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Constantino

Imperador romano (306–337) e primeiro a se converter ao cristianismo

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Constantino I (Naísso, 27 de fevereiro de 272 – Nicomédia, 22 de maio de 337), conhecido como Constantino, o Grande, foi um imperador romano proclamado Augusto por suas tropas em 25 de julho de 306, passando a governar uma parte cada vez maior do Império Romano até sua morte. É lembrado sobretudo por ter sido o primeiro imperador romano a converter-se ao cristianismo, fato que marcou profundamente o curso da história religiosa, política e cultural do Ocidente e do Oriente cristão.

Durante seu reinado, Constantino envolveu-se em uma série de guerras civis que culminaram na derrota de seus rivais Magêncio e Licínio, consolidando sua autoridade como imperador único. Paralelamente, conduziu campanhas militares bem-sucedidas contra diversos povos considerados bárbaros, entre eles os francos, alamanos, visigodos e sármatas, assegurando as fronteiras do império mesmo após a reconquista da Dácia, região que havia sido abandonada no século anterior. Seu governo caracterizou-se por um esforço de estabilização política e militar em um período de profundas transformações internas.

A conversão de Constantino ao cristianismo, tradicionalmente associada à visão da cruz antes da Batalha da Ponte Mílvia (312), inaugurou uma nova relação entre o Império Romano e a Igreja. Embora seu percurso religioso tenha sido gradual, seu apoio ao cristianismo manifestou-se de modo concreto por meio de leis favoráveis aos cristãos, do fim das perseguições sistemáticas por meio do Édito de Milão (313) e da promoção da unidade da fé, destacando-se a convocação do Concílio de Niceia, em 325, decisivo para a formulação da doutrina cristológica.

Um dos atos mais duradouros de seu reinado foi a fundação de uma nova capital imperial em Bizâncio, à qual deu o nome de Nova Roma. A cidade, contudo, passou a ser conhecida como Constantinopla, em sua homenagem, e tornar-se-ia a capital do Império Romano do Oriente por mais de mil anos. Por esse motivo, Constantino é frequentemente considerado um dos fundadores do mundo bizantino. A cidade, hoje chamada Istambul, permaneceu como centro político e cultural de sucessivos impérios até o século XX.

Constantino era um governante de grande importância histórica e sempre foi uma figura controversa. As flutuações na reputação de Constantino refletem a natureza das fontes antigas de seu reinado. Estas são abundantes e detalhadas, mas foram fortemente influenciadas pela propaganda oficial do período, e são muitas vezes unilaterais. Não há histórias de sobreviventes ou biografias que lidaram com a vida de Constantino e do Estado. Os mais próximos subsídios são a Vida de Constantino de Eusébio de Cesareia, uma obra que é uma mistura de elogio e hagiografia. Escrito entre 335 e cerca de 339, a Vita exalta virtudes morais e religiosas de Constantino. A Vita cria uma imagem tendenciosamente positiva de Constantino, de que os historiadores modernos vêm frequentemente contestando a fiabilidade. A mais completa vita secular de Constantino é do anónimo Origo Constantini. Uma obra de data incerta, o Origo concentra-se em acontecimentos militares e políticos, em detrimento de assuntos culturais e religiosos.

Ascensão a Augusto do Ocidente

Nascido em Naísso, na Mésia Superior (actual Niš na Sérvia), filho de Constâncio Cloro (ou Constâncio I Cloro) e da filha de um casal de donos de uma albergaria na Bitínia, Helena de Constantinopla, Constantino teve uma boa educação — especialmente por ser filho de uma mulher de língua grega e haver vivido no Oriente grego, o que facilitou-lhe o acesso à cultura bilíngue própria da elite romana — e serviu no tribunal de Diocleciano depois do seu pai ter sido nomeado um dos dois césares, na altura um imperador júnior, na Tetrarquia em 293. Embora a sua condição junto de Diocleciano fosse em parte a de um refém, Constantino serviu nas campanhas do césar Galério e de Diocleciano contra os sassânidas e os sármatas. Aquando da abdicação conjunta de Diocleciano e Maximiano em 305, Constâncio seria proclamado augusto, mas Constantino seria descartado como césar em proveito de Valério Severo (também conhecido modernamente como Severo II, título que jamais usou, para não ser confundido com o grande imperador do século anterior, Septímio Severo).

