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Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025

30.ª edição da conferência, em Belém do Pará

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A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, ou 30th Conference Of the Parties (abreviado COP30), informalmente chamada de COP da Amazônia, foi a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. Ocorreu entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, na cidade brasileira de Belém (no estado do Pará), segundo o anúncio da ONU em 18 de maio de 2023.

A candidatura da cidade brasileira já havia sido anunciada pelo presidente brasileiro Lula da Silva durante sua participação na COP27, realizada na cidade de Xarm el-Xeikh, no Egito, e oficializada, finalmente, em janeiro de 2023.

A conferência em Belém teve a presença de 31 chefes de governo, mas totalizando 129 líderes, incluindo os: vice-presidentes, vice-primeiros-ministros e, ministros.

A conferência não teve bom desempenho e houve diversos erros antes de iniciar o evento. O preço de alimentos a valores caros, hospedagens de hotéis a preços exorbitantes, incêndio ocorrido pela primeira vez na história da conferência, ameaças de facções criminosas, a falta de infraestrutura e baixo número de representantes governamentais de outros países fizessem com que a mídia e a imprensa internacional considerassem como "A pior COP da história". Apelidos provocativos como "COP da Vergonha", "COP do Fracasso", "Flop30" entre outros repercutiram e se concretizaram em toda a internet durante o evento.

De acordo com a prática rotativa entre os grupos regionais das Nações Unidas, a organização da conferência de 2025 é de responsabilidade do Grupo de Países da América Latina e Caribe; Em 2022 durante a COP27 o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva apresenta a candidatura do Brasil para sediar o evento em 2025; Em 2023, Lula anunciou que o Ministério das Relações Exteriores havia formalizado a candidatura do Brasil para sediar esta conferência, e; Em maio de 2023, as Nações Unidas confirmaram Belém como sede da COP30.

Em 2022, com a vitória de Luis Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais daquele ano no Brasil, em 30 de outubro, um dos primeiros objetivos do presidente eleito para a política externa brasileira era o reposicionamento na governança climática global. Nesse sentido, pouco mais de duas semanas após as eleições, Lula liderou a comissão brasileira à 27ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, na cidade egípcia de Xarm el-Xeikh (província Sinai do Sul).

Em seu antecipado discurso na conferência, afirmou o compromisso brasileiro com a Declaração de Glasgow, assinada no ano anterior, em que o país prometera zerar o desmatamento em solo brasileiro até 2030, bem como declarou a necessidade de estabelecer o crescimento econômico com respeito à biodiversidade, ao combate às mudanças climáticas, ao equilíbrio ambiental e à proteção da Amazônia. Além de outras medidas, anunciou sua intenção em oferecer o Brasil como sede da COP-30, dali três anos, "em algum estado amazônico". Em razão do sistema de rotação entre os diferentes grupos regionais da ONU para definir as presidências das conferências, a COP30 seria em um dos países da América Latina e do Caribe.

Com o início do segundo governo Lula e o apontamento de Marina Silva para a posição de Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, fortaleceu-se a idéia em formalizar a cidade de Belém para a candidatura, a cidade de Manaus foi considerada a outra opção amazônica com capacidade de sediar o evento, na época como então governador do estado do Amazonas e no prefeito de Manaus opositores do presidente (Wilson Lima e David Almeida, respectivamente), enquanto Belém tinha no governador do estado do Pará e no prefeito de Belém aliados próximos (Helder Barbalho e Edmilson Rodrigues, respectivamente).

Em 11 de janeiro de 2023, após reunião com Helder Barbalho em Brasília, Lula oficializou Belém como a sede da candidatura brasileira à COP30. Em 31 de maio, em reunião do Grupo de Países da América Latina e Caribe (GRULAC), a candidatura de Belém foi aprovada pelas lideranças regionais, decisão que viria a ser referendada durante a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em novembro daquele ano.

