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Coreia

Região na Ásia Oriental

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Coreia (FO 1943: Coréia), também chamada Choson (em coreano: 조선; hanja: 朝鮮) no Norte e Hanguk (em coreano: 한국; hanja: 韓國) no Sul, é um território localizado na península homônima do Nordeste Asiático que é dividido entre dois Estados soberanos distintos: a Coreia do Norte, oficialmente República Popular Democrática da Coreia (RPDC), e Coreia do Sul, oficialmente República da Coreia (ROK). Ambos sempre reivindicaram a soberania sobre a toda a região através das suas constituições. Localizada na Península da Coreia, a Coreia tem fronteiras com a China a noroeste e a Rússia a nordeste e é separada do Japão a leste pelo Estreito da Coreia e pelo Mar da China Oriental.

A Coreia emergiu como uma entidade política singular depois de séculos de conflito entre os Três Reinos da Coreia, que foram unificadas como Silla (57 a.C.-935 d.C.) e Balhae (698-926). O reino Silla acabou sendo sucedido por Goryeo em 935, no final do período dos Três Reinos. Goryeo, que deu nome a "Coreia" atual, era um Estado altamente culto e criou o Jikji no século XIV. As invasões do Império Mongol no século XIII, no entanto, enfraqueceram bastante a nação, o que obrigou-a à vassalagem. Após o colapso da dinastia Yuan, graves conflitos políticos se seguiram. O reino Goryeo caiu depois de um levante liderado pelo general Yi Seong-gye, que estabeleceu Joseon em 1388.

Os primeiros 200 anos de Joseon foram marcados por relativa paz, pela criação do alfabeto coreano pelo rei Sejong, no século XIV e pela crescente influência do confucionismo. Durante a última parte da dinastia, no entanto, a política isolacionista da Coreia ganhou o apelido no mundo ocidental de "reino eremita". No final do século XIX, o país tornou-se objeto do projeto de dominação do Império do Japão. A Coreia foi anexada como colônia pelo Japão e permaneceu uma parte do Império Japonês até o final da Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1945. Até hoje o governo japonês se recusa a admitir a colonização de fato.

Em 1945, a União Soviética e os Estados Unidos concordaram com a rendição das forças japonesas na Coreia, no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, deixando a Coreia dividida ao longo do paralelo 38, com o Norte sob ocupação soviética e o sul sob ocupação estadunidense. Estas circunstâncias logo se tornaram a base para a divisão da Coreia pelas duas superpotências, que foi agravada pela incapacidade de chegar a um acordo sobre os termos de independência do país. O governo de inspiração comunista no Norte recebeu o apoio da União Soviética, em oposição ao governo pró-ocidental no Sul, o que levou a divisão da Coreia em duas entidades políticas. Isto eventualmente levou à guerra em 1950, que se tornou conhecida a Guerra da Coreia. A guerra não acabou com um tratado de paz formal, mas apenas com um armistício, fator que contribui para as altas tensões que continuam a dividir a península.

A história da Coreia pode ser dividida, a princípio, em três partes principais: pré-história e antiguidade, os três reinos da Coreia, e a modernidade. Durante a pré-história, a península da Coreia é povoada pelas primeiras tribos, que se organizam posteriormente em reinos, e durante a antiguidade existe um período de dominação chinesa sobre a região. Após reconquistar a independência, a península fica organizada em três grandes reinos, que dão o nome ao período. A modernidade considera o período em que a Coreia foi disputada pela Rússia e Japão, a dominação japonesa, a divisão das duas Coreias (em Coreia do Sul e Coreia do Norte) e a guerra, bem como o pós-guerra até a modernidade.

A Coreia foi povoada pela primeira vez, no paleolítico, pelas tribos Tungus, cuja identidade cultural viria a marcar profundamente o território. As amostras de cerâmica mais antigas encontradas na Coreia datam de 8000 a.C., e o período Neolítico começou antes de 6000 a.C., seguido pela Idade do Bronze, por volta de 2500 a.C.. A história da Coreia tem o início ligado à legendária dinastia de Tangun, cujo primeiro rei governou a partir do ano 2333 a.C. Esse primeiro reino, com capital em Pyongyang, durou 12 séculos e dele se conservam alguns monumentos, altares e tumbas. Chegou ao fim em 1122 a.C., após a invasão chinesa que, encabeçada por Kija, estendeu-se por toda a península coreana até parte da Manchúria (nordeste da China). O reino de Kija ficou conhecido com o nome de Choson ("sossego da manhã", "terra tranquila" ou "bela manhã"), chegando a se estender da península até a Manchúria. Kija foi sucedido por monarcas coreanos, como Yi Pyong-do, até que um de seus descendentes foi derrotado pelo usurpador Wiman, em 194 a.C..

