Um contratorpedeiro, também referido como destroyer (aport.: destróier), é um tipo de navio de guerra, rápido e manobrável, concebido para escoltar navios maiores numa esquadra naval ou comboio de navios e defendê-los contra agressores menores, mas perigosos. Como a sua designação indica, a missão inicial dos contratorpedeiros era a defesa contra torpedeiros, mas atualmente sua missão passou a ser, sobretudo, a defesa contra submarinos e aeronaves.
Até depois da Primeira Guerra Mundial, os contratorpedeiros eram embarcações ligeiras, sem autonomia para operações oceânicas independentes. Para realizarem operações oceânicas, os contratorpedeiros tinham que se agrupar em flotilhas, apoiadas por navios de apoio logístico. Pouco antes da Segunda Guerra Mundial, começaram a ser desenvolvidos contratorpedeiros maiores e mais poderosos, capazes de operarem de forma independente. Os contratorpedeiros tornaram-se cada vez mais poderosos, começando a substituir os cruzadores como principais navios de combate de superfície, à medida que aquele tipo de navio deixou de ser usado pela maioria das marinhas, nas décadas de 1950 e de 1960.
Desde 1970 até hoje, os contratorpedeiros são os maiores navios de combate de superfície da maioria das marinhas do mundo, já que apenas quatro nações (Estados Unidos, Rússia, França e Peru) ainda operam o tipo mais pesado dos cruzadores e já nenhuma opera couraçados. Os modernos contratorpedeiros de mísseis guiados são equivalentes em deslocamento, mas muito superiores em termos de poder de fogo e outras capacidades, aos cruzadores da Segunda Guerra Mundial.
Internacionalmente, os contratorpedeiros, são, frequentemente, referidos pelo termo em inglês "destroyer". Esse termo é, ocasionalmente, adaptado para "destróier", na língua portuguesa. Por sua vez, o termo "destroyer" tem origem, por um lado, na tradução para inglês do nome de batismo do primeiro contratorpedeiro do mundo, o espanhol Destructor e, por outro lado, na abreviação de torpedo-boat destroyer (destruidor de navios-torpedeiros), a designação original britânica daquele tipo de navios. Conforme a língua e o país, este tipo de navio é classificado, oficialmente, de contratorpedeiro (francês: contre-torpiller e grego: antitorpiliko), caçatorpedeiro (italiano: cacciatorpediniere e neerlandês: Torpedobootjager), destruidor (espanhol: destructor e alemão: Zerstörer) ou caçador (sueco: jagare e norueguês: jager).
A emergência e o desenvolvimento do contratorpedeiro, até à Segunda Guerra Mundial, relacionou-se, diretamente, com a invenção do torpedo automóvel, na década de 1860, por Ivan Luppis, oficial da marinha do Império Austro-Húngaro. Uma pequena força naval dispunha agora da possibilidade de destruir navios de guerra inimigos mais poderosos, através do, simples uso de pequenas lanchas a vapor para lançar-lhes torpedos. Foram construídos barcos rápidos, armados com torpedos, chamados torpedeiros.
Por alturas da década de 1880, os torpedeiros tinham evoluído para pequenos navios de 50 a 100 toneladas, suficientemente rápidos para escaparem aos navios de patrulha inimigos, mas, ainda assim, já com um peso considerável.
Inicialmente, considerava-se que uma esquadra de guerra só estaria em perigo de ser torpedeada, quando estivesse ancorada, mas à medida que foram sendo desenvolvidos torpedos mais rápidos e com maior alcance, o perigo estendeu-se para a navegação oceânica. Em resposta a esta nova ameaça foram construídos navios de patrulha mais armados, chamados de "torpedo catchers (apanhadores de torpedos)" pela Royal Navy britânica, que eram usados para escoltar a esquadra em alto mar. Uma vez que tinham que acompanhar a esquadra, estes navios tinham que ter a mesma capacidade oceânica e a mesma autonomia, tornando-se, necessariamente maiores. Estes navios passaram a ser classificados, oficialmente, como "destruidores de torpedeiros" ou "contratorpedeiros".
