Neste Dia

Correio da Manhã (Brasil)

Jornal brasileiro

Anúncio

O Correio da Manhã foi um periódico brasileiro, que em sua primeira fase era publicado no Rio de Janeiro, entre 15 de junho de 1901 a 8 de julho de 1974. Fundado por Edmundo Bittencourt, vangloriava-se por dar ênfase à informação em detrimento da opinião. Caracterizou-se por fazer oposição a quase todos os presidentes brasileiros no período, razão pela qual foi perseguido e fechado em diversas ocasiões, e os seus proprietários e dirigentes, presos. Em 2019, foi retomado pelo jornalista e empresário Claudio Magnavita, exatos 50 anos após o seu fechamento. Com sedes no Rio de Janeiro e em Brasília, o Correio da Manhã alcança a marca de 30 mil exemplares impressos por dia.

O Correio da Manhã teve sua primeira edição lançada no dia 15 de junho de 1901, época conturbada no Brasil. O país recentemente havia se tornado uma República e já herdava problemas do seu passado colonial, como crises políticas e econômicas, que ainda estavam sendo regularizadas pelo presidente Campos Sales.[carece de fontes?]

Na época de sua criação, o jornalismo carioca era acusado de estar a serviço do governo, subordinado ao presidente e sem independência, e as frequentes acusações de jornalistas recebendo suborno reforçavam esse quadro. Desde seu nascimento, o Correio da Manhã se posicionou contra as oligarquias e a favor dos direitos do povo. No primeiro edital do jornal, Edmundo Bittencourt declarou que “o Correio da Manhã não tem nem jamais terá ligação algumas com partidos políticos” e se comprometeu com a defesa dos interesses populares, estabelecendo-se como um veículo de oposição desde o início.

O primeiro corpo de funcionários do Correio da Manhã era formado por nomes influentes do jornalismo, política e literatura da época. Entre os principais nomes do jornal, estavam Carlos de Laet, José Veríssimo, Pedro Leão Veloso e Coelho Neto.

Edmundo aposentou-se em 1928, passando o comando do seu jornal Correio da Manhã ao seu filho Paulo Bittencourt, que iniciou um período de reformulação editorial e renovação tecnológica do jornal.

Durante a fase mais conceituada do jornal Correio da Manhã, de 1929 a 1963, seria Paulo Bittencourt quem estaria à frente do jornal. Buscando dar ao jornal uma estrutura mais empresarial. Paulo construiu a nova sede do Correio da Manhã, na Avenida Gomes Freire; também reformou todos os deparamentos do jornal, dando-lhe novas máquinas de composição, gravura e impressão. Buscou a ampliação da carteira publicitária, o que ampliou a renda financeira do jornal.

No comando de Paulo Bittencourt, e o auxilio do redator-chefe Costa Rego, o jornal Correio da Manhã consolidou uma linha editorial de perfil conservador, elitista, porém defensor das liberdades, da democracia e de independência em relação ao Governo, contara o autoritarismo.

Com a morte de Paulo Bittencourt, em 1963, sua então esposa Niomar Sodré assumiu a presidência do jornal Correio da Manhã, dirigindo-o até 1969. Apesar do apoio dado a deposição de João Goulart demonstrado nos editoriais do Jornal, passou a criticar pouco tempo depois o regime implantado com o Golpe Militar de 1964, denunciando inclusive casos de tortura. Em meio ao exílio em Paris, o empresário Samuel Wainer ofereceu formar um pool entre o Correio da Manhã e o Ultima Hora. Pela proposta de Wainer, o Correio se encarregaria de imprimir e distribuir o Ultima Hora empregando a capacidade cada vez mais ociosa da gráfica e da frota do Correio. Procurada por Danton Jobim (emissário de Wainer), Niomar recusou a proposta e afirmou que "não se misturava com cafajestes".

Após a recusa da proposta de Wainer, Niomar arrendou a publicação a Maurício Nunes de Alencar (irmão do político Marcelo Alencar) e Frederico Gomes da Silva, proprietários da Cia. Metropolitana de Construção, que queriam usar a publicação para apoiar a candidatura à presidência do Brasil do coronel Mário Andreazza. Os proprietários da Metropolitana tentavam arrendar um jornal desde os primeiros dias do Golpe de 1964, quando uma proposta envolvendo o Ultima Hora malogrou. Porém como a candidatura não se viabilizou, eles abandonaram o projeto e não cumpriram o contrato com o Correio.

Apesar das dificuldades, Niomar reassumiu o jornal, mas não conseguiu reaviabiliza-lo financeiramente, encerrando a circulação do Correio da Manhã em 1974.

Com "dívidas incalculáveis", segundo o Jornal da Tarde, em 3 de janeiro de 1975 o jornal teve sua falência decretada. Realizado pouco mais de cinco meses depois, foi realizado um leilão de bens da empresa, como rotativa, linotipos, laboratório fotográfico, máquinas de escrever, arquivos e mesas, muitos dos quais em estado de abandono ou até mesmo danificados. Muitos dos objetos foram arrematados por pessoas que pretendiam vendê-los como sucata. Poucos lotes tiveram seu valor revelado, sendo um deles constituído por mesas, cadeiras, fichários, armários e poltronas que estavam no quarto andar da sede, que saíram por 52 mil cruzeiros.

O Correio da Manhã retornou em 2019, cinquenta anos depois de ter seus dirigentes — a família do fundador Edmundo Bittencourt — afastados por pressão da ditadura militar.

O responsável pelo retorno é o jornalista e empresário Claudio Magnavita, que também edita o Jornal da Barra, e relançou o Correio em edição impressa semanal, que seria disponibilizada também em PDF pela internet. A marca, inclusive, já estava registrada em nome dele no INPI.

Magnavita contou que, em homenagem aos Bittencourt, retomou a numeração do jornal a partir da data em que eles deixaram o comando, em 11 de setembro de 1969. A primeira edição, portanto, levou o número 23.438, correspondendo ao período de 13 a 19 de setembro de 2019. Do mesmo modo, o nome de Edmundo Bittencourt também voltou a aparecer no topo da primeira página.

“Eu quis retomar o DNA do Correio”, declarou seu novo presidente, contando que trouxe de volta colunistas ligados à história do jornal, como Ruy Castro e Jânio de Freitas. Com eles, o editor executivo Fernando Vale Nogueira convocou nomes como os de Anna Maria Ramalho, cobrindo a área social, e Nina Kauffmann, cobrindo a área de moda.

O novo Correio da Manhã ainda não tinha um diretor comercial, apesar de a primeira edição ter saído com vários anúncios, como os do Metrô Rio, da Tegra Incorporadora e da Protel. “São todos anunciantes também do Jornal da Barra”, explicou Magnavita, que pretendia seguir com a venda de pacotes para as duas publicações que comandava. “Já tinha trinta mil exemplares do Jornal da Barra e agora tenho mais trinta mil do Correio da Manhã. Acho que isso poderá interessar ao anunciante carioca”, aposta o executivo.

Correio da Manhã contra a vacinação obrigatória

No ano de 1904, o governo de Rodrigues Alves colocou em prática o projeto de vacinação obrigatória desenvolvido por Osvaldo Cruz, o que desagradou a população e causou a Revolta da Vacina. O Correio, que defendia medidas em favor da modernização do Rio de Janeiro e desenvolvimento de políticas sanitárias, nesse episódio ficou contra o projeto de vacinação.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Correio da Manhã (Brasil) | World in Stories