Pouco antes da morte do seu pai, em 25 de julho de 306, Constantino conseguiu a permissão de Galério para se reunir a ele no Ocidente, chegando a fazer uma campanha juntamente com Constâncio Cloro contra os pictos, estando junto do leito de morte do seu pai em Ebóraco (atual Iorque, na Inglaterra) na Britânia, o que lhe permitiu impor o princípio da hereditariedade em seu proveito, proclamando-se "césar" e sendo reconhecido como tal por Galério, então feito "augusto" do Oriente. Desde o início de seu reinado, assim, Constantino tinha o controle da Britânia, Gália, Germânia e Hispânia, com sua capital em Augusta dos Tréveros, cidade que fez embelezar e fortificar.

Nos dezoito anos seguintes, combateu uma série de batalhas e guerras que o fizeram o governador supremo do Império Romano. Como Maximiano desejava retomar a sua posição de augusto, da qual se havia afastado a contragosto juntamente com Diocleciano, Constantino recebeu-o na sua corte e aliou-se a ele por um casamento em 307 com a filha de sete anos de Maximiano, Fausta, o que lhe permitiu ser reconhecido tacitamente como Augusto em 308 por Galério numa conferência tetrárquica em Carnunto (atual Petronell-Carnuntum na Áustria). Em 309, no entanto, Constantino enfrentaria o seu sogro, que tentava recuperar abertamente o poder, capturando-o em Marselha e mandando assassiná-lo. Em 310, Constantino seria formalmente reconhecido como Augusto por Galério. Severo havendo sido entrementes eliminado, em 307, por Magêncio, filho de Maximiano que se havia proclamado imperador em Roma, Constantino deveria acabar por enfrentar o seu cunhado para conseguir o domínio completo do Ocidente romano. Após uma série de mediações fracassadas e lutas confusas, Constantino, após apoiar o usurpador africano Lúcio Domício Alexandre, cortando o fornecimento de trigo de Roma, de 308 a 309, desceu em 312 até Itália para eliminar Magêncio.

Essas guerras civis constantes e prolongadas fizeram de Constantino, antes de mais nada, um reformador militar, que, para aumentar o número de tropas à sua disposição imediata, constituiu o cortejo militar do imperador (comitatus) num corpo de tropas de elite autossuficiente - um verdadeiro exército de campanha — principalmente pelo recrutamento de grande número de germanos que se apresentavam ao exército romano nos termos de diversos tratados de paz, a começar pelo rei alamano Croco II, que teve um papel decisivo na aclamação de Constantino como Augusto.

O facto de Constantino ser um imperador de legitimidade duvidosa foi algo que sempre influiu nas suas preocupações religiosas e ideológicas: enquanto esteve diretamente ligado a Maximiano, ele apresentou-se como o protegido de Hércules, deus que havia sido apresentado como padroeiro de Maximiano na primeira tetrarquia. Ao romper com o seu sogro e após o ter eliminado, Constantino passou a colocar-se sob a proteção da divindade padroeira dos imperadores-soldados do século anterior, Deus Sol Invicto, ao mesmo tempo que fez circular uma ficção genealógica (um panegírico da época. Para disfarçar a óbvia invenção, dizia, dirigindo-se retoricamente ao próprio Constantino, que se tratava dum facto "ignorado pela multidão, mas perfeitamente conhecido pelos que te amam") pela qual ele seria o descendente do imperador Cláudio II — ou Cláudio Gótico — conhecido pelas suas grandes vitórias militares, por haver restabelecido a disciplina no exército romano, e por ter estimulado o culto ao Sol.

Constantino acabou, no entanto, por entrar na História como primeiro imperador romano a professar o cristianismo, na sequência da sua vitória sobre Magêncio na Batalha da Ponte Mílvia, em 28 de outubro de 312, perto de Roma, que ele mais tarde atribuiu ao Deus cristão. Segundo a tradição, na noite anterior à batalha sonhou com uma cruz, e nela estava escrito em latim:

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