moderna Heraclião) tanto a cidade como a ilha passaram a ser chamados Khandhax/Chandáx (Χάνδαξ) ou Khandhakas/Candacas (Χάνδακας), que deu origem ao nome latino e veneziano Candia, do qual derivaram o português Cândia, o francês Candie e o inglês Candy ou Candia. Durante o domínio otomano, a ilha chamou-se Girit (كريت).[carece de fontes?]

Há vestígios de hominídeos em Creta desde pelo menos há 130 000 anos. Os assentamentos datados do Neolítico pré-cerâmico, no 7º milénio a.C., tinham animais domésticos como bovinos, ovinos, caprinos, suínos e cães, além de cultivarem cereais e legumes. Um dos maiores desses assentamentos foi Céfala, que depois se tornaria Cnossos, o maior centro urbano da ilha. Outros assentamentos neolíticos foram Magasa e Trapeza.

Nos primeiros séculos do 3° milénio a.C., desenvolveu-se em Creta a Civilização Minoica, a primeira civilização avançada europeia, que atingiu um elevado grau de sofisticação em vários campos. As ruínas minoicas mais monumentais, os chamados palácios, como Cnossos, Festo, Mália e Hagia Triada, são atualmente atrações turísticas. A Civilização Minoica irradiou depois para outras regiões do mar Egeu, incluindo a Grécia continental. A partir da primeira metade do 2º milénio a.C. Creta chegou a ser o centro cultural e comercial do Mediterrâneo Oriental, graças à sua marinha, que transportava produtos como vinho, azeite, cerâmica, tecidos e joalharia tanto para locais vizinhos como para paragens mais distantes, como a Sicília ou o Egito. Os minoicos usaram um tipo de escrita, o Linear A, que ainda não foi decifrado. A história cretense primitiva está repleta de lendas como as do rei Minos, Teseu e o Minotauro, as quais foram transmitidas oralmente e chegaram até aos nossos dias graças a poetas como Homero.

A Civilização Minoica extinguiu-se no final do século XV a.C., quando a ilha foi ocupada militarmente pelos aqueus (Civilização Micénica), oriundos do continente grego. Embora durante algum tempo se tivesse afirmado que a causa principal para o declínio minoico foram os tsunâmis causados pela erupção de Tera, que se estima ter ocorrido em algum momento entre 1 650 e 1 450 a.C., ultimamente essa hipótese é posta em causa, quando não rejeitada, por diversos estudiosos. Os registos mais antigos de escrita em grego, escritas em Linear B, são do período micénico (c. 1425–1375 a.C.) e foram encontrados em Cnossos.

Após o período minoico, a ilha foi dominada por várias entidades gregas, embora a ilha fosse repartida entre várias cidades-estado independentes, algumas delas bastante poderosas. No século IV a.C. houve uma grande guerra entre as principais cidades da ilha. No primeiro quartel do século I a.C., as cidades-estado cretenses envolveram-se nas Guerras Mitridáticas entre a República Romana e o Reino do Ponto. Um ataque romano à ilha em 71 a.C. comandado por Marco António Crético foi repelido. No entanto, em 69 a.C., os romanos lançaram outra campanha militar em grande escala contra a ilha, com três legiões sob o comando de Quinto Cecílio Metelo Crético, e em 67 a.C. toda a ilha estava sob o domínio romano. Há algum tempo que Cnossos tinha perdido protagonismo em favor de Gortina, que se tornou a capital não só da ilha como da província romana de Creta e Cirenaica, criada em 20 a.C. e que incluía também grande parte do que é hoje a Líbia. Com a reforma administrativa de Diocleciano (r. 284–305 d.C.), a província de Creta passou a fazer parte da Diocese da Mésia, da Prefeitura pretoriana da Ilíria. Creta foi separada da Cirenaica em c. 297 e em 306, durante o reinado de Constantino (r. 306–337), passou a fazer parte da Diocese da Macedónia.

Quando o Império Romano foi dividido, Creta ficou na parte oriental, modernamente conhecida como Império Bizantino. A ilha foi devastada por sismos em 365 e 415, atacada por vândalos em 467, por eslavos em 623 e por árabes em 654, na década de 670 e durante o século VIII. Circa 732, o imperador Leão III, o Isauro (r. 717–741) transferiu a jurisdição da ilha do papa para o Patriarcado de Constantinopla.

Entre 823–961, a ilha foi ocupada pelos árabes, tendo sido reconquistada pelo Império Bizantino no ano de 961, que a tornou numa base naval importante. Após a Quarta Cruzada, nos primeiros anos do século XIII, passou para as mãos da República de Veneza. Estes teriam que defender a ilha das investidas dos otomanos durante o século XV. Os turcos instalaram-se na ilha em 1645 e acabam por conquistá-la totalmente em 1715, introduzindo o islão sunita, contudo, a grande maioria da população permaneceu fiel ao cristianismo ortodoxo grego. Tornou-se um estado autónomo (o Estado de Creta) em 20 de março de 1898 e em 6 de outubro de 1908 a ilha foi anexada pelo Reino da Grécia, ficando a população dividida entre turcos e gregos. A anexação só seria reconhecida internacionalmente em 1913.

Lista de soberanos cretenses na mitologia grega:

Minos, filho de Zeus e de Europa (Minos pode ter sido um rei mitológico ou pode ter sido um termo local para rei, semelhante à palavra faraó no Egito)

Deucalião, filho de Minos (ou de outro Minos)

Com 8 336 km² de área, Creta é a maior ilha da Grécia e a quinta maior do Mediterrâneo. Situa-se na parte mais meridional do Egeu, separando este mar do mar da Líbia.

A ilha tem uma forma alongada, com 260 km na direção leste-oeste e 60 km na direção norte-sul na sua parte mais larga. Na parte mais estreita, o istmo de Ierápetra, a distância entre as costas sul e norte é de apenas 12 km. O perímetro total da costa é 1 046 km. A costa é muito recortada.

A costa norte é banhada pelo mar de Creta (em grego: Κρητικό Πέλαγος), a sul pelo mar da Líbia (Λιβυκό Πέλαγος), a oeste pelo mar Mirtoico (Mυρτώο Πέλαγο) e a leste pelo mar de Cárpatos. A ilha encontra-se a cerca de 160 km do ponto mais meridional da Grécia continental, ou seja, da costa sul do Peloponeso.

Creta é uma ilha montanhosa, encontrando-se as serras mais elevadas ao longo de uma sucessão de altas cordilheiras que praticamente percorrem a ilha de leste a oeste e das quais se destacam, nesse sentido:

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Creta | World in Stories