Foi estabelecido na COP28 que até fevereiro de 2025, os países compromissados com as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) estabelecido no Acordo de Paris (compromissos sobre gases estufa) deveriam publicar suas contribuições, mas até abril do mesmo ano apenas 19 países as submeteram, dos 195 signatários e, que os países restantes são responsáveis por 83% das emissões globais. E em setembro cerca de 100 países submeteram ou divulgaram novas NDCs para o clima. Após analisar 64 novos compromissos submetidas de janeiro a setembro de 2025, e algumas metas climáticas de países, as Nações Unidas sugeriram que as emissões globais poderiam cair 10% até o ano de 2035, em comparação com o nível de 2019. No entanto, isso baseia-se na premissa de que os Estados Unidos continuariam com a política climática acordada na era Biden, que ainda é muito inferior à redução de 60% necessária para limitar o aumento da temperatura em 1,5º C. Em novembro após receber NDCs de 113 partes, a ONU elevou sua estimativa de redução de emissões até o ano de 2035 para 12%.

Em março de 2025, a Organização Meteorológica Mundial publicou o relatório State of the Global Climate 2024, que afirma, a temperatura média global era de 1,55 ± 0,13°C acima da média pré-industrial (1850-1900), tornando-o o ano mais quente já registrado. O relatório destacou a enorme perturbação econômico-social causada por eventos climáticos extremos e, os impactos a longo prazo do aquecimento recorde dos oceanos e da elevação do nível do mar. Em de setembro de 2025, o Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI) apresentou o relatório Production Gap Report 2025, que afirma, dez anos após o Acordo de Paris, os governos planejam produzir, até 2030, 120% do volume de combustíveis fósseis que seria compatível com um limite de aquecimento global de 1,5°C e 77% a mais do que seria compatível com um limite de 2°C; o que equivale a um alargamento da diferença em comparação com a análise de 2023, de 110% e 69%, respectivamente, em relação aos limites de aquecimento de 1,5°C e 2°C.

Ainda em 2023, nos dias 8 e 9 de agosto, foi organizada a IV Cúpula da Amazônia (ou Cúpula Presidencial dos Países Amazônicos), reunião dos presidentes dos Estados que fazem parte da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, em Belém. O evento reuniu os oito países amazônicos (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela) e serviu como teste operacional para a cidade, além de buscar estabelecer pautas de cooperação regional em antecedência à COP30. Como resultado do evento, foi publicada a Declaração de Belém, documento de 113 compromissos para estabelecer uma visão compartilhada de desenvolvimento sustentável, combate ao desmatamento e outras pautas transnacionais da região amazônica, como o combate ao tráfico de drogas internacional.

O 16º Diálogo Climático de Petersberg (PCD16) foi realizado na cidade alemã de Berlim, nos dias 25 e 26 de março de 2025, presidido por Annalena Baerbock, Ministra Federal dos Negócios Estrangeiros, e André Corrêa do Lago, presidente atual da COP30, na presença de ministros e representantes de 40 países e observadores da sociedade civil. Onde os participantes reafirmaram o papel do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas como uma "bússola unificadora rumo a um futuro sustentável e próspero" para os caminhos compatíveis com um aumento de temperatura de 1,5°C e resiliente às mudanças climáticas, no contexto da busca pelo desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) defenderam, de uma perspectiva econômica, Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) ambiciosas e ações climáticas aceleradas, onde suas análises preliminares indicam que o aumento das NDCs poderia ajudar a evitar perdas do PIB de pelo menos 3% até 2050 e 13% até 2100; o estudo também constata que políticas climáticas bem elaboradas podem levar a um crescimento econômico mais forte do que cenários de manutenção do status quo. Muitos ministros, reconhecendo as decisões sobre a "Nova Meta Coletiva Quantificada" (NCQG) e o "Roteiro Baku-Belém" como cruciais para alcançar US$ 1,3 trilhão em financiamento climático e fortalecer a cooperação global, enfatizaram que, embora o financiamento público continue sendo essencial, principalmente para a adaptação, é necessária maior atenção ao financiamento privado.

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