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Copa do Mundo FIFA de 1974

10ª edição internacional do Campeonato Mundial de Futebol realizado na Alemanha Ocidental

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A Copa do Mundo FIFA de 1974 foi a décima edição da Copa do Mundo FIFA de Futebol, que ocorreu de 13 de junho até 7 de julho de 1974. O evento foi sediado na Alemanha Ocidental, que conquistou o título. A competição teve partidas realizadas nas cidades de Hamburgo, Hanôver, Gelsenkirchen, Dortmund, Düsseldorf, Frankfurt, Berlim Ocidental, Munique e Estugarda.

Dezesseis seleções nacionais foram qualificadas para participar desta edição do campeonato, sendo 9 delas europeias (Alemanha Ocidental, Alemanha Oriental, Iugoslávia, Escócia, Países Baixos, Suécia, Bulgária, Polônia e Itália), 5 americanas (Chile, Brasil, Uruguai, Argentina e Haiti), 1 africana (Zaire) e 1 oceânica (Austrália). As seleções da Alemanha Oriental, da Austrália, do Haiti e do Zaire faziam sua primeira participação na competição, sendo a participação dessa última marcada por diversas polêmicas dentro de campo durante o campeonato.

A edição teve duas grandes goleadas: Haiti 0–7 Polônia e Iugoslávia 9–0 Zaire, sendo esta última, junto a Hungria 9–0 Coreia do Sul (em 1954) e Hungria 10–1 El Salvador (em 1982), as maiores goleadas em Copas do Mundo. A Copa de 1974 contou com grandes jogadores, como Grzegorz Lato e Kazimierz Deyna da Polônia, Ademir da Guia, Emerson Leão, Rivellino e Jairzinho do Brasil, Arie Haan, Willem van Hanegem, Ruud Krol, Rob Rensenbrink, Johnny Rep, Johan Neeskens e Johan Cruijff da Holanda e Sepp Maier, Berti Vogts, Paul Breitner, Hans-Georg Schwarzenbeck, Gerd Müller, Wolfgang Overath e Franz Beckenbauer da Alemanha, sendo Cruijff e Beckenbauer considerados dois dos melhores futebolistas da história do futebol mundial.

A grande revelação desta copa foi a Seleção Neerlandesa de Futebol, que, sob a batuta de Rinus Michels, voltou à copa após 36 anos de ausência, desde a sua segunda participação, em 1938, na França, utilizando como bases o AFC Ajax, campeão intercontinental em 1972, e o Feyenoord, campeão intercontinental em 1970. A seleção era conhecida como "Laranja Mecânica" e "Carrossel Holandês", devido à tática de Michels de alternar os jogadores em suas posições. O destaque dessa equipe era Johan Cruijff, que atuava bem tanto na defesa, quanto no meio-campo ou no ataque. De longe, era a seleção favorita ao título, tanto por seu modo atordoante de jogar futebol quanto por ser responsável pela eliminação da seleção brasileira, que defendia o título, e contava com jogadores que atuaram na Copa de 1970, como Jairzinho e Rivellino.

A Final da Copa do Mundo FIFA de 1974 foi disputada entre o Países Baixos e a Alemanha Ocidental. A partida foi realizada em 7 de julho às 16h, no Estádio Olímpico de Munique, com um público estimado em 75 200 pessoas. Com a vitória da Seleção Alemã, os jogadores Franz Beckenbauer, Sepp Maier, Wolfgang Overath, Jürgen Grabowski e Horst-Dieter Höttges, tornaram-se os 5 primeiros futebolistas a conquistar as medalhas de bronze, prata e de ouro em Copas do Mundo de futebol.

O neerlandês Johan Cruijff foi eleito o melhor jogador da competição. De acordo com os dados do portal Opta Sports, na Copa do Mundo de 1974, Cruijff foi o jogador com mais dribles certos (34), chances criadas (36) e passes certos no terço final de campo (136) em toda competição. Na Copa do Mundo de 1974, Cruijff criou 5.1 oportunidades de gol por jogo. É o recorde da história das Copas de um jogador no mesmo torneio desde quando os dados da Opta Sports começaram a ser coletados em 1966.

A Alemanha Ocidental de Franz Beckenbauer, Gerd Müller e outros era uma grande favorita. Outro selecionado, porém, surgiu como revelação a ameaçar esse favoritismo - os Países Baixos de Cruyff e Neeskens, que acabou sendo inovadora em suas atuações, apresentando resultados favoráveis. O timaço dos Países Baixos, dirigido por Rinus Michels, revolucionou o futebol mundial implementando um sistema tático onde os jogadores não guardavam posição fixa: era o chamado carrossel holandês. Os Países Baixos, apelidados de Laranja Mecânica (em alusão ao filme de Stanley Kubrick, adaptado do livro de Anthony Burgess) chegaram à final como os grandes favoritos ao título.

