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Constantin Stanislavski

Ator, diretor, escritor, pedagogo e pesquisador teatral

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Constantin Sergeevich Alexeiev(nome de batismo), em russo: Константин Сергеевич Алексеев, mais conhecido por Constantin Stanislavski, em russo Константин Станиславский (Moscou, 5 jul./ 17 de janeiro de 1863 greg. — Moscou, 7 de agosto de 1938) foi um ator, diretor, pedagogo e escritor russo de grande destaque entre os séculos XIX e XX.

Stanislavski é mundialmente conhecido pelo seu "sistema" de atuação para atores e atrizes, onde reflete sobre as melhores técnicas de treinamento, preparação e sobre os procedimentos de ensaios. Embora pensadas para o teatro, suas proposituras cênicas são largamente utilizadas por artistas de cinema e televisão.

Desde pequeno Stanislávski teve contato com todos os tipos de artes, filho de um fabricante de tecidos, adotou o nome artístico de origem polonesa para não comprometer sua família. Sua primeira apresentação amadora ocorreu quando ainda tinha sete anos em um teatro que seu pai mandara construir em sua casa. Neste local, também conhecido como Círculo Alexeiev, aconteciam vários encontros com atores, diretores, músicos, artistas plásticos conhecidos. Após os casamentos na família, esses encontros começaram a ficar mais raros.

Em 1885, Stanislávski torna-se um dos cinco diretores da Sociedade Musical Russa, e, em 1888 ele funda a Sociedade Literária de Moscou, um grupo amador no qual passa a estudar a arte teatral com grandes personalidades da época, como o diretor Fiédotov. Este empreendimento não teve muito sucesso econômico, o que levou Stanislavski a arcar sozinho com todas as despesas, entretanto gradualmente ele se torna conhecido como um dos grandes atores russos.

Após trocar correspondências com Vladímir Ivânovitch Niemiróvitch-Dântchenco (1858 – 1943), popular escritor e professor de arte dramática do Conservatório de Moscou; inicia, no dia 22 de junho de 1897; no Slaviánski Bazar (Mercado Eslavo, nome de um restaurante), não só uma conversa histórica, mas um diálogo, sobre um empreendimento, que marcaria o teatro no século XX: a fundação do Teatro de Arte (ou Artístico) de Moscou Acessível a Todos, que depois passaria a ser conhecido como o Teatro de Arte de Moscou (TAM) (Senelick pgs. 6-7).

Foi neste local que Stanislávski, durante anos, teve a oportunidade de testar métodos e técnicas no trabalho de preparação do ator. Muito destes foram deixados de lado e outros aprofundados. Estes seus estudos geraram o conhecido "sistema" Stanislávski (como ele mesmo o chamava), com suas várias facetas .

Laurence Senelick descreve que o primeiro grande sucesso do TAM foi a sua estreia com a peça Czar Fyodor Ioannovich de Lev Nikoláievich Tolstói (14 de outubro de 1898) desenvolvida a partir de um arqueológico detalhamento naturalista em cena, uma inovação na cena contemporânea (pg.6). Entretanto o resto da temporada não teve tal sucesso, justamente pelo estilo naturalista que não serviu tão bem às outras peças. O que teria salvo o repertório foi a encenação da peça de Anton Tchekhov A Gaivota, sugerida por Danchenko que se tornaria um dos principais dramaturgos da companhia. As peças de Tchecov se tornaram um novo estilo nas encenações do TAM com seus longos silêncios, modulações sutís, todas submetidas ao extremo detalhamento naturalista (Senelick, pg.6).

Em 1902, Danchenko apontava as encenações de A Gaivota de Checov e O Inimigo do Povo de Ibsen como textos que ele havia sugerido. Stanislávski, por outro lado, também gostava de peças fantásticas (fantasy plays) e era interessado por questões relativas a encenação e a técnicas de atuação. Em 1905, impressionado com experimentos de improvisação realizados por um dos atores de sua companhia, Meierhold, Stanislavski convida-o a desenvolver seus trabalhos em busca de novas formas de interpretação para encenar Maeterlinck. Em 1907, as relações entre Danchenko e Stanislavski quase levam a ruptura do empreendimento.