A partir do momento em que os contratorpedeiros se tornaram mais do que simples "apanhadores de torpedos" para guarda de ancoradouros, verificou-se que eles eram também o tipo de navio de guerra ideal para assumirem a própria função de torpedeiro. Os contratorpedeiros foram, então, armados com tubos lança-torpedos, além das peças de artilharia. Na época, e até à Segunda Guerra Mundial, praticamente, as únicas funções dos contratorpedeiros era a de proteção da sua própria esquadra contra ataques de torpedos inimigos e a realização desse tipo de ataques contra os navios inimigos.
O torpedeiro japonês Kotaka, encomendado em 1885, foi o precursor dos contratorpedeiros que apareceram na década seguinte. Projetado no Japão, os componentes do Kotaka foram pré-fabricados nos estaleiros ingleses da Yarrow Shipbuilders, sendo levados para o Japão, onde foram montados, com o lançamento do navio acontecendo em 1887. O Kotaka estava armado com quatro peças de tiro rápido de 37 mm e com seis tubos lança-torpedos, atingindo os 19 nós, era o maior torpedeiro da época com 203 t. Nos testes de mar, o navio demonstrou que podia ir além da sua função de defesa costeira e que seria capaz de seguir os navios maiores até ao alto mar.
Após a encomenda do Kotaka, em novembro de 1885, a Marinha Espanhola encomendou aos estaleiros ingleses de Clydebank, um navio destinado a combater torpedeiros, que seria construído de acordo com o conceito desenvolvido pelo seu oficial superior Fernando Villaamil. O navio, batizado de Destructor, foi lançado em 1886. O seu projeto era o de uma grande canhoneira-torpedeira, com 380 t de deslocamento, armada com uma peça de 90 mm Hontoria, quatro metralhadoras Nordenfelt de 57 mm, duas peças Hotchkiss de 37 mm e 3 tubos lança-torpedos Schwarskopf. Tinha uma guarnição de 60 homens e atingia os 22,5 nós de velocidade. Pela sua artilharia, velocidade, dimensões, concepção específica para caçar torpedeiros e capacidade oceânica, o Destructor é considerado o primeiro contratorpedeiro do mundo a ser construído.
Pensa-se que o Destructor influenciou a designação e o conceito dos contratorpedeiros desenvolvidos, posteriormente, pela Royal Navy. Pouco depois, esta marinha iniciou experiências com a classe Rattlesnake com 17 grandes contratorpedeiros, a primeira classe de navios projetados para combater torpedeiros.
Nos testes os Rattlesnake demonstraram ser, marginalmente, mais rápidos que os torpedeiros, mas não, suficientemente, rápidos para serem decisivos. Os primeiros navios britânicos a terem a designação, oficial, de "torpedo boat destroyers (TBD)" foram os dois navios da classe Havoc, lançados em 1893. Os Havoc dispunham de 240 t de deslocamento, uma velocidade de 27 nós e estavam armados com uma peça de 76 mm, três peças de 57 mm e três tubos lança-torpedos de 460 mm. Tanto a sua velocidade como a sua autonomia já lhes permitiam acompanhar a esquadra de guerra.
Em março de 1886, a Marine nationale francesa ordena que sejam montados quatro canhões-revólver de 37 mm nos seus Torpilleur nº 65 e Torpilleur nº 74, que passam a ser classificados como "contre-torpilleurs". A instalação acaba por ser feita no Torpilleur nº 68 que se torna no primeiro contratorpedeiro francês. Em 1888 também a canhoneira Gabriel-Charmes, armada com uma peça de 138,6 mm é convertida em contratorpedeiro, passando a ser o Contre-torpilleur nº 151. Em 1890 todos os contratorpedeiros franceses são reclassificados como "torpedeiros". A França volta a ter, oficialmente, contratorpedeiros, em 1896, quando os avisos-torpedeiros Cassini, D'Iberville e Casabianca são reclassificados como "contratorpedeiros de esquadra".
Antes da Primeira Guerra Mundial
O projeto do contratorpedeiro evoluiu, na passagem do século XIX para o século XX, com a adoção de novos conceitos e avanços tecnológicos. O primeiro foi a introdução da turbina a vapor. O navio britânico movido por turbina, Turbinia de 1897 apressou a Royal Navy a encomendar um protótipo de contratorpedeiro. O HMS Viper com este tipo de propulsão foi lançado em 1899. O Viper foi o primeiro navio de guerra do mundo propulsado por turbinas, atingindo a velocidade notável de 36 nós, nos testes de mar. Por volta de 1910 a turbina passou a ser amplamente adotada por muitas marinhas para as suas embarcações mais rápidas.