O mundial foi transmitido em cores pela TV em 70 países e foi a primeira Copa do Mundo onde os jogadores começaram a usar número nos calções.

Seguindo a tendência inaugurada no mundial anterior, a bola oficial era a mesma: a Telstar, fabricada pela Adidas. Nesse mundial foram utilizados dois modelos: a principal, com hexágonos brancos e pentágonos pretos, que foi utilizada na maioria dos jogos, e uma totalmente branca, que foi utilizada em 8 jogos, incluindo a semifinal entre Brasil e Países Baixos, e a decisão do 3° lugar entre Brasil e Polônia.

O Brasil, sem Pelé, Gérson, Carlos Alberto Torres, Tostão e Clodoaldo, não era nem sombra do super time de 1970. Jogando um futebol defensivo, o time suou para empatar contra a Iugoslávia e Escócia e ganhar do Zaire por 3–0, na medida para se classificar.

O Zaire (atual República Democrática do Congo) participou pela primeira vez da Copa do Mundo, ao vencer o Campeonato Africano de Nações (que era classificatório para o Mundial naquela época), tornando-se assim a primeira equipe da África subsaariana a participar do Mundial. Pela classificação para a Copa do Mundo, todos os jogadores receberam como prêmio do governo de seu país, casa e automóvel. Mas devido à péssima campanha no Mundial, os prêmios foram confiscados mais tarde.

No jogo Iugoslávia e Zaire na 1ª fase, a Iugoslávia vencia por 2–0, quando o goleiro zairense Kazadi Mwamba pediu para ser substituído, alegando que mal tinha tocado na bola em 20 minutos jogados. Em seu lugar, entrou Tubilandu Ndimbi, que, logo depois que entrou, teve que trabalhar - teve que pegar a bola no fundo da rede, depois que a Iugoslávia marcou seu terceiro gol. No final, a Iugoslávia goleou por 9-0 e ficou com o 1° lugar na chave.

Outro episódio envolvendo a seleção do Zaire ocorreu na partida decisiva do grupo, contra o Brasil. Durante uma cobrança de falta, o zagueiro Ilunga Mwepu saiu da barreira e chutou a bola para longe antes que Rivelino pudesse fazer a cobrança. Embora a imprensa na época tivesse considerado o episódio um simples ato de desconhecimento das regras, Ilunga alegou depois que pretendia com isso que o juiz o expulsasse pelo ato (ele levou apenas um cartão amarelo), como forma de protestar contra o congelamento dos pagamentos dos jogadores por parte do governo.

Último colocado no grupo D com 3 derrotas, a equipe do Haiti, pelo menos, teve um motivo para se orgulhar: ao marcar seu único gol na derrota por 3–1 diante da Itália, foi quebrada a invencibilidade da defesa italiana, que não tomava um gol desde 1972, e do goleiro Dino Zoff, que estava 1.142 minutos sem tomar gol. Coube a Emmanuel Sanon (falecido em 2008) esta façanha.

Na única vez em que as duas Alemanhas se enfrentaram em uma Copa do Mundo, a Alemanha Ocidental, demonstrando sua frieza, abriu mão de sua invencibilidade e perdeu para a Seleção Alemã Oriental de Futebol por 1–0, evitando cair no grupo de Brasil e Países Baixos na segunda fase da Copa. Consequentemente, apenas as seleções do Chile e da Austrália enfrentaram cada lado da Alemanha em partidas diferentes, terminando em duas derrotas australianas e uma derrota chilena, além de um empate (Alemanha Oriental X Chile).

Um dos grupos mais fortes da copa era o D com Polônia, Itália e Argentina brigando pelas 2 vagas e a seleção do Haiti servindo de saco de pancadas para os protagonistas conquistarem saldo. O Haiti perdeu da Itália por 3–1 (em partida que a equipe chegou a estar vencendo), da Argentina por 4–1 e da Polônia por 7–0. Deu a lógica e quem goleou por mais acabou passando, avançando Argentina e Polônia. A Laranja Mecânica passeou no seu grupo e ganhou do Uruguai por 2–0, empatou com a Suécia 0–0 e goleou a Bulgária por 4–1.

A Escócia se tornou a primeira seleção a ser eliminada na 1ª fase sem perder um só jogo. Curiosamente, ela foi a única equipe invicta do torneio.

No Mundial houve a estreia do chamado cartão vermelho. A primeira vítima dele na história das Copas foi o atacante chileno Carlos Caszely, que foi expulso aos 22 min do 2º tempo no jogo Alemanha Ocidental 1–0 Chile. O próprio Caszely era opositor ferrenho do ditador chileno Augusto Pinochet, que tomara o poder no país meses antes, após liderar um golpe de estado. Devido à sua expulsão, posteriormente Caszely, ídolo do Colo-Colo, foi proibido de jogar futebol em seu próprio país. Ele acabaria jogando em clubes da Espanha nos tempos politicamente mais difíceis.

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