Em 1908, Stanislávski vende sua parte das ações, e se limita a dirigir duas peças por temporada, com uma peça experimental que poderia ser vetada por Danchenko, que se tornara o diretor da companhia. A produção da experimental fantasia O Pássaro Azul por Stanislávski (1908) foi um sucesso tão grande que o leva a pensar num empreendimento semelhante para o próximo ano, daí surge o interesse de chamar o diretor inglês Edward Gordon Craig para encenar uma tragédia de William Shakespeare. Craig era um conhecido crítico do naturalismo (Senelick pgs. 6 e 7).

Um "sistema" para a interpretação do ator

Como se sabe, a maior parte dos textos que Stanislavski escreveu e que o notabilizaram como “homem de teatro” é dedicada à reflexão sobre o trabalho dos atores. Ao romper com o constrangimento e a artificialidade que guiavam os atores ao terem de agir diante do público, ao que se somava a tradição de um gestual codificado, Stanislavski sugere ao ator: “quando estiver em cena, viva de acordo com as leis naturais”.

Sobre a sua sistematização do trabalho do ator, Stanislávski afirma:

Jean Benedetti descreve que as primeiras anotações sobre o sistema foram feitas por Stanislávski ainda em 1906 e que sua primeira parte estava pronta já em 1920 (Benedetti, Stanislavski an Introduction, Kindle Ed.). Jaco Guinsburg cita as inquietações de Stanislavski na busca de um forma teatral apurada:

Impulsionado por renovações cênicas, compromissos e por experiências ao longo de sua vida, Stanislávski criou, desenvolveu, sistematizou e aprimorou o que chamou de “sistema” . Este se embasava nas ações físicas, as quais "[...], por sua vez, transmitem o espírito interior do papel que estamos interpretando [...]", sendo elas abastecidas pela vida e pela imaginação que o ator empresta à personagem. Assim sendo, a partir de Stanislavski, ações físicas, espírito interior, imaginação, são palavras chaves e integradas em todos os métodos de interpretação para o ator desde então.

Stanislávski afirma, sobre seu sistema:

Ao todo, sobre o “sistema” , Stanislávski tem publicado em português um total de quatro obras: Minha Vida na Arte, A preparação do Ator, A Construção da Personagem e A Criação de um Papel; os três últimos livros, em nossa língua, foram traduzidos por Pontes de Paula Lima, da versão feita pela norte-americana Hapgood. Esta traduziu e editou apenas uma seleção dos escritos originais russos. Estas versões possuem omissões de palavras, frases, idéias e capítulos inteiros, que se originam de decisões de cortes da edição da tradutora norte-americana (Mauch e Camargo, 2010). Novas traduções tem sido realizadas em outras línguas, procurando-se traduzir a obra completa sem cortes, destaque-se Benedetti - inglês e Salomón Merener, ed. Quetzal - espanhol, esgotada (Mauch, Dellari e Camargo, 2010).

Há uma primeira publicação em português de Minha Vida na Arte, com tradução de Ester Mesquita (SP:Anhembi, 1956). Esta é uma tradução parcial do extenso original russo, realizada a partir da edição francesa, traduzida do russo por Nina Gourfinkel.

Um ponto determinante do programa stanislavskiano é a investigação a respeito das sutilezas psicológicas, emocionais e comportamentais dos personagens, vivenciadas pelos atores. Para se aproximar o máximo possível desses mecanismos sutis do comportamento humano, Stanislavski propõe um jogo dinâmico em que os atores deveriam operar sobre sua própria subjetividade de modo a “vivenciar o personagem”.

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