A influência chinesa, já forte, aumentou com as conquistas e colonização dos Han do oeste, em 108 a.C.. Após dominar a Coreia, o imperador chinês Wudi (Wuti) subdividiu o país em quatro colônias organizadas de forma hierárquica e centralizada, segundo a concepção confucionista do Estado. Neste meio tempo, os Estados do sul da Coreia agiam como uma ponte entre o continente e o Japão. Pouco a pouco, a aristocracia coreana recuperou o poder sobre o país, que formalmente continuou submetido à soberania chinesa. Os coreanos, porém, haviam adotado o uso de metais trabalhados, o que, junto com outros avanços técnicos e sociais, situava sua civilização entre as mais desenvolvidas da Ásia oriental, depois da China.

Em 57 a.C. foi fundado o reino de Silla, no sudeste da península, e, em seguida, surgiram os reinos de Koguryo (Kogurio ou Goguryeo), no norte e o de Paikche (Paekche), no sudoeste. Na costa sul existia um quarto Estado, chamado Kaya. Em torno do século IV o budismo alcançou a Coreia. Nesse período histórico, conhecido como o dos três reinos, ocorreram diversos conflitos pelo domínio da península. Os três reinos competiam entre si, econômica e militarmente. Num primeiro momento, o reino de Koguryo foi o mais poderoso, especialmente depois que repeliu os ataques chineses nos anos 313 e 314 da era cristã, mas foi derrotado quando o reino Silla aliou-se aos Tang (668). O reino de Silla, com o apoio dos chineses, conseguiu derrotar o reino de Paekche no ano 660 e o de Koguryo em 668, acabando por unificar a Coreia (735), cobrindo a maior parte da península, enquanto o ex-general de Koguryo, Dae Jo-Yeong, fundou Balhae. Silla tornou-se um Estado tributário da China e governou a Coreia unificada por 200 anos.

Koguryo foi fundado em 37 a.C, por Jumong, e posteriormente Taejo unificou o governo da região. Koguryo foi o primeiro dos três reinos a adotar o budismo como religião oficial.

Koguryo alcançou seu auge no século V, se tornando uma das maiores potências do leste asiático, quando Guangaeto, o Grande expandiu o território, anexando quase toda a Manchúria, partes da Rússia e da Mongólia. Koguryo viveu um período de grande prosperidade com Guangaeto e Jangsu, seu filho, que subjugaram Silla e Baekje, alcançando uma breve unificação dos três reinos.

Koguryo foi um estado altamente militarista; além da disputa pelo controle da península coreana, Koguryo entrou em diversos conflitos com dinastias chinesas, como na guerra Koguryo-Sui, na qual uma força Sui (possivelmente com mais de um milhão de homens) foi derrotada, contribuindo para a queda da dinastia.

Em 642 d.C., o general Yeon Gaesomun liderou um golpe e se tornou o governante de Koguryo. Em resposta, o imperador chinês Tang Taizong liderou uma campanha contra Koguryo, mas foi derrotado. Seu filho, o imperador Tang Gaozong se aliou com Silla e invadiu Koguryo novamente, mas foi derrotado em 662. Porém, Yeon Gaesomun morreu em 666, levando a disputa pelo poder e enfraquecimento do reino de Koguryo. Em 667, a aliança de Tang e Silla organizou uma nova invasão, e o reino de Koguryo foi conquistado em 668.

Baekje foi fundado por Onjo, o terceiro filho do fundador de Koguryo, em 18 a.C.. O Sanguo Zhi cita Baekje como um membro da confederação Mahan, na bacia do rio Han (próximo da atual Seul). O reino anexou as províncias de Chungcheong e Jeolla no sudoeste da península, e se tornou militar e politicamente importante na região. No processo, Baekje entrou em forte confronto com Koguryo e com colônias chinesas na região.

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